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Farfetch admite ser lucrativa em 2021

Luís Teixeira é Chief Operation Officer da Farfetch. Foto: Direitos reservados
Luís Teixeira é Chief Operation Officer da Farfetch. Foto: Direitos reservados

A Farfetch, que vende de artigos de luxo, acredita que o seu modelo de negócio vai permitir não sofrer um grande impacto com o coronavírus.

Em 2019, a Farfetch, empresa luso-britânica que tem uma plataforma de venda de artigos de roupa de luxo, registou prejuízos de 373,68 milhões de dólares, depois de no exercício anterior ter tido perdas de 155,5 milhões de euros. O EBITDA ajustado também foi agravado no ano passado face a 2018: foi negativo a 121,3 milhões quando no anterior tinha sido negativo em 95,9 milhões. No trimestre foi negativo em 17,9 milhões.

Luís Teixeira, diretor de operações (Chief Operations Officer) da Farfetch, explica ao Dinheiro Vivo que “quando falámos em, eventualmente, ser lucrativos em 2021 é a este nível do resultado operacional”.

“Como chegámos ao EBITDA do trimestre?! Há uma grande parte que foi em pagamento de ações às nossas pessoas, cerca de 40 milhões. E 2019 foi um ano em que fizemos aquisições avultadas. Tivemos que amortizar ativos intangíveis. Ambos os movimentos são algo que nos deixa bastante orgulhosos. O primeiro caso porque investimos nas nossas pessoas e continuamos a investir. Segundo, os investimentos estão já a dar frutos daquilo que é a nossa estratégia e que está a contribuir positivamente não só para o bom momento das vendas mas também para a melhoria dos nossos resultados operacionais”, acrescentou Luís Teixeira.

O ano passado foi o primeiro ano completo que a empresa esteve cotada em bolsa (entrou no verão de 2018) e ficou marcado também por novas aquisições. No final de 2018, a tecnológica adquiriu a empresa de calçado desportivo, a Stadium Goods. Três meses depois, em março, a Farfetch aceitou fundir o seu negócio na China com a plataforma de comércio eletrónico com a gigante JD.com. E em agosto adquiriu o grupo New Guards.

Uma das questões que está a afetar várias empresas ao nível mundial é o surto de coronavírus. A Farfetch, que está presente em 190 países, incluindo vários na Ásia, defende que não está, até ao momento, a sentir um “impacto material no negócio”. O responsável explica que isto deve-se ao modelo de negócio que tem.

“O retalho físico está a ser bastante afetado porque as lojas ficaram desertas. Obviamente, há um impacto direto nos resultados operacionais dessas marcas” de luxo, nota. “Tendo em conta o nosso modelo de negócio, o risco está muito mais distribuído. Na plataforma temos mais de 3000 marcas, mais de três biliões de stock distribuídos por mais de 2000 stock points, divididos por 50 países, temos clientes em 190 países e operamos com vários parceiros de logística”, assume o responsável, acrescentando que há um risco para a atividade da companhia mas “muito mais distribuído”. “Neste momento, somos o canal e o parceiro quase para ser o plano B dessas empresas que estão com dificuldade”.

Ainda sobre as perspetivas para a atividade de 2020, o diretor de operações da empresa assume que o foco está na estratégia, que passa por “continuar a capturar quota de mercado, manter a estabilidade das nossas margens operacionais e continuar a entrega eficiência naquilo que são os nosso custos fixos. Isso implica muito investimento mas não ao nível de aquisições”.

A Farfetch tem 3200 funcionários ao nível mundial, mais de dois mil estão em Portugal.

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