Fim das moratórias está a ser "gerível" e não assusta bancos  

O Santander tem "número relevante" de clientes particulares em dificuldades e a CGD recebeu 2500 pedidos de reestruturação de créditos. Mas cenário geral é de "tranquilidade".

O pior cenário não se está a verificar, após o fim da moratória pública no crédito, no passado dia 30 de setembro. A maioria das famílias abrangidas pela medida passam já este mês de outubro a pagar as suas prestações mensais da casa. Mas, em geral, os maiores bancos estão a gerir com "tranquilidade" o fim das moratórias. E a negociação que estão a levar a cabo com as famílias em dificuldades financeiras deverá evitar um aumento do incumprimento e do crédito malparado.

"Consideramos que o número de casos identificados é gerível", indicou o Santander em respostas do DN/Dinheiro Vivo. "O banco preparou a saída das moratórias com antecedência. Foram desenvolvidos modelos preditivos que permitem estimar a resiliência financeira dos particulares e negócios em moratória", adianta.

O Santander escusou-se a divulgar quantos clientes estão em situação de risco de incumprimento face ao fim da moratória pública. "Identificamos um número relevante de clientes particulares que tinham necessidade de uma solução à saída da moratória a 1 de outubro e temos estado a trabalhar no sentido de contratar essas soluções com estes clientes", disse. O banco liderado por Pedro Castro e Almeida tem estado a propor medidas como "a carência de capital durante um período predeterminado", de seis a 12 meses. Também apresentou soluções no âmbito do PARI - Plano de Ação para o Risco de Incumprimento. "Em suma, ao nível de particulares, existe alguma tranquilidade face ao incumprimento", garante o Santander.

No caso da Caixa Geral de Depósitos (CGD), recebeu 2500 pedidos de reestruturação de créditos de famílias, disse Paulo Macedo, presidente executivo do banco público em entrevista ao DN publicada na passada sexta-feira. O banqueiro frisou, referindo-se ao fim das moratórias: "Estamos mais otimistas do que há um ano." Um dos fatores que contribuem para este otimismo são as projeções económicas que "são claramente mais positivas". Paulo Macedo disse que o banco espera receber "ainda mais alguns" pedidos de reestruturação de créditos por parte de famílias em dificuldades e "serão aceites, como tem acontecido até agora". "Mas infelizmente creio que haverá famílias e empresas que terão problemas", indicou. Mas "face aos crescimentos que a generalidade dos indicadores aponta - quer do lado do governo quer do Banco de Portugal, do FMI ou da UE -, há dados mais positivos do que antes e o impacto do final das moratórias será, de certeza, menor", adiantou. Paulo Macedo frisou que a evolução da situação "vai depender também de se manter este nível de emprego".

No caso do BPI, o banco lembram que "à data de 30 de junho de 2021, 98% das moratórias no BPI estavam em situação regular". "Os dados atualizados serão comunicados em momento oportuno, mas não antecipamos um agravamento relevante", sublinhou.

Quanto ao Millennium BCP, apontou que vai atualizar a informação sobre as moratórias a 27 de outubro, com os seus resultados trimestrais.

O facto de os bancos já terem enfrentado o fim da moratória privada, no final de março, serviu de ensaio para o fim da moratória pública. "A experiência do Santander na gestão da saída de moratórias privadas em março-abril deste ano foi importante", aponta o banco. "Quando saiu o Decreto-Lei 70B no início de agosto (de reforço de proteção das famílias), foi necessário ajustar alguns detalhes, mas no essencial já estávamos preparados para conseguir gerir o final das moratórias do Estado com personalização, empatia e conveniência para os clientes", adianta.

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