Coronavírus

Este unicórnio despediu 400 pessoas com uma videochamada

Bird é considerada uma das maiores empresas de partilha de trotinetas do mundo. (EPA/JIM LO SCALZO)
Bird é considerada uma das maiores empresas de partilha de trotinetas do mundo. (EPA/JIM LO SCALZO)

Plataforma de partilha de trotinetas Bird reduziu 40% da força de trabalho depois de ter suspendido a operação mundial em meados de março.

Em 2018, a Bird tornou-se no unicórnio mais rápido de sempre. Passou a ser avaliada em mais de mil milhões de dólares apenas alguns meses depois de ter começado a partilhar trotinetas nos Estados Unidos e, depois, na Europa. Só que o novo coronavírus está a arrasar as contas da empresa, ao ponto de ter despedido mais de 400 pessoas na passada sexta-feira. O que ninguém esperava é que os funcionários fossem mandados para a rua através de uma videochamada.

Tudo aconteceu através da plataforma Zoom: Travis VanderZanden, antigo administrador da Uber e que fundou a Bird, marcou uma reunião com centenas de trabalhadores. Só que ninguém sabia quem estava na lista e não havia qualquer possibilidade de fazer perguntas, ao contrário do que acontecia habitualmente nesta plataforma de mobilidade.

Os funcionários convidados para a videochamada começaram a trocar mensagens com colegas para perceberem se também tinham sido chamados, relata o portal Dot.la, que obteve informação junto de mais de uma dezena de despedidos.

O ambiente já era de alguma tensão porque a empresa tinha suspendido a atividade mundial nas últimas semanas. Desde então, todos os funcionários começaram a trabalhar remotamente.

Pelas 10h30 da passada sexta-feira, os trabalhadores convidados para a reunião ligaram-se à videochamada. Só não havia qualquer som do outro lado. Na imagem de fundo, havia apenas a palavra “Covid-19”, escrita em maiúsculas e em cinzento escuro.

Cinco minutos depois da hora prevista, surgiu uma voz, em tom robótico, a adiantar que “esta é uma forma subótima de voz deixar esta mensagem”. Seguiu-se um momento comparado a um episódio da série de ficção Black Mirror, segundo os funcionários.

“A Covid-19 tem tido um impacto massivo no nosso negócio, o que forçou a nossa administração a toda decisões extremamente difíceis e dolorosas. Uma dessas decisões passa por eliminar vários postos de trabalho na empresa. Infelizmente, o vosso posto foi afetado pela decisão.”

A reunião que deveria ter demorado meia hora tornou-se num monólogo de apenas dois minutos. A situação indignou os trabalhadores da Bird, que acusaram a empresa de recorrer a um robot para despedir pessoas. O líder da Bird diz que não foi utilizada uma mensagem pré-gravada e pensou que desligar o vídeo “foi a atitude mais humana a tomar”. Só que pensando melhor no assunto “deveríamos ter feito chamadas individuais com cada uma das pessoas afetadas”.

A história não fica por aqui. Enquanto a Bird estava a comunicar os despedimentos, os computadores dos funcionários na porta de saída foram reiniciados e foram perdidos todos os acessos. Soube-se, entretanto, que a administração da empresa tinha pedido aos serviços técnicos uma solução em que, com apenas um botão, se podia “desligar” o funcionário.

Não só a Bird voltará com menos 40% de funcionários como a força de trabalho será bem menos diversa. “Parece que livraram-se da maior parte das mulheres e das pessoas de cor. Na engenharia, só saíram as mulheres.”

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