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Fidelidade admite voltar a cotar Luz Saúde em bolsa

Rogério Campos Henriques é atualmente Vice-Presidente da Comissão Executiva da Fidelidade
(Leonardo Negrão / Global Imagens)
Rogério Campos Henriques é atualmente Vice-Presidente da Comissão Executiva da Fidelidade (Leonardo Negrão / Global Imagens)

O regresso da Luz Saúde ao mercado de capitais é uma possibilidade no futuro. Já um IPO da Fidelidade, apesar de poder ser atrativo, não está na mesa neste momento.

Saiu de bolsa mas pode regressar ao mercado. A Fidelidade admite vir a fazer uma oferta pública inicial da Luz Saúde, depois de a ter retirado de bolsa, devido ao baixo free float e liquidez. “A Luz Saúde está numa fase de grande crescimento e de grande investimento. Há de haver aqui um momento em que pode fazer sentido para nós fazer um IPO (Initial Public Offering) da Luz Saúde, voltar a pôr, outra vez, a Luz Saúde no mercado”, afirmou Rogério Campos Henriques, vice-presidente da Comissão Executiva da Fidelidade e presidente executivo da Multicare. “Quando a Luz Saúde já tiver receita adequada aos investimentos que temos vindo a fazer, não excluímos essa possibilidade”, adiantou em entrevista ao Dinheiro Vivo.

A Fidelidade adquiriu a Luz Saúde em 2014, através de uma oferta pública de aquisição (OPA) e acabou por ficar com 99% do capital da empresa. A seguradora, que é detida em 85% pela chinesa Fosun, tem vindo a fazer investimentos na modernização e expansão das unidades da Luz Saúde e impulsionou a aquisição de players mais pequenos para aumentar a cobertura geográfica da empresa.

Um milhão de clientes

A seguradora, que é dona da Multicare, que completa em 2018 os 20 anos de existência, vê na Luz Saúde um ativo estratégico. “Em 2014, quando comprámos a Luz Saúde, foi um regresso à área de prestação de cuidados de saúde, que é uma área importante para a Fidelidade e para a Multicare e é uma área de futuro”, disse Rogério Campos Henriques.

“A área da saúde é para reforçar naturalmente. Não quer dizer que existam aquisições perspetivadas. É uma área estratégica para nós”, frisou. “Queremos entrar na prestação de cuidados de saúde porque faz sentido para nós termos uma visão mais integrada e podermos ter uma oferta mais ampla.”

O objetivo é conseguir prestar mais serviços aos quase um milhão de clientes da Multicare, que deverá terminar 2018 com um volume de prémios de 300 milhões de euros, face aos 270 milhões de euros em 2017.

Neste setor, a Fidelidade defende que Portugal precisa fazer uma mudança de paradigma e apostar mais na prevenção. “Não podemos suportar custos tão elevados com a saúde, nós os portugueses. Somos nós todos que pagamos os custos com saúde”, afirmou. “Temos de nos focar cada vez mais na saúde e não na doença, na prevenção. Todos os hospitais deste país são remunerados de acordo com a quantidade de atos médicos que produzem e não com a saúde das pessoas que servem.”

Crescer no exterior

Se no setor da prestação de cuidados de saúde, o grupo não planeia aquisições, o mesmo não se passa nos seguros, onde está um comprador ativo a nível internacional. Recentemente, a Fidelidade anunciou o acordo para a aquisição de 51% da seguradora La Positiva, no Peru. “Com a aquisição no Peru ficamos com uma posição de liderança na Bolívia e com algumas operações na Nicarágua e no Paraguai. De uma penada ganhámos a presença em quatro países. Ainda estamos a explorar outras oportunidades naquela zona.”

A Fidelidade está presente em mercados onde também está o seu antigo “dono” – a Caixa Geral de Depósitos, que ainda é acionista com 15% do capital. A seguradora está presente em Angola, Cabo Verde, Moçambique, Macau, França e Espanha. “Faz sentido expandir para mercados que sejam estáveis do ponto de vista macroeconómico, que tenham um potencial de crescimento e onde o nosso grau de sofisticação e competências possam fazer a diferença”, disse o vice-presidente da Fidelidade.
Em Portugal, com uma quota de mercado de 37%, não planeia aquisições na área seguradora. “Não vemos que em Portugal exista maior potencial para continuarmos a crescer por aquisições. Estamos é focados na estratégia internacional”, apontou. “É natural que existam mais movimentos de consolidação. Há seguradoras que estão à venda em Portugal.”

Uma das seguradoras apontadas como estando à procura de comprador é a Tranquilidade, que é detida pela norte-americana Apollo. Em termos de rentabilidade, Rogério Campos Henriques garante que a Fidelidade está a ter “um ano bom”, apesar da tempestade Leslie, o maior sinistro na história da seguradora, em participações. Sobre uma eventual entrada em bolsa, é um tema que não está na mesa neste momento. “A Fidelidade teria todas as condições para fazer um IPO. É um ativo interessante e os bancos de investimento dizem-nos isso”, disse. “Mas é uma decisão dos acionistas.”

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