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Ex-presidente da Nissan queixa-se de “traição”

Carlos Ghosn. REUTERS/Benoit Tessier
Carlos Ghosn. REUTERS/Benoit Tessier

Carlos Ghosn alega que problemas com a justiça só servem para bloquear maior integração com Renault e Mitsubishi.

Traição e conspiração. É desta forma que Carlos Ghosn, o ex-presidente do conselho de administração da Renault e da Nissan, explica as acusações pelas autoridades japonesas e o facto de estar detido há mais de dois meses em Tóquio. Em entrevista às agências Nikkei e AFP, Ghosn alega que havia bastante oposição ao plano para reforçar a aliança entre Renault, Mitsubishi e Nissan.

“É um caso de traição, sem dúvida. E há várias razões para isso: havia muita oposição e ansiedade em relação ao plano para juntar as três empresas”, refere o gestor brasileiro. Ghosn explica que pretendia “criar uma holding que controlasse as três marcas e tivesse todas as ações desses grupos, respeitando a sua autonomia. Mas este sistema teria de ser basear num desempenho forte de cada empresa”.

Atualmente, a Renault, Nissan e Mitsubishi estão debaixo de uma aliança, com participações acionistas cruzadas. A Renault e a Nissan são detidas em 50%, cada uma, pela holding Renault-Nissan; só que a marca francesa tem 43,4% da Nissan; os japoneses têm apenas 15% da Renault. 34% do capital da Mitsubishi está nas mãos da Nissan.

Só que o desempenho da Nissan, alega o gestor, “tinha baixado nos últimos dois anos”. E “olhando para as forças e os resultados das três marcas, reparamos que há um problema. Mas não esperava estes acontecimentos, toda esta traição e conspiração”. Por causa da desaceleração dos resultados, o presidente executivo da Nissan, Hiroto Saikawa, chegou a estar na linha de saída: “quando os resultados de uma empresa descem, nenhum CEO está imune a ser despedido. Ninguém foge a isso”.

Na mesma entrevista, o executivo nega as acusações de receber salários indevidamente e pede que lhe seja dada uma oportunidade para explicar os acontecimentos junto da administração da Renault. Ghosn queixa-se ainda de falta de condições na prisão, alegando que não conseguiu contactar com a família nos últimos dois meses.

Leia mais: Carlos Ghosn: O homem que salvou a Nissan é suspeito de fraude milionária

Carlos Ghosn está detido há dois meses no Japão por fraude fiscal. O executivo de 64 anos terá falsificado relatórios financeiros que não reportavam cerca de 38 milhões de euros que deveria receber ao longo de cinco anos, até 2015, acordados com a Nissan, segundo o tribunal distrital de Tóquio. Além de Ghosn foi também detido o seu principal colaborador, Greg Kelly.

Desde que foi detido, o gestor brasileiro abandonou todos os cargos que ocupava: em novembro, foi demitido do conselho de administração da Nissan; na semana passada, Ghosn demitiu-se da presidência do conselho de administração e da liderança executiva da Renault.

 

 

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