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Escândalo do Facebook pode ter afetado muito mais do que 83 milhões de pessoas

Facebook

O caso que envolve a rede social e a empresa Cambridge Analytica está longe de terminar.

A revelação é feita por uma antiga funcionário da Cambridge Analytica, Brittany Kaiser: o número de utilizadores do Facebook que tiveram os seus dados usados sem autorização pela empresa de análise é, ao que tudo indica, muito superior a 83 milhões. Segundo esta funcionária, a Cambridge Analytica teve acesso a dados recolhidos em vários quizzes feitos na rede social.

“Mas acredito que é quase certo que o número de utilizadores do Facebook cujos dados foram comprometidos através de métodos semelhantes aos usados por Kogan é muito maior do que 87 milhões; e que tanto a Cambridge Analytica e outras empresas sem ligação estiveram envolvidas nessas atividades”, escreveu Brittany Kaiser num testemunho para o parlamento britânico.

Durante uma audição com os deputados britânicos, a funcionária que fez parte da equipa de vendas da Cambridge Analytica falou em pelo menos mais dois inquéritos através dos quais terão sido recolhidos dados de utilizadores: um funcionava como uma “bússola sexual” e outro era um teste sobre a personalidade musical dos utilizadores.

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“Nas minhas apresentações costumava dar exemplos, até aos clientes, de que se vissem um quizz de personalidade viral no Facebook, nem todos foram desenhados pela Cambridge Analytica ou pelos nossos afiliados, mas estas aplicações foram desenhadas especificamente para recolher dados das pessoas usando o Facebook como ferramenta”, acrescentou Brittany Kaiser, citada pelo The Verge.

Quando surgiu o escândalo da Cambridge Analytica, o primeiro número avançado sobre utilizadores afetados foi de 50 milhões. Mais tarde, o próprio Facebook admitiu publicamente que o número era maior – 83 milhões, dos quais 63 mil portugueses – e que ainda estava a realizar auditorias para perceber o impacto total deste uso inapropriado de dados privados.

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Facebook ‘persegue’ mesmo quem não é utilizador
Uma das questões que o diretor executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, teve dificuldade em responder perante o senado norte-americano, foi relativa à monitorização de não-utilizadores do Facebook. A empresa fez esta semana uma publicação onde confirma que de facto recolhe informação até de quem não está registado na plataforma e explica porquê.

“Quando visita um site ou uma aplicação que usa os nossos serviços, nós recebemos informação mesmo que não esteja autenticado ou não tenha uma conta no Facebook. Isto acontece porque outras aplicações e sites não sabem que está a usar o Facebook”, começou por explicar a empresa.

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Ou seja, mesmo que não tenha conta no Facebook, se entrar num site que use um dos plugins da empresa, como aquele que mostra o número de likes de um artigo ou tem um botão que permite partilhar aquele conteúdo, então o Facebook está a apanhar informações suas.

Quais informações? Endereço de IP, um número que identifica os equipamentos que estão ligados à internet, o navegador de internet que está a usar, o sistema operativo que está a usar e ainda alguns cookies, mais dados que facilitam a identificação do utilizador.

O Facebook diz que faz esta recolha de dados, mesmo dos não-utilizadores, para tentar garantir a melhor experiência de utilização dos seus serviços online e também por motivos de segurança.

Mas nem todos estão confortáveis com esta abordagem do Facebook: na Bélgica, por exemplo, a justiça proibiu o Facebook de ‘perseguir’ os utilizadores que não estão a usar a rede social e está prevista uma multa de 250 mil euros por cada dia em que esta ordem não for cumprida.

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