Automóvel

Finanças evitam aumento do preço dos carros em setembro

António Mendonça Mendes, Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais. (Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)
03.08.2018 / 15:57

Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais deu instruções à Autoridade Tributária (AT) para alterar as tabelas de impostos aplicadas aos automóveis.

Está afastado o cenário de aumento do preço dos carros novos a partir de setembro e que era temido pelas marcas. O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais deu instruções à Autoridade Tributária (AT) para alterar as tabelas de impostos aplicadas aos automóveis e neutralizar o efeito da entrada da nova norma de emissões (WLTP). Estes efeitos estendem-se à preparação do Orçamento do Estado para 2019.

“A AT (Autoridade Tributária) deve apresentar, no âmbito dos trabalhos de preparação do Orçamento do Estado para 2019, uma proposta de revisão das atuais tabelas de ISV e de IUC e das normas que consagram isenções fiscais condicionadas a limites de emissões de CO2, ajustando-as aos níveis de emissões decorrentes do novo sistema WLTP”, refere um despacho de 1 de agosto do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes. O Dinheiro Vivo já teve acesso ao despacho interno, depois de a notícia ter sido avançada pelo Expresso.

Nos últimos meses, as marcas automóveis apontaram a possibilidade de os preços dos carros novos subirem significativamente em setembro. A norma de emissões WLTP vai conferir aos automóveis valores de consumos e de emissões mais realistas, o que poderá ter como resultado um agravamento dos preços atendendo à tabela fiscal de Imposto sobre Veículos (ISV) com incidência nas componentes de cilindrada e emissões de CO2.

Numa primeira fase da nova medição das emissões, a partir de 1 de setembro, entrará em vigor um ciclo ajustado transitório, a que se atribuiu o nome de NEDC2, que irá provocar um aumento médio das emissões de CO2 de cerca de 10%. A partir de janeiro, entrará em cena a norma WLTP por inteiro (a par do Real Driving Emissions – RDE), que deverá dar dados de consumos e emissões mais realistas. E impostos mais altos.

Em 1 de janeiro de 2019, entrará em definitivo o método WLTP, que implicaria uma subida de “40% ou 50%” no valor do ISV a pagar, sobretudo nos segmentos mais altos.

O despacho do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais afasta os receios das marcas, sobretudo da Fiat, Opel e Seat, que realizaram várias campanhas nas últimas semanas para que os consumidores antecipassem a compra do carro antes do aumento dos impostos. Na Opel, por exemplo, o Astra seria o modelo mais afetado pelas novas regras: só em impostos, este carro iria custar mais 2800 euros, na versão com motor 1.6 a gasóleo.

(Notícia atualizada às 16h15 com mais informação)