Inovação

Fiamma. Máquinas de café de Aveiro conquistam 65 países

Pedro Serra, CEO da Fiamma, anda pelo mundo a apresentar a Astrolab. Fotografia: Leonel de Castro/Global Imagens
Pedro Serra, CEO da Fiamma, anda pelo mundo a apresentar a Astrolab. Fotografia: Leonel de Castro/Global Imagens

Empresa prepara-se para lançar, no próximo ano, a Astrolab, uma nova máquina de café expresso, desenvolvida internamente

“Não temos a pretensão de conquistar o mundo, mas quase.” As palavras de Pedro Serra, CEO da Fiamma, ilustram a ambição da fabricante portuguesa de máquinas de café expresso para profissionais. A Fiamma exporta para 65 países nos cinco continentes e o objetivo é continuar a ganhar mercados. A estrela para esse caminho é a Astrolab, a nova máquina da empresa de Aveiro.

Há dois anos que uma equipa de engenheiros e designers da Fiamma está a desenvolver a Astrolab, um equipamento que aposta na pressão variável da água durante o processo de extração do café, o que permite uma pré-infusão única, e num elevado controlo da temperatura, garante Pedro Serra. Estas características são muito apreciadas pelos baristas, profissionais especializados em cafés. A juntar às qualidades técnicas, a máquina tem um painel touch, tudo envolvido numa imagem futurista. Para já, o investimento ascendeu a 60 mil euros.

Astrolab pelo mundo
Pedro Serra e a equipa comercial da Fiamma andam agora com a Astrolab na mala, apresentando o novo Ferrari das máquinas expresso nas principais feiras do setor. “Queremos obter o feedback dos baristas para alterar detalhes” que sejam pertinentes para o profissional do canal Horeca (hotéis, restaurantes e cafés), explica. A Astrolab estreou-se em Milão (Itália, o país do café expresso), já esteve na Coreia do Sul, o principal mercado externo da Fiamma, no ‘World of Coffee’ de Amesterdão (Holanda), em Manila (Filipinas) e prepara-se para uma exibição, em novembro, em Belo Horizonte (Brasil), nos Campeonatos Mundiais de Baristas. Em 2019, “está na linha de produção”, garante Pedro Serra. Nessa altura, serão necessários alguns investimentos na área produtiva, nomeadamente ao nível dos moldes, para iniciar o fabrico deste novo modelo.

A Astrolab irá juntar-se aos outros modelos fabricados pela Fiamma e cujos nomes estão sempre ligados ao universo dos Descobrimentos e da conquista dos mares e territórios pelos portugueses: Compass, Quadrant, Caravel… Atualmente, são cinco modelos de máquinas e 150 variações. A unidade industrial é totalmente autónoma no processo de fabrico. Como sublinha Pedro Serra, “desde o corte de chapa até à assemblagem, fazemos tudo aqui”, só os componentes vêm maioritariamente de Itália.

Foi em 2003 que a Fiamma desenhou o seu plano de internacionalização. “Percebemos que o futuro estava lá fora e não no mercado interno”, conta. A empresa passou a marcar presença nas feiras internacionais do setor, a equipa de exportação começou a bater às portas dos potenciais clientes, ou seja, agentes que assegurem capacidade de manutenção, assistência e de armazenamento. Como sublinha, é essencial “estar próximo do cliente, assegurar a resposta”.

No ano passado, a Fiamma registou vendas de 7,5 milhões de euros, um crescimento de 12% face aos 6,7 milhões de 2016. A exportação valeu 70%. “O crescimento é fruto, sobretudo, dos mercados externos, mas o interno também cresceu”, diz. Os três principais destinos das máquinas expresso de Aveiro são a Coreia do Sul, a Arábia Saudita e Espanha. Este ano, as receitas devem atingir os oito milhões.

Em 2016, a empresa realizou um investimento de 600 mil euros, que englobou a aquisição de mais sete mil metros quadrados de terreno, a ampliação da fábrica, a compra de equipamento produtivo e a construção de um showroom, onde também funciona uma escola de formação de baristas. Este projeto acompanhou o crescimento da produção, que este ano deve atingir as cinco mil máquinas. A Fiamma, empresa 100% familiar criada em 1977, emprega mais de quatro dezenas de pessoas.

A unidade tem, desde o ano passado, uma Fábrica de Baristas. Pedro Serra apercebeu-se da falta de formação dos profissionais que retiram café em restaurantes e cafetarias e, em simultâneo, do surgimento de verdadeiros especialistas na arte da extração do café. Avançou com a escola e, com o barista Tiago Costa ao leme, já formou mais de 80 pessoas desde o início do projeto.

“Fazemos formação a coffee lovers, a trabalhadores do setor Horeca, estudantes de hotelaria, ensinamos a melhorar a qualidade do café servido e também a tratar do equipamento”, explica Pedro Serra. As formações estão certificadas pela Direção-Geral do Emprego e Relações do Trabalho, estando para breve a certificação pela Specialty Coffee Association.

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