Ex-diretor do BES: Departamento de risco "não tinha poder de veto" sobre créditos

Carlos Calvário, antigo diretor do BES, está esta terça-feira a ser ouvido na Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução.

Carlos Calvário, ex-diretor do Banco Espírito Santo (BES), disse esta terça-feira que o departamento que risco do banco, que dirigiu, "não tinha o poder de veto" sobre as decisões de concessão de crédito no banco.

Salientou que a decisão de concessão de créditos cabia "ao comité financeiro e de crédito" e também "à comissão executiva e ao conselho de administração".

O antigo diretor do BES está esta terça-feira a ser ouvido na Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução. Carlos Calvário também chegou a exercer funções no Novo Banco.

O ex-responsável do BES reiterou que o departamento de risco "podia e devia emitir ratings e pareceres" sobre as operações que lhe chegavam. Destacou que o departamento nunca foi alvo de quaisquer pressões.

O BES acabou por ser alvo de uma medida de resolução no início de agosto de 2014. Muitos créditos que foram concedidos acabaram por ser ruinosos e causar elevadas perdas no banco.

Segundo Carlos Calvário, muitos dos grandes créditos concedidos pelo BES tinham um "péssimo" rating e alguns não tinham qualquer classificação de risco. Entre os grandes créditos ruinosos estão os da Ongoing, Promovalor e Prebuild.

O colapso do BES levou à criação do Novo Banco como banco de transição. Desde a sua criação, o Novo Banco já engoliu mais de 6.000 milhões de euros em empréstimos dos contribuintes. O banco foi vendido à Lone Star em outubro de 20'17 mediante um acordo que prevê injeções de capital anuais por parte do Fundo de Resolução, com recurso a empréstimos do Estado, para cobrir eventuais perdas com ativos 'herdados' do BES.

O banco registou um prejuízo de 1329 milhões de euros em 2020 e anunciou que vai pedir uma injeção de capital de mais 598,3 milhões de euros ao Fundo de Resolução.

Em geral, na audição que teve início às 15H00, e a que ainda prossegue (18H44), Carlos Calvário reiterou as informações que havia divulgado aos deputados na Comissão Parlamentar de Inquérito ao BES, em 2014 e 2015.

Entre as informações que voltou a confirmar, Carlos Calvário indicou que, quando soube que o passivo das empresas do Grupo Espírito Santo (GES) era maior do que o que estava registado, o comunicou poucos dias depois ao Banco de Portugal. Carlos Calvário era o responsável no BES pelo acompanhamento de uma das análises que foram efetuadas à qualidade dos ativos bancários da ESI e do GES.

Hoje de manhã foi ouvido na mesma comissão Carlos Moedas, antigo secretário de Estado Adjunto de Passos Coelho.

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