Comércio

Famalicão lidera exportações a norte e não só à boleia de carros

A Continental Mabor é a principal exportadora. Fotografia: José Miguel Gonçalves/GI
A Continental Mabor é a principal exportadora. Fotografia: José Miguel Gonçalves/GI

O concelho é líder há uma década e já exporta dois mil milhões de euros por ano. Têxteis, metalúrgicas e agroalimentar são os motores

Famalicão consolidou a sua posição de líder das exportações na região norte. O concelho deverá ter ultrapassado os dois mil milhões de euros de vendas ao exterior no ano passado. Até novembro último, o Instituto Nacional de Estatística contabiliza 1,94 mil milhões de euros de exportações, valor que coloca o território famalicense bem distante dos 1,55 mil milhões registados na Maia, o segundo concelho com mais peso no comércio internacional da região. Com base nestes dados é já seguro afirmar que Famalicão lidera há uma década o pódio dos maiores concelhos exportadores do norte. Em 2008, o pódio era ocupado por Vila do Conde.

O setor automóvel é o grande dínamo do motor exportador de Famalicão e a alemã Continental Mabor, a quarta maior exportadora do país, é a empresa que mais contribui para essa liderança. Logo a seguir, vêm grupos como a Coindu e a Têxtil Manuel Gonçalves (TMG), ambos com capitais portugueses e fornecedores da indústria dos carros. Apesar de a fabricante de pneus ter uma posição de destaque no universo empresarial de Famalicão, é certo que o concelho tem conseguido, ano após ano, aumentar as exportações e sem depender da empresa alemã.

“A Continental Mabor tem vindo a exportar mais, mas o seu peso está a diminuir no volume das exportações”, frisa Paulo Cunha, presidente da autarquia. Os números disponíveis assim o confirmam. Em 2015, Famalicão registou vendas ao exterior de 1,88 mil milhões (mais 8,3% do que em 2014), com a empresa alemã a valer 820 milhões (mais 8,1%) e, no ano seguinte, o concelho viu aumentar as vendas para 1,93 mil milhões (mais 3%) e a Continental para 830 milhões (mais 1,2%). Se recuarmos até 2012, o grupo alemão respondia por mais de metade das vendas ao exterior do concelho.

Para o autarca de Famalicão, o título de concelho mais exportador do norte “não traduz uma ocasião fugaz, mas uma tendência de estabilidade na posição cimeira, num território que não é capital de distrito e onde não se encontram empresas como a Autoeuropa”. Com uma matriz industrial ligada ao setor têxtil (autodenomina-se Cidade Têxtil de Portugal), o concelho tem dado passos para a diversidade das atividades económicas. O têxtil, metalomecânica e agroalimentar são hoje as áreas mais pujantes na economia local.

E esse dinamismo, que pode apontar-se a empresas como a Leica, Aco Shoes, Salsa, AMOB, Tiffosi, Primor, Porminho ou Vieira de Castro, reflete-se na descida da taxa de desemprego, hoje nos 5%, sublinha Paulo Cunha. E realça: Famalicão também “contribui para a riqueza do país”, assegurando, em 2017, 3,6% das exportações nacionais, e “apresenta um saldo da balança comercial positivo”, com as importações a pesarem pouco mais de mil milhões.

O futuro também se apresenta promissor. A TMG está a investir 50 milhões na unidade de Famalicão, a Medway vai avançar neste ano com a construção de um terminal seco no concelho, um projeto de 25 milhões, a Continental Mabor tem uma política constante de modernização, anota Paulo Cunha. O autarca revela ainda que está a trabalhar na captação de novas empresas para a localidade, nomeadamente nas áreas do têxtil, design e moda.

Onda de inovação
Outra das estratégias do concelho é o apoio ao empreendedorismo, através do programa Made IN. Como diz Paulo Cunha, “é uma aposta na inovação, em criar ferramentas para que os jovens possam ter no concelho apoios” para entrarem no mundo empresarial. Desde o lançamento do projeto, em outubro de 2014, foram apoiadas 407 empresas e estão em fase de acompanhamento 245 ideias. Neste momento, há 29 startups incubadas. Ao abrigo dos projetos de investimento de interesse nacional foram criadas 109 firmas, estabelecidos 1293 novos postos de trabalho e captados investimentos de 172,3 milhões.

Com T.C.

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