Fernando Pinto: "Governo tem toda a tranquilidade para escolher a hora certa" da privatização

"A grande questão é saber quando iniciar o processo de privatização", diz Fernando Pinto, presidente da TAP, ao Dinheiro Vivo, à margem da inauguração do voo Lisboa-Manaus-Belém-Lisboa, cuja estreia foi recebida esta terça-feira com pompa e circunstância dos dois lados do Atlântico.

Leia também a reportagem: Bem-vindos à Amazónia. TAP já aterra em Manaus

Por estes dias, adianta, "estará a ser entregue ao Governo a atualização da avaliação da empresa" pelo conjunto de bancos (Barclays Capital, Espírito Santo de Investimento, Citi Bank e Crédit Suisse) assessores financeiros do processo de privatização da companhia de bandeira portuguesa. Uma avaliação que devia ter ficado pronta em finais de abril, mas cujo prazo, as instituições financeiras pediram para prolongar por mais 30 dias.

No início do mês de Maio, Sérgio Monteiro, secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações, anunciou ter já na sua posse um documento preliminar, mas que o final devia chegar até ao fim de maio "porque houve mais elementos a recolher". Em rigor, o governo português já devia saber neste momento quanto vale a TAP para tomar a decisão sobre o relançamento - ou não - do respetivo processo de privatização.

Fernando Pinto está confiante. No decorrer deste período "tivemos reuniões esclarecedoras com os bancos", diz, explicando que o trabalho já estava "bem adiantado". Ao contrário do que aconteceu em 2012, e de acordo com o presidente da companhia aérea, "há vários interessados que têm mantido contactos". Até mesmo o empresário colombiano Germán Efromovich, único concorrente em 2012 à privatização da companhia, pode continuar interessado, acredita Fernando Pinto.

"Não tem feito contacto, mas tem todas as informações na mão. Embora pareça estar agora mais interessado noutros investimentos...", acrescenta, sorrindo. No início desta semana, Efromovich, presidente da Avianca, garantiu ao Dinheiro Vivo, durante a conferência da IATA que decorreu em Doha, no Qatar, que a sua prioridade "já não é a Europa. Não agora, que todas estas companhias do Médio Oriente, como a Emirates, tomaram este mercado. E não há como competir. Essa foi uma janela de oportunidade que existiu em 2012 e agora fechou-se", sublinhou.

Afinal, quanto vale a TAP?

Com ou sem avaliação dos bancos, Fernando Pinto não tem dúvidas. A companhia "vale o que estiver disponível no mercado". "Mas ela vem crescendo", acrescenta. Regista lucros há cinco anos consecutivos, melhorou os resultados em 2013 para 34 milhões de euros, mais 42% do que no ano anterior. Em 2013 transportou mais 5% de passageiros do que em 2012. E nos primeiros quatro meses deste ano, 3,284 milhões de pessoas voaram na companhia nacional, correspondendo a um crescimento de 8% em relação a igual período do ano passado e subindo a taxa de ocupação dos voos de 74,8% para 78,5%. O ano de 2014 fica ainda marcado pela abertura de rotas para mais 11 novos destinos.

"A TAP tem vindo sempre a melhorar", diz Fernando Pinto. Com a troika de saída, hoje "não há aquela pressa". E conclui: "É só fazer bem feito. O Governo tem toda a tranquilidade para escolher o melhor caminho e a hora certa. A nossa obrigação é deixar a empresa pronta para esse processo."

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de