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Espanhóis e suíços querem vender novos comboios regionais à CP

Novos comboios regionais vão complementar atual oferta das automotoras elétricas UTE 2240. (MIGUEL A. LOPES/LUSA)
Novos comboios regionais vão complementar atual oferta das automotoras elétricas UTE 2240. (MIGUEL A. LOPES/LUSA)

CAF e Talgo são as duas primeiras empresas a confirmar interesse no concurso para primeira compra de comboios da CP em 20 anos.

Pelo menos três empresas já confirmaram o interesse em participar no concurso público para a CP comprar 22 novos comboios regionais. Os espanhóis da CAF e da Talgo e os suíços da Stadler já se inscreveram formalmente neste processo. A CP vai receber manifestações de interesse até às 23h59 desta terça-feira, 12 de fevereiro, nove dias depois do prazo previsto inicialmente.

“Confirmamos que a CAF está interessada no concurso”, refere fonte oficial desta empresa. A fabricante espanhola, segundo a sua página oficial, tem capacidade para produzir os comboios Civity, com velocidade máxima de 160 km/h, e que tanto podem funcionar com tração elétrica ou híbrida, ou seja, circulam em linhas eletrificadas e não-eletrificadas.

Apesar de nada afirmar a título oficial, o Dinheiro Vivo sabe que os espanhóis da Talgo também já fizeram a sua inscrição neste concurso. Mais conhecida pelos comboios de alta velocidade, esta empresa está interessada em vender o modelo EMU para o mercado português, que também pode funcionar na versão elétrica e na versão híbrida até 160 km/h.

O EMU é o único comboio deste segmento que tem o piso rebaixado em todo o seu comprimento, facilitando a entrada e saída de passageiros e, por isso, reduzindo o tempo de espera nas estações. A Talgo é a empresa que fornece as carruagens do serviço internacional Sud-Expresso, que liga Portugal a Espanha graças a uma parceria com a Renfe.

A Stadler também juntou-se a esta lista de interessados em vender comboios à CP. “Podemos confirmar que a Stadler está interessada neste concurso”, respondeu fonte oficial. A empresa suíça conta com modelos como o Flirt160 e o Wink, que tanto podem funcionar com tração elétrica ou híbrida e que atingem os 160 km/h.

Leia mais: CP recebe menos 10 milhões do que exigia para cumprir serviço público

A Siemens tem sido apontada como outra das empresas interessadas neste concurso mas escusa-se a comentar qualquer informação neste momento. O Dinheiro Vivo contactou ainda a Bombardier mas não obteve até agora qualquer resposta da empresa canadiana.

Entre 2009 e 2010, CAF, Siemens e Bombardier foram três das quatro fabricantes que participaram no último concurso da CP para a aquisição de novo material circulante. Esta operação foi abortada, na altura, porque nenhum dos concorrentes cumpriu o caderno de encargos para a compra de 49 automotoras elétricas e de 25 unidades a gasóleo.

Uma década depois, a CP prepara-se para comprar 22 automotoras para o serviço regional (12 híbridas e 10 elétricas), que deverão ser entregues em 2023 e 2024. O preço base para a aquisição destes comboios é de 168,21 milhões de euros. A maioria do investimento em causa será assegurada por fundos europeus, num total de mais de 109 milhões de euros do FEDER e do Fundo de Coesão, a vigorar no período de programação 2021-2027. O restante valor – 58,8 milhões de euros -, será pago com recurso a verbas nacionais, nomeadamente do Fundo Ambiental.

A empresa pública de comboios pretende receber primeiro as automotoras híbridas, que poderão circular mesmo em troços não eletrificados como Régua-Pocinho (linha do Douro), Caldas da Rainha-Louriçal (linha do Oeste) e Casa Branca-Beja (linha do Alentejo). A CP não conta que estas ligações estejam eletrificadas à data da entrega da primeira automotora híbrida. Os 22 novos comboios vão servir para praticamente todas as linhas do país. De fora ficarão os troços das linhas suburbanas de Lisboa, Porto e Coimbra.

O contrato para o fornecimento das 22 automotoras será ganho pela proposta que apresentar “a melhor relação qualidade-preço”. Também serão valorizadas as candidaturas que incorporarem “soluções que permitam fase de montagem e colocação em serviço em Portugal, com incorporação de recursos nacional”.

Até à chegada dos novos comboios regionais, a CP vai alugar um total de 24 automotoras a gasóleo à congénere espanhola Renfe, com perto de 40 anos, e que custam perto de 8,3 milhões de euros por ano à empresa pública de comboios.

Para saber todos os detalhes sobre o concurso para compra dos novos comboios regionais pode ler este artigo: CP vai receber novos comboios em metade do tempo

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