Este é o ano: Glintt exporta máquinas de pagamento para Angola

Manuel Mira Godinho, CEO da Glintt
Manuel Mira Godinho, CEO da Glintt

As máquinas de pagamento que a Glintt vai começar a exportar no segundo semestre de 2014 não vão revolucionar o mercado. São do mais avançado que há, mas a carcaça é a mesma em todas as marcas. Com uma exceção: as marcas internacionais produzem estes terminais às paletes. A Glintt não. E por isso, pode desenhá-las à medida.

A grande vantagem das máquinas de pagamento
da tecnológica portuguesa é que os bancos podem encomendá-las com a sua
própria cor. Já reparou que alguns terminais de pagamento no
supermercado são verdes, ou vermelhos?

“Vamos tentar fazer o mesmo que fizemos em Portugal, que é ser diferentes. Somos os únicos que fazem TPA com cores adaptadas ao banco”, explica ao Dinheiro Vivo Manuel Mira Godinho, presidente executivo da Glintt. “O outro aspeto é que o software é nosso”, refere. “Se eu tivesse de fazer software para o mundo inteiro não abria concessões, fazia um roadmap de evolução e ponto final.”

A escolha de Angola deve-se à presença forte da banca nacional no país africano. “É um outro eixo da nossa estratégia: tentamos seguir clientes. O nosso esforço e solidez em Portugal dão-nos uma pequena vantagem competitiva para Angola.” A Glintt tem 100 mil máquinas instaladas em Portugal, 40% do mercado, e tentou exportar este negócio há sete anos, quando ainda era ParaRede. Mas falhou: vendeu 2000 máquinas em Angola e 100 na Argélia.

A recuperação da estratégia acontece agora porque a empresa tem uma máquina nova, mais pequena e ergonómica, com várias melhorias. “Estamos também a olhar para Espanha, que é mais difícil porque é um mercado muito fechado, e nós como somos pequenos temos sempre a desvantagem do preço”, antevê o responsável. Este ataque ao mercado espanhol fica para o próximo ano.

A empresa, que tem 1300 colaboradores, também está empenhada na exportação de serviços de tecnologias de informação, em especial na saúde. Mira Godinho adianta que só o negócio nas farmácias representa 40% do total da faturação, e que o sector hospitalar já está todo coberto. Nesta como noutras áreas, o mercado português continua estagnado. O crescimento da tecnológica tem-se dado sobretudo nas operações internacionais. No primeiro trimestre de 2014, os negócios lá fora pesaram quase 27%; o ideal, diz o presidente executivo, é chegar aos 50% ou 60%, talvez dentro de uma década.

“Estamos a olhar para mercados emergentes, como o Brasil e a Polónia”, onde já estão a ser implementados os primeiros projetos em hospitais. Em 2013, faturou 86 milhões de euros e teve um EBITDA de 8,6 milhões. Para este ano, o foco é a reestruturação e a contratação de 150 novos colaboradores. “Acredito que temos condições para ser a maior empresa portuguesa de tecnologias. É preciso trabalhar muito, ter alguma sorte e aprender a não fazer o caminho sozinhos.”

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