Fernando Pinto: "A TAP hoje é três vezes maior do que quando cheguei"

Será a última entrevista de Fernando Pinto enquanto CEO da TAP? O mistério continua. Mas o gestor fala de crescimento, do turismo e de 17 anos de TAP.

O mote da conversa é o crescimento do Turismo e da TAP. Fernando Pinto está na companhia aérea desde o ano 2000. Chegou com mandato para preparar a empresa para uma privatização que, afinal, só aconteceria em 2015. Os constrangimentos, os desafios e as potencialidades que a globalização promete, em entrevista ao Dinheiro Vivo.

A IATA espera que a procura turística duplique nos próximos 20 anos. É uma oportunidade ou um desafio?

É uma grande oportunidade porque o nosso caminho é crescer. Mas é um desafio, porque temos uma grande preocupação ao nível aeroportuário e do espaço aéreo. Portugal apresenta um crescimento muito importante das infraestruturas, hotéis, restauração e serviços ligados ao turismo. Mas há constrangimentos, e para acompanhar o crescimento precisamos de investimentos fortes.

Falamos do aeroporto de Lisboa e da falta de espaço...

É uma grande preocupação das autoridades, do aeroporto, nossa, e das empresas que servem o turismo. Todos sabemos que é mais fácil crescer numa empresa aérea do que num aeroporto. No último ano crescemos 20% em número de passageiros transportados. Obviamente com investimento, aluguer de aviões...mas conseguimos. E sabemos que aumentar em 20% a capacidade de um aeroporto não é fácil se ele está a chegar ao limite. Isso mede-se pelos slots , mas também pelos atrasos na operação.

Esses atrasos já se sentem?

Não há dúvida nenhuma, essa consequência já temos. E não é só o aeroporto. Existem também os aspetos relacionados com controlo de tráfego aéreo, que tem de ser modernizado. Já há um projeto em andamento, mas é muito importante que tenha uma implementação rápida. Até porque vai viabilizar a extensão do aeroporto.

Jorge Ponce Leão, ex-CEO da ANA, assumiu a presidência da NAV. Dá novo alento para uma resolução rápida?

A NAV foi muito bem gerida nos últimos tempos. Agora, a ida de Ponce Leão... Queria, antes de mais, dar-lhe os parabéns e, não só a ele, mas quem fez esta escolha, porque é a pessoa com mais experiência que poderia assumir o lugar. Tenho a certeza que vai ajudar a viabilizar esse investimento o mais cedo possível.

A TAP este ano vai crescer 20% em passageiros. Quanto deste aumento é fruto do aumento do turismo?

Uma coisa depende da outra. Nós dependemos, obviamente, do facto de termos um país acolhedor. A TAP hoje é três vezes maior do que era no ano 2000 quando eu cheguei. E cresceu muito também nestes dois anos da privatização. Mas a verdade é que nós também influenciámos o crescimento do turismo em Portugal. Fazemos um grande investimento em dar a conhecer Portugal, investimos muito nos EUA e criámos o programa Stopover que já trouxe mais de 100 mil passageiros. Uma pessoa que ia apenas passar por Portugal agora pode ficar em Portugal.

Qual é hoje o principal mercado internacional da TAP?

O Brasil como país é o mais forte.

Onde estão a crescer mais?

Temos o Brasil e os EUA a crescer muito. Na Europa, individualmente, o nosso maior parceiro é Espanha, vale 10%. O Brasil pesa cerca de 20%. Os EUA já valem quase metade do Brasil, cerca de 12%. É uma aposta forte.

Como será 2018?

A previsão é continuar a crescer, mas a um ritmo menor - este ano foi o maior das empresas europeias. Antevemos um crescimento na faixa dos 8%. Para isso vão contribuir os novos aviões, que começamos a receber - estamos com a mais recente tecnologia em eficiência e conforto.

O turista atual quer conforto e, ao mesmo tempo, preços baixos. É o grande desafio do setor?

Esse é o grande desafio mas também é a filosofia da TAP. A TAP jamais quis ser, e jamais será, uma empresa low-cost. Não é essa a ideia. A ideia é ser uma empresa acessível, que compete, mas tem um serviço diferenciado.

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