Estudo BP. Energias renováveis continuam a crescer

A produção mundial de carvão desceu 6,2%, a maior quebra anual de que há registo, revela estudo da BP apresentado esta manhã, em Oeiras.

O consumo global de energia cresceu 1% em 2016, em linha com o registado nos dois anos anteriores, mas ligeiramente abaixo da média anual da última década, de 1,8%. O consumo de petróleo e de gás natural aumentou, mas o de carvão caiu. E há boas notícias: as energias renováveis foram a fonte de energia que mais cresceu em 2016. Os dados são do estudo BP Statistical Review of World Energy 2017, apresentado hoje em Oeiras.

Entre os dados apresentados esta manhã por Paul Appleby, head of energy economics da BP Oil, destaca-se o papel da China e da Índia como impulsionadores do crescimento do consumo de energia primária, tendo, em conjunto, contribuído "para metade do valor", pode ler-se em comunicado. Na Índia, o consumo cresceu 5,4%, um valor semelhante ao verificado nos últimos anos e na China o incremento foi de 1,3%, próximo dos 1,2% registados em 2015, mas apenas um quarto da média dos últimos 10 anos.

Apesar do abrandamento, a China é, pelo 16.º ano consecutivo, o mercado com o maior nível de crescimento global. Entre os países que fazem parte da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) a procura manteve-se essencialmente estagnada, com um crescimento de apenas 0,2%.

A análise da BP dá ainda conta de "mudanças no mix energético" - o aumento do recurso às energias renováveis -, que permitiu a estagnação das emissões de carbono pelo terceiro ano, justificado pela "fraca procura" e pelo novo "mix de energias limpas".

No evento desta manhã participaram também Peter Mather, BP Group regional vice president, Europe & head of country, UK, o secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches, e Pedro Oliveira, presidente da BP Portugal.

Petróleo

O consumo global de petróleo "cresceu fortemente", de acordo com a análise da BP, chegando a 1,6% ou 1,6 milhões de barris por dia (bdp), acima do valor médio dos últimos 10 anos pelo segundo ano consecutivo. Destaca-se o aumento da procura na Índia e na Europa, ambos na ordem dos 0,3 milhões de bpd. Na China mantém-se o crescimento da procura, com um aumento de 0,4 milhões de bdp, ainda que abaixo do registado nos dois últimos anos.

O valor médio do dated Brent rondou os 44 dólares por barril em 2016, abaixo dos 52 dólares de 2015 - foi o valor médio anual mais baixo desde 2004. Os preços baixos tiveram impacto no crescimento global da produção de petróleo, que aumentou apenas 0,5%, também o valor mais baixo, mas desde 2009.

A produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) cresceu 1,2 milhões de bdp, com evoluções significativas no Irão, no Iraque e na Arábia Saudita. Em contrapartida, a produção de petróleo fora da OPEP caiu cerca de 0,8 milhões de bdp, a maior queda anual desde há 25 anos, diz a BP. As maiores quebras ao nível da produção registaram-se nos Estados Unidos da América, na China e na Nigéria.

Gás Natural

O consumo de gás natural cresceu cerca de 1,5% em 2016, "uma evolução mais lenta do que a média de 2,3% dos últimos 10 anos". Ainda assim, registaram-se aumentos significativos na Europa (6%), no Médio Oriente (3,5%) e na China (7,7%). A produção de gás natural cresceu apenas 0,3% - o mais fraco crescimento dos últimos 34 anos, se excluído o período da crise financeira.

As importações e exportações globais de Gás Natural Liquefeito (GNL) cresceram cerca de 6,2%, impulsionadas pelo aumento da produção na Austrália, onde começaram a operar novas instalações. É ainda expectável, de acordo com a BP, que a produção de GNL "cresça cerca de 30% nos próximos três anos à medida que comecem a ser implementados novos projetos nesta área".

Carvão

O consumo de carvão caiu pelo segundo ano consecutivo, com um declínio de 1,7%, equivalente a 53 milhões de toneladas de petróleo. Este decréscimo fez com que a quota de produção do carvão, ao nível da energia primária, se situasse nos 28,1%, a mais baixa desde 2004.

O declínio no consumo ficou a dever-se, principalmente, às reduções registadas nos Estados Unidos e na China. No Reino Unido, o consumo de carvão diminuiu para mais de metade (52,5%) para níveis "só vistos no início da Revolução Industrial, há cerca de 200 anos" - o setor energético britânico registou o primeiro dia "sem carvão" no mês de abril.

A produção mundial de carvão desceu 6,2%, o equivalente a 231 milhões de toneladas, a maior quebra anual de que há registo.

Energias Renováveis

As energias renováveis continuam a ser a fonte de energia a registar o maior crescimento. Excluindo a energia hidroelétrica, o crescimento das renováveis foi de 12% - e mais de metade deve-se à energia eólica, que cresceu 16% durante o ano. A energia solar cresceu 30% e apesar de representar apenas 18% da oferta das energias renováveis, representa um terço do crescimento global das energias renováveis.

Apesar da evolução positiva, o aumento ficou abaixo da média de crescimento dos últimos 10 anos, de 15,7%. E as energias renováveis ainda representam apenas 4% da energia global primária.

Em 2016, a China tornou-se o maior produtor único a nível mundial, destronando os Estados Unidos. A região da Ásia-Pacífico ocupou a posição da Europa e da Eurásia, tornando-se a maior região do mundo a produzir de energias renováveis.

Outros Combustíveis

A produção da energia nuclear cresceu 1,3%. O crescimento anual de 24,5% na oferta nuclear chinesa foi responsável por todo o crescimento líquido na energia nuclear, justifica a BP. A produção de energia hidroelétrica também evoluiu positivamente em 2016, com um incremento de 2,8%.

 

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