Ervilha é a nova estrela das bebidas da Nestlé. E chega a Portugal

Mercado de produtos com base em plantas está em crescimento e já representa entre 100 e 200 milhões de francos suíços de receita para a Nestlé. Multinacional lançou uma nova marca de bebida de base vegetal, a Wunda. Portugal é um dos três mercados de lançamento.

Um em cada dez consumidores já substituiu, em algum momento, proteína animal por vegetal na sua dieta. A procura por produtos de base vegetal existe e estima-se que, até 2025, cresça a uma taxa anual entre 6,4% e 6,5%. Wunda, uma nova bebida à base de proteína de ervilha alternativa ao leite, é a nova marca da Nestlé para agarrar este consumidor. Portugal é, juntamente com França e Holanda, um dos três mercados onde, até ao final de maio, a Wunda estará à venda nos supermercados. Este será um dos 42 novos lançamentos de produtos de base vegetal que a multinacional conta ter até ao final do ano. Este tipo de produtos deverá representar cerca de 15% vs total portefólio de Inovação em 2021.

"O marketing de negócios está também ligado às pessoas, às suas convicções, às convicções dos meus colegas em Lisboa. Estavam muito entusiasmados e viram a oportunidade, acreditam que podem ter sucesso, que têm uma proposta sólida", diz Cédric Boehm, head of dairy para a Nestlé Zona EMENA (Europa, Médio Oriente e Norte de África), quando questionado pelo Dinheiro Vivo sobre a escolha de Portugal para um dos mercados de lançamento da nova marca.

"Portugal é um mercado onde podemos implementar de forma apropriada, temos uma grande operação no país e conhecemos muito bem o mercado e os nossos consumidores. Foi assim que decidimos avançar em Portugal e não em outras geografias. Às vezes há um elemento humano na forma como as coisas acontecem", reforça o responsável num encontro digital com jornalistas.

Durante seis meses a equipa de R&D da Nestlé trabalhou no desenvolvimento da Wunda. A bebida de proteína vegetal é produzida a partir de ervilhas amarelas, provenientes de França, rica em fibra, com baixo teor de açúcar e gordura, enriquecida com cálcio e fonte de vitaminas A, D, B2 e B12. As três gamas existentes - original, sem açúcar e com chocolate - têm pontuação A na Nutri Score, descreve a companhia.

"É a melhor bebida com base em proteína ervilha no mercado", garante Stefan Palzer, chief technology officer da Nestlé, entusiasmado com a versatilidade do produto. "Pode ser usado com café quente. Tem uma boa espuma", destaca, levantando para a câmara o copo de leite com café que tinha feito usando o Wunda.

Bom para fazer café, mas também para ser usado para fins culinários, como sopas ou bolos, garantindo a empresa que a bebida não perde as suas características. O produto vai estar à venda nos supermercados - em Portugal deverá estar disponível na última semana de maio nas lojas alimentares da Sonae -, mas igualmente encaminhado para restaurantes e cafés através da Nestlé Professional, o braço para o canal Horeca da multinacional, já que uma das variedades desta marca é destinada ao uso profissional, pelos baristas.

Expectativas "elevadas" de vendas

Cédric Boehm não revela expectativas de valores de vendas - o produto estará à venda no retalho e no Horeca, embora o responsável acredite que a maioria das vendas será nos super - nem que quota de mercado a Nestlé estima que este novo produto poderá vir a conquistar, num mercado onde a oferta de bebidas com base em proteína vegetal está a crescer, mas admite que as "expectativas são elevadas". Afinal, na história da empresa - muito feita de fusões e aquisições - , "não é muito frequente a Nestlé lançar marcas de raiz".

Uma oportunidade de a companhia reinventar a categoria alimentar. Na sua oferta, na área de carne com base vegetal, a Nestlé já tem hambúrgueres (Garden Gourmet), mas também bebidas que se apresentam como alternativas ao leite. Este tipo de gamas já representa entre 200 milhões e 100 milhões de francos suíços de receitas, de acordo com as contas da empresa. Gamas a crescer na ordem dos dois dígitos. E há potencial de diversificação - como gelados ou até chocolates, como é o caso do KitKat V, que deverá chegar este ano a vários mercados. Para a Wunda a multinacional está já a trabalhar noutras inovações dentro do espaço alternativo aos laticínios, adianta a empresa, sem precisar quais as categorias.

Mercado em crescimento

A nível global, mas em particular nos mercados ocidentais, estima-se que o consumo de produtos com base em plantas cresça, até 2025, ao ritmo anual entre 6,4% e 6,5%, segundo o estudo Going Plant-Based: The Rise of Vegan and Vegetarian Food, da Euromonitor, conhecido em novembro. Os dados da empresa de estudos de mercado revelam ainda que, embora os vegans/ou com uma dieta vegetariana restritiva representem entre 4% e 6,4% dos consumidores a nível mundial, os indivíduos que estão a restringir a ingestão de proteína animal (os flexiterianos) já representavam no ano passado 42% dos consumidores. E há potencial de seduzir segmentos mais jovens para proposta como a Wunda: 54% da Geração Z (1995 -2010) evita produtos animais ou carne vs 34% dos baby boomers (1946 - 1964 ), segundo o inquérito Health and Nutrition, da Euromonitor.

Em Portugal, incluindo o lançamento da Wunda (quatro produtos) a Nestlé terá 38 produtos de base vegetal lançados no mercado até ao fim do primeiro semestre de 2021. "Até ao fim do ano, temos previstos ter mais lançamentos perfazendo 42 novos produtos plant-based. Estimamos que o nosso portefólio plant-based represente cerca de 15% vs total portefólio de Inovação em 2021", adianta fonte oficial da Nestlé Portugal.

E também oportunidade de os agricultores ganharem entrada neste segmento. "É um mercado importante e relevante para os agricultores fazerem parte desse mercado pois há uma procura. Mas é um pouco o contrário", diz Cédric Boehm, quando questionado pelo Dinheiro Vivo sobre que iniciativas a Nestlé pensa levar a cabo para potenciar esse crescimento da produção da matéria-prima, a ervilha amarela, hoje comprada na França e Bélgica. "Primeiro, temos de provar o Wunda no mercado e depois teremos uma maior procura do produto ervilhas e, depois, através do nosso departamento de agricultura e de compras iremos assegurar que este produto está disponível para nós, hoje na França e na Bélgica, e depois em outros mercados", diz o responsável.

A nível de produção, lançar Wunda teve um "investimento limitado" já que a Nestlé está a produzir a gama em unidades fabris já existentes em Espanha.

O produto também responde a uma das preocupações da companhia: atingir uma peugada carbónica neutra até 2050. A gama original da Wunda tem o equivalente a 0,58 kg de CO2 por litro, com o produto a ter 2,2 g de proteína por cada 100 ml - "mais do dobro", garante a Nestlé, do que a maioria dos concorrentes - o que significa que a produção de CO2 por cada grama de proteína (uma das maiores variáveis na produção de dióxido de carbono) do produto é de 0,026kg.

A etiqueta de neutralidade carbónica certificada pela Carbon Trust é "alcançada através do trabalho desenvolvido com fornecedores, o que assegura a obtenção de matérias-primas de forma sustentável, enquanto reduz as emissões durante o processo de produção e de distribuição", explica a empresa.

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