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Especialista garante: “Maioria dos CEO não cumpre as suas promessas éticas”

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Um grupo de 181 CEO norte-americanos reuniu-se em agosto para assinar uma nova declaração que incentiva a ética na liderança

O grupo de CEO inclui nomes importantes da atualidade, como Doug McMillon, do Walmart, Safra Catz, da Oracle e Randall Stephenson da AT&T. E o objetivo é muito claro: redefinir os valores de uma corporação. A promessa, na teoria, é investir nos benefícios de todas as partes interessadas: clientes, colaboradores, fornecedores, comunidades e acionistas.

As empresas têm a fama de se importarem apenas com o valor das ações, tendo isso em conta, a nova iniciativa é uma proposta que visa mudar os rumos dos negócios e adicionar no seio empresarial a responsabilidade social.

Na prática, muitas coisas têm mudado. É essa a opinião de James O’Toole, autor de “The Enlightened Capitalists: Cautionary Tales of Business Pioneers Who Tried to Do Well by Doing Good”. O autor afirma que a maioria dos líderes empresariais não pode e irá cumprir as suas promessas éticas.

“Eu senti que esta promessa tinha todo o peso moral de uma resolução de ano novo, portanto, quase as mesmas hipóteses de ser cumprida”, disse O’Toole num dos episódios do podcast Recode Decode, com a jornalista Kara Swisher. “É muito fácil declarar algo. Eu presumo que alguns desses CEO acreditaram no que disseram e realmente gostavam de fazê-lo. Mas o que a minha pesquisa mostra é que eles não o fazem.”

O´Toole indica também que os 181 signatários da promessa, membros do Círculo de Negócios presidido pelo CEO da JPMorgan Chase, Jamie Dimon, estão a falar do tema, mas ainda não tomaram nenhuma medida formal.

James O'Toole, autor de “The Enlightened Capitalists: Cautionary Tales of Business Pioneers Who Tried to Do Well by Doing Good”. Fonte:  Recode Decode/Christine Burrill

“Quase todos os CEO nos seus relatórios anuais, nos últimos doze anos falaram nisto: ‘os nossos funcionários são o nosso ativo mais importante'”, disse O’Toole. “Dizem: ‘Os nossos clientes são tão importantes quanto todos os nossos acionistas, preocupamo-nos com o meio ambiente, estamos a fazer tudo o que podemos.’ Mas o que eles fazem, de facto, é só o suficiente para manter os ativistas à distância e evitar uma má reputação. ”

Segundo o autor, as grandes empresas de tecnologia que contrataram determinados funcionários para resolver as questões de ética, por causa de conformidades, garantem que esta posição é ineficaz. Ao invés de contratar mais colaboradores, as suas vagas foram preenchidas entretanto por advogados.

“O que acontece é que a conformidade se torna mais importante do que a ética, que acaba por ser esquecida”, disse O’Toole. “Eles sabem o que é a lei. A ética é uma área cinzenta, não somos treinados como especialistas em ética. Então, o que fazemos é garantir que estamos a obedecer a lei.”

Numa altura em que o employer branding ganha cada vez mais importância, à medida em que ter o talento certo pode fazer as empresas evoluir como nunca, O’Toole admite que esquecer a ética não é a melhor política de empresa.

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