Farfetch contrata mais de 300 pessoas em Portugal durante 2021

Plataforma de moda de luxo vai terminar este ano com mais de 3000 funcionários em Portugal. Empresa liderada por José Neves dá a volta ao brexit com centralização da logística nos Países Baixos.

A Farfetch vai contratar mais de 300 pessoas em Portugal durante 2021. A empresa vai abrandar o ritmo de recrutamento mas mantém a ambição de ser a plataforma de moda de luxo de referência a nível mundial. Depois de o negócio ter dado lucro pela primeira vez no último trimestre de 2020, a tecnológica liderada por José Neves vai centralizar a logística europeia nos Países Baixos.

"Vamos acabar 2021 acima das 3000 pessoas em Portugal", antecipa ao Dinheiro Vivo o responsável de operações da empresa, Luís Teixeira. São cerca de 2700 as pessoas que integram atualmente os escritórios da Farfetch em Portugal. Porto, Braga, Guimarães e Lisboa são as quatro localizações nacionais, focadas nas áreas da tecnologia, operações e no suporte da empresa a nível mundial.

Desde que a Farfetch nasceu, em 2007, Portugal tem sido uma das bases do crescimento da plataforma em Portugal. Não só porque é o país de origem de José Neves como tem várias faculdades que fornecem recursos humanos capazes de construir a base tecnológica da empresa.

A ambição da tecnológica cruza-se com a cada vez maior necessidade de gerar resultados positivos. A equipa da Farfetch vai continuar a crescer embora a um ritmo mais lento do que em anos anteriores.

"Se continuarmos a crescer desta forma, é evidente que vamos ter de adicionar recursos. Temos a ambição de ser a plataforma para o mundo do luxo. Vamos continuar a crescer de certeza. O crescimento será mais calmo, graças a todos os investimentos que fizemos no passado", assinala Luís Teixeira.

Dar a volta ao brexit

A Farfetch tem a sua sede no Reino Unido. Também era neste país que estavam concentradas as operações de logística para toda a União Europeia. Mas o brexit levou a empresa a centralizar toda a logística nos Países Baixos, ficando os britânicos confinados a uma unidade local, de dimensão reduzida em comparação com o passado.

"Deixou de fazer sentido trazer stock da União Europeia para o Reino Unido e depois redistribuí-la para a União Europeia. Vamos trazer o stock das marcas diretamente para os Países Baixos", explica Luís Teixeira. Este espaço deverá ser inaugurado em abril, segundo a apresentação dos resultados para todo o ano de 2020.

O brexit também poderá ter impacto no preço das encomendas do Reino Unido para o exterior e deste país para o exterior.

"Com a saída do Reino Unido da União Europeia, o país deixou de ter acesso ao comércio livre. Para poder haver transações, têm de se proceder aos despachos alfandegários, o que sobe os custos dos operadores logísticos. Esses custos têm de ser passados para os retalhistas. Por isso é que muitos retalhistas da UE pararam as operações para o Reino Unido e vice-versa. Foram introduzidos custos extraordinários nos envios, o que pode ter impacto no preço."

A Farfetch também preveniu os investidores para eventuais atrasos no prazo de entrega. Mas essa situação não está a ocorrer, para já. "Felizmente, estávamos a prever esta situação há algum tempo e preparámo-nos para esta transição", refere o responsável de operações.

Apesar dos resultados operacionais positivos no último trimestre, a Farfetch terminou 2020 com prejuízos recorde, de 3,3 mil milhões de dólares. Os resultados negativos são sobretudo contabilísticos e refletem o impacto da forte subida das ações da empresa nas obrigações convertíveis.

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