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Farfetch duplica receitas sem agravar prejuízos no primeiro trimestre

José Neves, fundador da Farfetch. Crédito: Farfetch
José Neves, fundador da Farfetch. Crédito: Farfetch

Plataforma fundada por José Neves apresentou prejuizos de 79,2 milhões de dólares até março e praticamente escapou aos efeitos do novo coronavírus.

A Farfetch conseguiu escapar aos efeitos do novo coronavírus, pelo menos no primeiro trimestre. A plataforma de venda de moda de luxo fundada por José Neves praticamente duplicou as receitas até março, para 331,4 milhões de dólares, sem agravar os prejuízos, que atingiram os 79,2 milhões de dólares (+1,9% do que no período homólogo de 2019). A empresa reforçou ainda a liquidez nas últimas semanas.

“Quando fundei a Farfetch, há 12 anos, nunca imaginei que a plataforma global que construí para a indústria de luxo fosse testada numa crise tão devastadora”, assinala José Neves, citado no comunicado de resultados publicado na noite de quinta-feira na bolsa de Nova Iorque, nos Estados.

“Os investimentos que estão a ser feitos para construir uma plataforma global estão a valer a pena, com ferramentas como a capacidade de logística global, uma rede de fornecedoras diversificada a nível geográfica e serviços localizados para uma base de consumidores global, permitindo a continuar as nossas operações”, acrescenta o líder deste unicórnio (empresa avaliada em mais de mil milhões de dólares).

A diversidade de fornecedores ajuda a explicar como é que a Farfetch manteve à venda 85% dos produtos do catálogo de Primavera-Verão. Ter as operações logísticas em vários países também permitiu atravessar as várias fases do novo coronavírus.

Enquanto no final do primeiro trimestre houve um “abrandamento do crescimento nos maiores mercados da Europa e dos Estados Unidos”, coincidindo com as medidas de confinamento, a Farfetch destaca os “sinais encorajadores” do mercado chinês, que teve uma “aceleração expressiva nos últimos dois meses” do primeiro trimestre.

Em meados de abril, a plataforma esperava apresentar perdas após impostos entre 70 e 125 milhões de dólares. Graças à diversificação dos mercados, os prejuízos ficaram próximos do valor mais baixo da previsão: 79,2 milhões de dólares.

As receitas cresceram 90,4%, para 331,4 milhões de euros, contando também com o encaixe obtido através das peças da plataforma de designers New Guards, anunciada em agosto. Só esta fatia representou mais 107,5 milhões de euros para as contas da Farfetch.

O custo de obtenção de receita cresceu 96,1%, para 178,1 milhões de dólares, por causa da contabilização dos números da New Guards.

Margem operacional menos negativa

O primeiro trimestre ano também ficou marcado pela melhoria da eficiência operacional da Farfetch. A margem de EBITDA foi menos negativa, tendo passado de -20,7% para -7,4%, correspondendo a 22,3 milhões de dólares negativos. Em meados de abril, a Farfetch esperava um EBITDA negativo entre 21 e 25 milhões de dólares.

Graças a este indicador, a empresa mantém o objetivo de apresentar lucro operacional já em 2021.

A empresa comunicou ainda que completou, no final de abril uma operação de financiamento de 400 milhões de dólares com maturidade em maio de 2027. Estes 400 milhões de dólares somam-se aos 422 milhões de dólares em tesouraria registados no final de março e que já contavam com os 250 milhões de dólares de dívida emitida, no final de janeiro, junto da tecnológica chinesa Tencent e do fundo de investimento Dragoener.

 

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