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Ex-operários tentam evitar saída de máquinas da Órbita

O dia, segunda-feira de Páscoa, prejudicou a concentração dos ex-operários junto à casa-mãe, a Miralago. Fotografia: Tony Dias/Global Imagens
O dia, segunda-feira de Páscoa, prejudicou a concentração dos ex-operários junto à casa-mãe, a Miralago. Fotografia: Tony Dias/Global Imagens

Jorge Santiago, CEO do grupo Miralago, admite venda de equipamentos obsoletos, mas diz que a empresa “é para continuar”

Alguns ex-trabalhadores da Miralago/Órbita concentraram-se esta segunda-feira à porta da fábrica numa tentativa de evitar a saída de máquinas. A informação que a empresa teria agendado para o início da manhã de hoje o transporte “dos últimos equipamentos com valor” ainda existentes nas instalações levou os ex-operários a juntarem-se à porta da unidade de Águeda.

O encontro foi marcado, por passa a palavra, no final da semana passada, com a chegada da informação “inquietante”. O dia não era o mais propício à concentração – não esqueçamos que a visita pascal ocorre à segunda-feira em muitas freguesias do interior – , mas a necessidade de garantir que “não desaparecem os ativos da empresa” foi mais forte e, ao final da manhã, chegaram a estar mais de duas dezenas de pessoas junto à entrada da Miralago, a casa-mãe das bicicletas Órbita. “Apareceu aí uma carrinha que fez meia-volta e foi embora, supomos que fosse essa que vinha carregar a fresadora CNC”, explicou ao Dinheiro Vivo um dos ex-funcionários.

Recorde-se que, no início do mês, e acumulados três meses de salários em atraso, cerca de 50 operários da Miralago/Órbita pediram a rescisão dos contratos de trabalho, deixando a empresa praticamente sem trabalhadores. O Dinheiro Vivo sabe que permanecem no ativo duas funcionárias administrativas que, por terem estado em licença de parto, não chegaram a acumular os três meses de salários em atraso exigidos por lei para a rescisão de contrato por justa causa. E, segundo os ex-funcionários, há, ainda, meia dúzia de pessoas a montar bicicletas, mas contratados por uma empresa de trabalho temporário.

Empresa nega
Contactado pelo Dinheiro Vivo, o proprietário da Miralago/Órbita nega que houvesse qualquer carregamento de máquinas previsto para hoje, embora admita que a venda de equipamentos não é novidade na empresa. “Há mais de dois anos que temos vindo a vender alguns equipamentos, na sequência da estratégia definida de nos concentrarmos naquilo em que somos bons e fazemos a diferença”, diz Jorge Santiago, garantindo que “a empresa é para continuar”.

Questão “complexa”
Sobre a rescisão de contrato anunciada pela EMEL relativamente ao sistema de bicicletas partilhadas GIRA, em Lisboa, Jorge Santiago não entra em pormenores. Admite que a situação tem “implicações complexas, até em termos jurídicos” e, por isso, está a ser analisada com os seus advogados. “Tenho uma estratégia que estou a montar, em termos de resposta, mas que ainda não está fechada. Estamos a analisar dois ou três cenários possíveis”, adianta, sustentando: “Não temos prevista qualquer situação que ponha em causa o arranque e a continuidade da empresa”.

Ascensão e queda
O contrato de 23 milhões de euros com a EMEL, assinado em 2016, catapultou a Miralago/Órbita para a primeira divisão da mobilidade elétrica em Portugal. A empresa municipal anunciou, a 10 de abril, a rescisão de contrato por “sucessivos incumprimentos contratuais” e reclama uma indemnização de 4,6 milhões.

História
Criada em 1971, a Órbita é, provavelmente, a marca de bicicletas portuguesa mais conhecida. Chegou a empregar 150 pessoas e a exportar 70% do que produzia para vários países europeus e africanos. Foi comprada por Jorge Santiago em 2015

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