Portugal Mobi Summit 2019

Fidelidade: valor dos seguros descerá com comportamentos responsáveis

Vice-presidente da Fidelidade, Rogério Campos Henriques
Vice-presidente da Fidelidade, Rogério Campos Henriques

Mobilidade deslocará valor dos seguros para o comportamento em detrimento das características geográficas, número de viagens ou tipo de veículo, segundo Rogério Campos Henriques

Menos carros, e cada vez menos conduzidos por pessoas e cada vez mais partilhados criam “problemas adicionais aos seguros”, assumiu o vice-presidente da Fidelidade, Rogério Campos Henriques. Em negócios, ameaças têm de ser oportunidades e a mudança estrutural do mercado das seguradoras já tem o caminho definido, que passa por “ajudar a reduzir o risco dos clientes” e definir os custos destes com os prémios em função de comportamentos. Quanto mais responsáveis, menos pagarão.

“Há uma nova dinâmica de crescimento. As vendas de carros estão a reduzir. Já não damos o mesmo valor à propriedade do automóvel, e há várias formas de aceder a um carro. A mobilidade partilhada é um deles. E teremos gradualmente cada vez mais veículos autónomos, também. Como se estabelece o preço será um desafio”, admitiu o vice-presidente da Fidelidade durante a apresentação de Os Seguros no Novo Ecossistema de Mobilidade.

“Em 2030, o veículo autónomo vai mudar radicalmente como tudo se processa. Será gradual, não mudará de uma vez. Vai haver carros tradicionais, mas aumentará a quantidade de novos veículos. Temos um estimativa que aponta que até 2040 vão aumentar os diferentes níveis de autonomia na condução de veículos”, enquadrou. “O que se pretende é reduzir o número de mortes na estrada. Isso é uma coisa boa”, juntou.

Mas, como explicou, o negócio dos seguros “mutualiza o nosso risco”. “Os seguros cobrem os riscos. A partir do momento em que há menos acidentes e mortes, o que é bom, volto a dizer, o mercado vai encolher, o que poderia ser uma ameaça. Há mercados em que o valor pago pelos seguros tende a reduzir 80%”, avançou Rogério Campos Henriques.

“A seguradora não quer pagar indemnizações, queremos resolver problemas. A seguradora repara o carro e dá um veículo de substituição. Há mercados em que a seguradora apenas paga e os clientes têm de encontrar as soluções”, observa o vice-presidente da Fidelidade. “Cobramos ao cliente por um serviço. E há um conjunto de oportunidades, e de ameaças”, acrescenta.

Por isso, as seguradoras têm de se adaptar a um novo mundo, em que “os problemas estruturais nas cidades não resolvidos, como os do trânsito e estacionamento, claramente causam perturbação e entropia no que se pretende das cidades do futuro”.

“E são as cidades, e não os países, a imporem novas regras. Esta evolução causa preocupação no seguro tradicional, que passa por segurar os carros e, depois, por uma camada adicional, que são as pessoas que circulam nesses veículos”.

“O papel da seguradora vai ser o de proteger as pessoas, uma vez que os carros terão menos acidentes. Outro papel é utilizar a tecnologia para reduzir os riscos dos condutores”, admite Campos Henriques.

E lança algumas pistas para a evolução do modelo deste negócio: “Há ameaças que não estão a ser tratadas. O negócio vai evoluir cada vez mais do seguro de bens para os seguros de pessoas, com produtos inovadores e diferentes”.

“Vamos deixar de vender o seguro individual e vamos trabalhar com as empresas, como os fabricantes. Cria uma relação de forças diferentes na negociação. Temos de reforçar a proteção vital das pessoas em mobilidade, cobrir todas as necessidades vitais fora do automóvel. E criar o seguro contextual: garantir uma maior aproximação aos clientes. Arranjar uma solução que ajuda os clientes a planear uma viagem, dar-lhes conselhos de segurança. Quanto à mobilidade típica, vai evoluir muito na prevenção”, reforçou.

E recorre às potencialidades da telemática, a área que recorre a um conjunto de tecnologias de informação através de suportes tecnológicos evoluídos para processar, armazenar e comunicar grandes quantidades de dados num curto prazo de tempo em qualquer ponto do Planeta. E, em jeito de brincadeira, disse que veículo um determinado cliente conduz, como a localidade, a marca, o modelo. “E a cor: preta”, sorriu.

“Sabemos para onde vai e até com quem quer ir”, ilustrou. E este tipo de informação detalhada é que vai permitir personalizar o serviço que se vende em função do nível de segurança. “Queremos ajudar a reduzir o risco dos clientes. Não é para aumentar o prémio, mas reduzir se tiver um comportamento adequado e seguro. O valor dos seguros terá mais a ver com o comportamento e menos com as características geográficas, quantidade de viagens ou tipo de veículo. Queremos sair da lógica daquela fricção tradicional entre seguradora e cliente”, concluiu.

Veja toda a cobertura do Portugal Mobi Summit 2019.

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