Fábricas de bicicletas pedalam a 100% para recuperar perdas da pandemia

Até 400 mil bicicletas ficaram por fabricar por causa do encerramento das linhas de montagem. Há investidores chineses interessados em Portugal.

Todas as fábricas de bicicletas em Portugal já estão a funcionar a 100% depois da paragem nos meses de março e de abril. Há cada vez mais procura por estes veículos de duas rodas e até há investidores chineses interessados em apostar em novas fábricas em Portugal.

“Todas as unidades estão a trabalhar bastante. Há muita procura pelas bicicletas”, garante Gil Nadais, secretário-geral da Abimota, associação que representa as fabricantes de velocípedes em Portugal. Ainda assim, vão ter muito que pedalar nos próximos meses para recuperar da interrupção pandémica.

“Ficaram por fabricar entre 300 mil e 400 mil bicicletas nos últimos dois meses”, pelo que “é muito difícil” atingir a marca dos mais de dois milhões de bicicletas montadas no ano passado.

Caso esse objetivo não seja alcançado, fica em causa um crescimento das exportações verificado “em praticamente 20 anos consecutivos”. Isto porque, “em algumas unidades, as linhas de montagem já estavam no máximo da capacidade, com três turnos de laboração antes de a covid-19 levar à suspensão da atividade”.

Apenas as fábricas que tiverem um turno de laboração é que poderão ganhar força de produção, mas “ainda não há grandes previsões” do lado da Abimota.

Nove em cada 10 bicicletas em Portugal vão parar habitualmente ao estrangeiro, o que gerou um recorde de exportações de 402 milhões de euros no ano passado, sobretudo para Espanha, França e Alemanha. E também está a aumentar a procura das empresas nacionais.

“Não era habitual o mercado nacional procurar as nossas empresas. O mercado português costuma trabalhar com artigos importado, de alta gama, e agora andam a procurar as nossas empresas e a tentar satisfazer a sua clientela. Notamos que as pessoas estão a aderir mais”, detalha o dirigente da Abimota.

Na procura pelos velocípedes, os modelos convencionais ainda têm a camisola amarela mas as bicicletas elétricas fazem cada vez mais parte do grupo perseguidor, muito por culpa dos incentivos do Estado e até de municípios - exemplo disso é a Câmara de Lisboa, que anunciou esta semana apoios para a chegar aos 350 euros.

Para a Abimota, a estratégia para reforçar a produção industrial passa por apoios públicos. “Se o Governo apoiasse os portugueses e dinamizasse a compra” destes veículos, “isto poderia induzir maior produção industrial”.

Gil Nadais lembra ainda que a bicicleta ”promove o desconfinamento, é saudável e é uma nova forma de usufruir do espaço público”, numa altura em que as cidades voltam a reabrir-se às pessoas.

Oportunidade nas peças

Segundo Gil Nadais, “há componentes que dependem de outros continentes, sobretudo da Ásia, e que têm sofrido dificuldades para enviar peças.

O crescimento da procura por bicicletas na Europa também pode gerar novas oportunidades na produção de componentes para bicicletas em Portugal. “Vamos ter mercado nos próximos anos. Algumas fábricas poderão reconverter-se e produzir peças que ainda são importadas.”

Neste domínio, Gil Nadais lembra que o país tem ganhado protagonismo. “Temos o maior fabricantes de rodas, o maior produtor de pedaleiras, a única fábrica de quadros de alumínio soldados por robots e ainda está em construção uma fábrica de quadros e rodas de carbono”.

Chineses ponderam investir

Menos de três anos depois da abertura da primeira fábrica dos asiáticos da FJ Bikes na Europa, em Águeda, novos investidores desta geografia poderão apostar em Portugal.

“Tivemos esta semana uma chamada com dois investidores que poderão estar interessados em montar cá uma fábrica, sobretudo na área da bicicleta elétrica.”

Este investimento, a concretizar-se, poderá contribuir para aumentar a força de trabalho das fábricas de bicicletas nacionais, que contam atualmente com mais de 8000 operários.

O número estabilizou nos últimos meses, mesmo depois do fecho da fábrica da Órbita e da insolvência da Miralago, a empresa-mãe desta fabricante de Águeda.

“Grande parte das pessoas que trabalhavam na Órbita e na Miralago foram colocadas nem outras empresas”, adianta Gil Nadais. Isso deve-se ao “capital de conhecimento muito útil para as outras empresas e que lhe vai ajudar a fazer a diferença. São pessoas que já estavam formadas e que conhecem muito bem o mercado”.

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