aviação

Ex-CEO da TAP: “Época da aviação regulamentada já passou”

Fernando Pinto, ex-presidente do conselho de administração da TAP. (Fotografia: Adelino Meireles / Global Imagens)
Fernando Pinto, ex-presidente do conselho de administração da TAP. (Fotografia: Adelino Meireles / Global Imagens)

O antigo gestor da TAP, Fernando Pinto, sublinha que a companhia aérea não tem obrigação de prestar serviço público.

O ex-presidente do conselho de administração da TAP, Fernando Pinto, disse esta sexta-feira no parlamento madeirense que a época da aviação regulamentada já passou e sublinhou que a companhia não tem obrigação de prestar serviço público.

“A época da aviação regulamentada passou, não existe mais. Hoje é a regra do mercado”, afirmou perante a Comissão Eventual de Inquérito à Política de Gestão da TAP em Relação à Madeira.

Fernando Pinto, que foi gestor da TAP entre 2000 e 2018, lembrou que nesse período ocorreram dois grandes movimentos: o primeiro até 2008, em que havia a prestação de um serviço público, com regras claras de limite de tarifários, voos e horários específicos; e o segundo aconteceu com a liberalização do mercado. “Foi isso que trouxe a possibilidade das low cost e se continuássemos hoje com as regras do passado as empresas estariam cobrando valores [por bilhete] muito maiores em termos genéricos”, disse, vincando que atualmente a TAP “não tem obrigação” de prestar serviço público para a região autónoma, apesar de o acionista maioritário (50%) ser o Estado.

O ex-administrador da transportadora aérea considerou ainda que a Madeira foi “feliz” porque uma low cost – a easyJet – se interessou pelo mercado, que diz ser “super difícil” e onde o “grande problema” se refere aos cancelamentos de voos, sobretudo por motivos meteorológicos. Fernando Pinto disse também que a TAP sempre encarou a região autónoma como um “mercado especial”, lembrando que opera 49 voos por semana, o que traduz uma “grande densidade”.

Sobre a questão do preço dos bilhetes, considerou que o problema assenta na forma como o subsídio de mobilidade foi concebido, fazendo com que os passageiros paguem valores muito superiores aos 86 euros estabelecidos, sendo posteriormente reembolsados da diferença até um teto de 400 euros. “Esse é um problema a ser focado e analisado” para se encontrar uma forma de o resolver, afirmou, sublinhando, por outro lado, que o valor da tarifa depende da procura e que 47% dos bilhetes vendidos estão abaixo dos 100 euros.

A Comissão Eventual de Inquérito à Política de Gestão da TAP em Relação à Madeira foi constituída a pedido do PSD, partido com maioria absoluta no parlamento regional, e já interrogou o presidente da TAP, Antonoaldo Neves, o presidente da ANA – Aeroportos de Portugal, Thierry Ligonnière, e o administrador não executivo da TAP, Bernardo Trindade.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
REUTERS/Pedro Nunes/File Photo

Programa de arrendamento acessível arranca a 1 de julho. Tudo o que deve saber

Fotografia: Pedro Rocha/Global Imagens

Governo questiona RTP sobre não transmissão de Jogos de Minsk

DHL Express Store2

DHL Express vai investir até 600 mil euros em rede de lojas pelo país

Outros conteúdos GMG
Ex-CEO da TAP: “Época da aviação regulamentada já passou”