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Fábricas, armazéns e cinemas dão lugar a grandes escritórios

Mariana Rosa, diretora de escritórios da JLL.
Fotografia: Reinaldo Rodrigues/Global Imagens
Mariana Rosa, diretora de escritórios da JLL. Fotografia: Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

Clima, preço e facilidade com línguas atraem grandes empresas para Portugal. Em Lisboa, a falta de espaço puxa pela imaginação

Não vai restar pedra sobre pedra. Portugal entrou no radar dos grandes investidores internacionais e o boom está longe de se resumir à habitação. No ano passado, o imobiliário de escritórios registou o melhor ano de sempre e já é preciso ser-se criativo para satisfazer tantos pedidos. Em certas áreas reconverter é a nova palavra de ordem, e vale tudo: de armazéns a cinemas, há promotores a dar a volta a edifícios inteiros para alimentar o apetite de quem chega.

“Há muita procura de empresas para áreas grandes, algo que em Lisboa começa a ser difícil”, admite Mariana Rosa diretora de Office Agency e Corporate Solutions da JLL,que situa a taxa de disponibilidade de Lisboa nos 8,6%, a primeira vez abaixo dos dois dígitos.

A mudança é recente, mas a escassez é transversal a toda a cidade. Há um par de anos, bastava ir ao Parque das Nações para se encontrarem centenas de metros quadrados sem dono. “É um fenómeno. Havia muita oferta e os proprietários tiveram de baixar os preços para atrair empresas. De repente começaram a surgir empresas de tecnologias da informação e hoje em dia a taxa de disponibilidade é 2,8%”.

É a casa de grandes empresas como a Vodafone, Novabase ou BNP Paribas, mas está gasta. “Se eu quisesse 2000 m2 agora, no Parque das Nações, não conseguia”, realça a responsável.

Para onde se encaminham estes grandes clientes? Durante algum tempo o Corredor Oeste, nomeadamente o Lagoas Park, foi a alternativa. Mas, tal como o Parque das Nações, tornou-se uma das zonas de maior crescimento do mercado prime de escritórios, à boleia da procura das grandes multinacionais, o que a converteu num dos dois locais de Lisboa onde os preços nos últimos quatro anos mais recuperaram.

Se o desejo de quem chega passar por um escritório em Lisboa, é preciso inovar. “Há muita tendência hoje em dia de pegar em edifícios antigos, armazéns, antigos cinemas, e converter em escritórios”. É o caso do antigo cinema Quarteto, inaugurado em novembro de 1975 na Rua Flores de Lima, em Lisboa. Está fechado desde 2007 mas só em finais de 2016 a nova vida foi decidida. Vai começar a ser convertido em escritórios.

“Temos de ser cada vez mais criativos para encontrar soluções para a procura que existe. Há muito pouca oferta e muita procura, e como consultores vamos ter com os proprietários e sugerimos a transformação dos espaços em algo que seja apetecível”. Exemplos é o que já não falta. “Temos o caso do antigo espaço Amoreiras, que já foi uma galeria comercial e que a transformação em escritórios foi realmente um sucesso – já está totalmente colocado. Existe também o Espaço Sete Rios que era uma galeria comercial nas Twin Towers e que vai ser convertido em escritórios. A nova sede da sociedade de advogados Vieira de Almeida, em Santos, era uma antiga oficina automóvel…”. Os investidores não temem a transformação e, hoje, muitos espaços no Beato, zona de grandes armazéns aponta o caminho do futuro.

Enquanto Lisboa luta para conseguir dar resposta à procura, o Porto ganha expressão na opção de escolha das empresas. “Oprimeiro cliente que nos apareceu foi em 2015, o Natixis, que ocupou uma área de 6000 metros quadrados no Porto. Perguntei por quê e disseram-me que no Porto há mais pessoas a falar francês”, conta. Desde aí tem sido sempre a subir. O banco Natixis já duplicou a área que ocupou inicialmente e outras empresas seguiram-lhes os passos. Só este ano, a JLL já fechou seis transações na Invicta, a maioria na área da banca e tecnologias de informação.

“Há muita procura para o Porto e há também projetos de novos edifícios em pipeline. O caso da Lionesa que agora está a projetar um projeto chave na mão é um exemplo. Têm 50 mil metros quadrados para crescer e dependendo do interesse da empresa eles constroem num ano o espaço”. Os números, no entanto, ainda mostram diferenças enormes: em 2017, o Porto viu serem arrendados 30 mil metros quadrados versus os 167 mil em Lisboa.

Sob pano de fundo a mesma realidade: o despertar de grandes empresas multinacionais para Portugal. “Portugal está nos radares e todas as empresas multinacionais olham muito para Portugal como um sítio a apostar pela qualidade de vida que temos, bom clima e pessoas que falam muitas línguas. Temos muito bons recursos humanos e as pessoas querem reter talento e procuram estes sítios para instalar as suas sedes”, revela a responsável.

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