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Farfetch duplicou prejuízos em 2019 para 374 milhões de dólares

José Neves, fundador e co-presidente da Farfetch. Fotografia: Pedro Granadeiro/Global Imagens
José Neves, fundador e co-presidente da Farfetch. Fotografia: Pedro Granadeiro/Global Imagens

Apesar dos prejuízos recorde, a plataforma liderada por José Neves antecipa que as receitas possam ultrapassar os custos em 2021.

2019 foi o ano de todos os recordes para a Farfetch. A plataforma de venda de moda de luxo liderada por José Neves mais do que duplicou os prejuízos para 373,7 milhões de dólares (341,2 milhões de euros), quando em 2018 tinha registado resultados negativos de 155,6 milhões de dólares. Por outro lado, as receitas ultrapassaram a fasquia dos mil milhões de dólares: foram 1,021 mil milhões de dólares, mais 69,5% em comparação com 2018. A cotada, ainda assim, já antecipa que as receitas podem ultrapassar os custos em 2021, segundo a apresentação de resultados realizada na noite de quinta-feira.

“2019 foi um ano marcante para a Farfetch. A nossa plataforma cresceu praticamente duas vezes mais depressa do que a indústria de luxo online e houve uma melhoria significativa das nossas margens de EBITDA [lucros antes de juros, impostos, amortizações e depreciações], no nosso caminho para a rentabilidade”, salientou José Neves na nota de resultados.

Sobre o coronavírus, José Neves alega que o negócio da empresa “não tem sofrido qualquer impacto material. Acredito que o nosso modelo de distribuição da plataforma, que gere inventários avaliados em mais de três mil milhões de dólares de fornecedores de mais de 50 países e que é capaz de enviar encomendas para os consumidores de 190 países é particularmente resistente a esta situação, tal como está agora”. Ainda assim, nota o gestor português, “as circunstâncias em torno do coronavírus continuam incertas, pelo que estamos a vigiar a situação”.

O responsável financeiro da Farfetch, Elliot Jordan, antevê que em 2020 a empresa estará “posicionada para continuar a ganhar quota de mercado” e que “o negócio vai atingir a rentabilidade em 2021”.

Ponto a ponto

2019 também ficou marcado pela compra da plataforma de designers New Guards Group por 675 milhões de dólares. A operação, anunciada em agosto, teve forte impacto nos resultados anuais das empresas, quer nas receitas quer nos gastos da Farfetch.

O volume de negócios da empresa atingiu os 2,139 mil milhões de dólares, mais 52% face a 2018, dos quais 101,5 milhões de dólares foram provenientes do negócio da New Guards. Só que cerca de um quarto do volume de negócios acabou por ser consumido pelos custos de receitas, que atingiram os 561,2 milhões de dólares, mais 84,6% do que em 2018.

As despesas administrativas praticamente duplicaram, dos 471,7 para os 869,6 milhões de dólares, muito por causa do aumento das amortizações e das depreciações, que aumentaram em cinco vezes, para os 113,6 milhões de dólares: a culpa foi da adoção de um novo modelo contabilístico, do “contínuo investimento em tecnologia” e ainda de algumas despesas relacionadas com aquisições.

O pagamento de despesas com funcionários cresceu para os 158,4 milhões de dólares, o triplo do montante registado em 2018, por causa do pagamento de prémios a funcionários (+17,9 milhões de dólares) e dos incentivos de 6,9 milhões de euros aos trabalhadores há mais tempo na Farfetch.

Para 2020, a Farfetch antecipa um aumento do volume de negócios entre 40% e 45%, para um valor entre os 3 e os 3,10 mil milhões de dólares, e antecipa um EBITDA negativo entre 70 e 80 milhões de dólares, o que compara com os 121,4 milhões de dólares de EBITDA negativo registados em 2019.

Foi graças a essa melhoria que as ações da Farfetch chegaram a subir mais de 18%, para 11,30 dólares, já depois do fecho da Bolsa de Nova Iorque. Ainda assim, este preço está longe dos 30 dólares em que os títulos chegaram a negociar em setembro de 2018, data de entrada no mercado de capitais.

 

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