Falta de chuva leva empresas a produzir eletricidade a partir de gás e carvão

A falta de chuva que se tem verificado nos últimos três meses fez a produção de eletricidade nas barragens e eólicas recuar nos primeiros sete meses do ano, respectivamente 40% e 8%, obrigando os produtores a recorrer às centrais mais poluentes a carvão e a gás natural.

Segundo dados divulgados esta quarta-feira pela Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), que por sua vez cita dados da REN, a produção de eletricidade nas centrais a carvão subiu 45,4% entre janeiro e julho deste ano quando comparado com o mesmo período do ano passado. Já a produção através de gás natural, nas centrais de ciclo combinado, disparou 409%.

"Denota-se que nos anos anteriores esta descida foi colmatada principalmente através da importação e este ano recorreu-se principalmente à produção fóssil nacional, o que indica que o seu preço no mercado de eletricidade está a ser mais favorável", diz a APREN em comunicado.

De facto, a importação de eletricidade subiu nestes sete meses quando comparado com o período homólogo, mas só representou 4,8% do consumo nacional, o que se explica com o facto do carvão estar mais barato há já uns anos e do gás natural - por causa da descida do preço do petróleo - estar também a preços mais reduzidos.

Aliás, esta quarta-feira o brent - o petróleo que se vende para Portugal - fechou a valer 49 dólares por barril.

"Salienta-se a necessidade de minimizar as variações naturais das tecnologias dependentes da disponibilidade sazonal dos recursos através da diversificação e complementaridade das tecnologias renováveis, como por exemplo através da tecnologia solar fotovoltaica que tem características que permitem compensar as diminuições de produção da hídrica e eólica nos meses de verão", considera a APREN em comunicado.

Renováveis ainda no topo

Apesar da queda da produção nas barragens e nos parques eólicos e do consequente aumento da produção nas centrais térmicas, as renováveis continuam a ser a maior fonte de produção de electricidade em Portugal.

Segundo os mesmos dados da APREN, as renovváveis representaram 51,4% da produção entre janeiro e julho deste ano, sendo que as eólicas foram as que mais produziram, representando 22,8% do consumo. Seguem-se depois as barragens, com 21,9%, a biomassa, com 5% e o solar com 1,6%.

Já as centrais a carvão e gás natural representaram 33,8% da produção nacional enquanto que as centrais de cogeração reprexentaram 10%.

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