Coronavírus

Farfetch “mais imune” ao coronavírus que a concorrência

Luís Teixeira, responsável de operações da Farfetch. (Fotografia cedida pela Farfetch)
Luís Teixeira, responsável de operações da Farfetch. (Fotografia cedida pela Farfetch)

Plataforma de moda de luxo afasta novas aquisições e vai concentrar-se em atingir o lucro operacional em 2021

Todos os negócios foram afetados pelo novo coronavírus mas a Farfetch garante estar “mais imune” do que a concorrência. A plataforma de moda de luxo de José Neves aumentou as receitas em 90% no primeiro trimestre e os prejuízos ficaram praticamente inalterados. A liquidez da empresa foi reforçada e a ordem é para não fazer novas aquisições.

“A Farfetch está mais imune do que outros concorrentes. Conseguimos continuar a servir todos os nossos clientes em todo o mundo, com menos perturbações”, salienta Luís Teixeira, responsável operacional da empresa, em conversa com o Dinheiro Vivo após a apresentação de resultados. Graças à plataforma luso-britânica, mesmo as pequenas lojas, “continuaram a vender” enquanto os espaços físicos estiveram encerrados.

Por outro lado, o facto de as lojas físicas terem estado fechadas – devido às medidas de confinamento – elevou para 85% a disponibilidade de stock da coleção de Primavera-Verão, percentagem “muito maior do que normalmente”.

Por ter os centros logísticos espalhados pela Europa, Estados Unidos e China, foi possível atravessar as várias fases do pico da pandemia entre janeiro e março. Enquanto no final do primeiro trimestre houve um “abrandamento do crescimento nos maiores mercados da Europa e dos Estados Unidos”, coincidindo com as medidas de confinamento, a Farfetch destaca os “sinais encorajadores” do mercado chinês, que teve uma “aceleração expressiva nos últimos dois meses” do primeiro trimestre, nota a empresa no relatório trimestral.

Em meados de abril, a plataforma esperava apresentar perdas após impostos entre 70 e 125 milhões de dólares. Graças à diversificação dos mercados, os prejuízos ficaram próximos do valor mais baixo da previsão: 79,2 milhões de dólares.

As receitas cresceram 90,4%, para 331,4 milhões de euros, contando também com o encaixe obtido através das peças da plataforma de designers New Guards, anunciada em agosto. Só esta fatia representou mais 107,5 milhões de euros para as contas da Farfetch.

Liquidez reforçada

No final do primeiro trimestre, a Farfetch apresentava uma liquidez imediata de 422 milhões de dólares. Só que essa liquidez foi reforçada no final de abril, com um empréstimo de 400 milhões de dólares, com maturidade em maio de 2027. No total, são mais de 800 milhões de dólares nos cofres da plataforma, ou seja, praticamente três vezes mais do que as receitas no primeiro trimestre.

“Este financiamento serve para dar confiança aos investidores. A nossa mensagem é clara: temos robustez financeira que nos permite atravessar qualquer crise”, assinala o responsável operacional deste unicórnio (empresa avaliada em mais de mil milhões de dólares). A taxa de juro anual deste empréstimo a sete anos é de 3,75%, o que é visto como um “excelente negócio, enquanto outros concorrentes vão pagar mais de 10% de taxa de juro”.

Mais eficiência, sem aquisições

Mesmo sem avançar com previsões para o resto de 2020, a Farfetch mantém o objetivo de atingir o lucro operacional já em 2021. E como isso será feito? Depois dos investimentos avultados dos últimos anos – só em 2019, comprou a plataforma de designers New Guards por mais de 600 milhões de dólares – a ordem é rentabilizar ao máximo sem fazer novas aquisições.

“Vamos continuar a investir para melhorar a eficiência, apostar em processos mais otimizados, e numa maior eficiência dos custos de marketing e de transporte, que vão ter dar frutos muito rapidamente.”

Esse trabalho vai ser feito pelos mais de 4500 funcionários da Farfetch, espalhados por Portugal, Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, China, Índia, Japão, Dubai e Rússia.

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