Unicórnio

Farfetch, OutSystems e Talkdesk: Que unicórnios portugueses são estes?

José Neves (Farfetch), Paulo Rosado (OutSystems) e Tiago Paiva (Talkdesk) são as principais figuras dos três unicórnios portugueses.
José Neves (Farfetch), Paulo Rosado (OutSystems) e Tiago Paiva (Talkdesk) são as principais figuras dos três unicórnios portugueses.

Portugal conta com três empresas avaliadas em pelo menos mil milhões de dólares pelos investidores a partir desta quarta-feira.

Portugal conta com três empresas avaliadas em pelo menos mil milhões de dólares pelos investidores a partir desta quarta-feira. Depois da Farfetch e da OutSystems, a Talkdesk é a terceira tecnológica com ADN nacional a ganhar o estatuto de unicórnio junto do mercado privado.

Mas que empresas são estas e como é que ganharam este estatuto? O Dinheiro Vivo resume o percurso de cada uma destas marcas, que estão a ajudar a colocar Portugal na rota dos investidores, sobretudo na área tecnológica.

Farfetch, o unicórnio do luxo:

A ideia de negócio da Farfetch nasceu enquanto criança, mas só a partir de 2007 é que o sonho de José Neves começou a ganhar realidade. A partir de Guimarães e de Londres, este fazedor criou uma plataforma para vender moda de luxo em todo o mundo a partir da Internet, numa altura em que estas compras eram todas feitas praticamente a partir das boutiques da rua.

Mas como o modelo não era suficiente, o português começou a pensar na criação de tecnologia para estes espaços, como a loja no futuro, ou então o serviço de entregas de roupa de luxo em apenas 90 minutos.

O estatuto de unicórnio foi obtido no início de março de 2015, depois de a Farfetch ter concluído uma ronda de investimento de 86 milhões de dólares. Depois do reforço da aposta no mercado asiático e da abertura de mais escritórios em Portugal e noutros países, a empresa de José Neves estreou-se em setembro deste ano na Bolsa de Nova Iorque. O IPO da plataforma com ADN nacional tornou José Neves num dos novos milionários portugueses.

Pode ler mais sobre a Farfetch em: Farfetch. It’s a billion dollar Portuguese company, baby!

OutSystems, o unicórnio que quase dispensa o código:

Começou num pequeno escritório em Linda-a-Velha, em 2001, e já conta com clientes em 52 países. Com sede em Atlanta, nos Estados Unidos, a magia da OutSystems valeu uma avaliação superior a mil milhões de euros e a entrada no clube dos unicórnios no início de julho deste ano. A tecnológica liderada por Paulo Rosado especializou-se no desenvolvimento de plataformas low-code – aplicações em que é utilizado o mínimo de código possível.

Isto foi possível graças a uma ronda de investimento de 360 milhões de dólares do fundo de investimento norte-americano KKR e da plataforma de investimento do Goldman Sachs.

A OutSystems é exclusiva para clientes empresariais, em 22 indústrias, e dá emprego a cerca de 800 pessoas. Além do escritório em Linda-a-Velha, a tecnológica tem instalações em Proença-a-Nova, Braga, Boston, Atlanta, Utrecht, Londres, Dubai, Sydney, Tóquio, Hong-Kong e Singapura.

A empresa mudou de modelo de negócio em 2011 e, em vez de vender licenças perpétuas, passou a disponibilizar subscrições, para conseguir captar mais clientes. Com bons resultados: em 2017, as receitas da OutSystems ultrapassaram pela primeira vez a barreira dos 100 milhões de euros e têm crescido anualmente, em média, 70%. A faturação deve multiplicar nos próximos anos porque este mercado tem um valor potencial de 22 mil milhões de euros.

Pode ler mais sobre a OutSystems em: OutSystems é o novo unicórnio com ADN português

Talkdesk, o unicórnio mais rápido:

Tiago Paiva e Cristina Fonseca fundaram em 2011 a Talkdesk, uma plataforma para as empresas poderem personalizar o atendimento telefónico aos clientes. Nesse ano, Tiago Paiva queria ganhar um computador MacBook, que estava a ser oferecido durante uma competição de ideias inovadoras por uma plataforma de comunicações na nuvem com sede em São Francisco, na Califórnia, Estados Unidos. Os dois portugueses ganharam a competição e conquistaram lá o primeiro investimento, de 10 mil dólares, escreveu o Expresso em agosto.

No ano a seguir, em 2012, realizou-se a primeira apresentação internacional da Talkdesk. Tiago Paiva mostrou a plataforma com ADN português em Nova Iorque, num evento para startups realizado pelo portal tecnológico TechCrunch, um dos mais reputados do sector.

Foi a partir daí que a Talkdesk começou a crescer. Em 2014, numa entrevista ao DN, Cristina Fonseca dizia que a startup estava a “preparar-se para aumentar a equipa de 12 pessoas”. No ano a seguir, a plataforma portuguesa fechou a série A de investimento, após ter arrecadado 15 milhões de dólares – esta ronda viria depois a aumentar para os 21 milhões de dólares. Em 2016, Cristina Fonseca deixou de participar na gestão diária da startup.

Leia aqui: Como um fazedor abandona o dia-a dia da startup que criou

Mas o crescimento da plataforma portuguesa é imparável. Com escritórios em Portugal e nos Estados Unidos, a Talkdesk quer chegar aos 1000 trabalhadores até 2020 e conquistar cada vez mais grandes empresas como clientes. Para isso irá contribuir a ronda de investimento de 100 milhões de dólares anunciada esta quarta-feira e que deram o estatuto de unicórnio português mais rápido de sempre.

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