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Exportações de vinho com copo cheio

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(Miguel Pereira da Silva / Global Imagens)

O ano de 2019 vai fechar com novo recorde. Só até outubro, as vendas ao exterior já somam 678 milhões de euros, um aumento de 4%.

As exportações de vinho deverão bater um novo recorde neste ano que agora termina. Só até outubro, as vendas ao exterior somaram mais de 678 milhões de euros, um crescimento de 4%. Jorge Monteiro, presidente da ViniPortugal, organização interprofissional responsável pela gestão da marca Wine of Portugal, fala em “números muito interessantes” num ano que arrancou com uma série de incertezas económicas em alguns dos principais mercados de destino dos vinhos portugueses, como o Brasil e Angola, a que vieram juntar-se as tensões comerciais entre os Estados Unidos e a Europa.

“Estamos muito próximos de atingir o objetivo de fechar o ano com mais um recorde”, refere Jorge Monteiro, apesar de o crescimento “tem sido muito desigual” nos diferentes mercados. De entre os destinos mais relevantes para as exportações nacionais, destaque para o crescimento de 15% no Reino Unido, uma performance “surpreendente”, mas que o presidente da ViniPortugal atribui a um provável “reforço dos stocks dos importadores para manterem a atividade estável durante o período transitório do brexit”.

A crescer “a uma taxa interessante”, que ronda os 4,76%, está também o Canadá, mercado onde os vinhos tranquilos portugueses “já pesam mais do que os vinhos fortificados”. Também os Estados Unidos estão com um “bom crescimento”, na ordem do 6,48%, segundo os últimos dados do INE. O Brasil, com um crescimento de 3,62%, fica aquém do desempenho que os exportadores gostariam de ter. “É um mercado errático”, admite Jorge Monteiro.

Em queda está o mercado chinês, com os números do INE a mostrar uma redução de quase 5% face a igual período do ano passado. O presidente da ViniPortugal acredita que esta resultado se prende com questões de política económica interna, já que praticamente todos os grandes fornecedores de vinho para a China estão a perder terreno, com exceção da Austrália e do Chile.

Relevante é que o aumento das exportações é maior nos vinhos engarrafados do que a granel. “São os vinhos de menor valor que caem mais”, sublinha Jorge Monteiro, que dá o exemplo do mercado alemão, um grande comprador de vinhos a granel nacionais, e que, este ano, baixa quase 50%, enquanto que as importações de vinho engarrafado crescem 11%. Números que permitem antecipar que, se a vindima de 2018 não tivesse sido tão curta, o aumento das exportações este ano poderia ser maior. “Mas é mais um ano a crescer, entre 3% e 4%, o que é bom. Estamos no bom caminho”, sublinha o presidente da ViniPortugal. A meta de chegar aos mil milhões de euros de vinho exportado em 2022 está cada vez mais próxima.

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