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Fernando Pinto deixa TAP três vezes maior

Fernando Pinto
Fernando Pinto

Acionistas privados levam nome de Antonoaldo Neves à próxima reunião de acionistas. Pinto será assessor durante dois anos

Uma greve de tripulantes de cabina precipitou a entrada de Fernando Pinto na TAP. Estávamos em finais de 2000 e o gestor, que previa agarrar os comandos apenas em janeiro do ano seguinte, teve de pilotar a companhia aérea portuguesa uns meses antes. Tinha chegado em outubro para administrador delegado com mandato para equilibrar as contas da deficitária TAPAir Portugal e prepará-la para a venda à SwissAir. A companhia Suíça faliu, a venda nunca aconteceu, mas o brasileiro ficou – e foi ficando durante os últimos 17 anos; 15 deles à espera da prometida venda. Sai agora, a 31 de janeiro, dia de assembleia geral de acionistas. E deixa a TAPtrês vezes maior entre receitas, passageiros, rotas e aviões. Para o cargo entrará Antonoaldo Neves, ex-CEOda Azul e velho conhecido de David Neeleman, um dos novos donos da TAP.

“A privatização da empresa, concretizada há dois anos, permitiu iniciar um novo ciclo na TAP. A meta que tinha imposto a mim e à minha equipa foi finalmente atingida. Era vital para a empresa, como se pode comprovar hoje, após este período de resultados extremamente positivos”, disse ontem Fernando Pinto numa mensagem de despedida enviada aos mais de 10 mil trabalhadores que compõem o grupo TAP, e que põe ponto final à especulação que inundou o mercado desde a saída de Antonoaldo Neves da companhia brasileira Azul.

Não esconde a correria e os sufocos financeiros, mas faz um balanço “extremamente positivo” destes 17 anos de gestão da TAP, a grande maioria partilhados com Michael Connolly, Luiz Mór e Manoel Torres, todos companheiros ex-Varig e também já ex-TAP.
“Todos souberam lidar com as adversidades e continuar a acreditar na empresa. Vestir a camisola, continua por dizer Pinto, que deixa a TAPhoje “três vezes maior do que quando quando chegou”.

Os números de 2017 ainda não estão totalmente fechados mas, a confirmar-se a expectativa deixada em dezembro, o ano passado terá sido de ganhos para o negócio da aviação da TAP. E os bons resultados poderão ter sido suficientes para retirar o grupo TAP(TAPSGPS) do vermelho.

A beneficiar as contas está um crescimento recorde de 21,8% no número de passageiros transportados, que atingiu 14,3 milhões, sinal de que está lançada “a base para um futuro promissor”.

Ainda não terá sido desta que o braço deficitário da manutenção no Brasil conseguirá atingir o break-even. Fernando Pinto ainda poderá ver o negócio que fechou em 2007 deixar de pesar nas contas da TAP, uma vez que se vai manter ligado à companhiaenquanto consultor durante os próximos dois anos.

Na hora das despedidas, os vários acionistas da TAPelogiam o trabalho do gestor e abrem caminho a uma luz verde na AG de dia 31. Humberto Pedrosa agradeceu “tudo o que [Fernando Pinto] fez pela TAP” e enalteceu a “excelente capacidade de chegar a consensos”. Por sua vez, David Neeleman, que começou a olhar para a companhia aérea portuguesa por indicação de Pinto, saudou o “excelente gestor” capaz de “conseguir manter a TAP em rota, apesar da impossibilidade de injetar capital na empresa”. O acionista Estado reagiu pela voz da equipa de Pedro Marques, ministro da tutela, que “manifesta o seu inequívoco reconhecimento pelo papel que desempenhou no equilíbrio e desenvolvimento da TAP na última década e meia”.

Do governo fica a saber-se ainda que serão reconduzidos os seis nomes já em funções no Conselho de Administração que continuará a ser presidido por Miguel Frasquilho. E entra um representante da chinesa HNA. Do consórcio privado, Antonoaldo Neves recebe os primeiros elogios: “É o gestor certo para a TAP nesta fase de renovação e de expansão da companhia para novos mercados internacionais e para consolidar a TAP nos mercados em que já opera”, disse Neeleman. Trey Urban, que foi substituído por Antonoaldo logo em julho, foi o primeiro a dizê-lo: “Éo sucessor lógico” de Fernando Pinto.

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