FlixBus põe autocarros no interior para liderar mercado a partir de 2024

Perto de ultrapassar o patamar do milhão de passageiros, a plataforma alemã denuncia problemas das autarquias em entrar nos terminais de Almada e Cascais.

Pouco mais de um ano depois de se lançarem nas viagens entre cidades portuguesas, os autocarros da FlixBus já começaram a chegar ao interior do país. Mirandela, Bragança, Évora e Ponte de Lima são algumas das novas cidades em que a plataforma alemã está a operar em conjunto com cinco parceiros locais. Até ao final do verão, a rede doméstica deverá chegar a 37 cidades. Liderar a rede de autocarros expresso é o grande objetivo a partir de 2024.

A empresa, contudo, tem sofrido com os obstáculos que lhe impõem alguns municípios, apesar de o mercado dos serviços de autocarro expresso ter sido liberalizado em dezembro de 2019.

"A evolução da expansão da operação doméstica neste verão está dependente das autorizações das autarquias, que muitas vezes nos levantam problemas, como é o caso de Almada e Cascais. Temos linhas programadas mas ainda não nos é possível parar lá por falta de autorização", lamenta, em entrevista ao Dinheiro Vivo, o diretor-geral da FlixBus para Portugal e Espanha, Pablo Pastega.

A plataforma, mesmo com estas dificuldades, acredita que vai chegar ao patamar de um milhão de passageiros transportados até ao final de setembro. Além do interior do país, foram criadas ligações para cidades algarvias como Portimão, Lagos, Albufeira e Armação de Pêra.

A partir dos terminais portugueses também é possível chegar a 190 cidades europeias, de países como Espanha, França, Luxemburgo, Alemanha e Suíça.

No final de 2019, a empresa admitia chegar a um total de 80 cidades portuguesas no espaço de um mês. O coronavírus baixou as expectativas de crescimento de forma significativa.

"O autocarro continua a ser um meio de transporte essencial para muitas pessoas. Conseguimos adaptar a oferta com os nossos parceiros para perceber qual seria a procura necessária para cada mercado sem termos de reduzir a frota em período covid", recorda, ainda assim, Pablo Pastega.

A necessidade do autocarro na era pós-pandemia levou os investidores, no início de junho, a injetarem 650 milhões de dólares (554 milhões de euros).

A prova de confiança surgiu mais de um ano depois de a atividade da FlixBus ter ficado em risco nos cerca de 40 mercados internacionais. Apesar dos dois confinamentos, o presidente executivo da empresa, Andre Schwämmlein, nunca contou com o pior cenário.

"Nunca entrei em pânico e nem houve tempo para isso. A grande mudança, para nós, foi quando a BioNTech disse que tinha uma vacina para o coronavírus com mais de 90% de eficácia. Só depois começámos a acreditar que haveria mundo pós-pandemia. E as pessoas vão voltar aos autocarros", destaca o gestor.

Depois de ter transportado 430 mil passageiros em 2019 e 215 mil no ano passado, a FlixBus conta que este seja o melhor ano de sempre, apesar das restrições da pandemia. Ainda neste verão deverá ultrapassar o total de um milhão de bilhetes vendidos.

A plataforma também conta com o serviço de transporte ferroviário. Os primeiros comboios começaram em 2018, com ligações às cidades de Hamburgo, Colónia, Berlim e Estugarda.

A solução chegou à Suécia em maio deste ano, proporcionando viagens sobre carris entre Gotemburgo e Estocolmo. Apesar de o mercado português também estar liberalizado, a empresa não se compromete com a aposta neste serviço em solo lusitano.

O líder da FlixBus afasta ainda a aposta em soluções de transporte de curta distância, dentro das cidades. "O foco é muito importante para nós e a ligação é entre cidades. Não somos a Amazon da mobilidade."

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