Flow. Galp quer assumir a liderança na mobilidade urbana

"Queremos ser o sistema operativo da mobilidade urbana a nível global", promete o CEO da Galp Energia. A Flow arranca com uma equipa de 50 pessoas, mas vai contratar mais 15 nos próximos seis meses

A Galp quer assumir uma "posição de liderança" na definição dos contornos da mobilidade do presente e do futuro e fá-lo através da Flow, a start up que criou em parceria com o CEiiA (Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto) e cuja tecnologia sustenta a maior rede pública e privada de carregadores de veículos elétricos. A plataforma Flow "promete acelerar a adoção da mobilidade partilhada e elétrica", contribuindo ativamente para a transição de frotas abastecidas por combustíveis fósseis para frotas elétricas. "Queremos ser o sistema operativo da mobilidade urbana a nível global", diz o CEO da Galp Energia.

Carlos Gomes da Silva falava na cerimónia de inauguração das novas instalações da Flow, que irá funcionar na refinaria da Galp em Matosinhos. Um momento usado, também, para dar a conhecer a nova CEO da start up, Jane Hoffer, que terá como missão "expandir globalmente a base de clientes" do sistema operacional da Flow, que está já implementado, no setor privado e público, em Portugal, Espanha, Itália e Brasil. Jane Hoffer era a Chief Business Officer da Veniam, empresa portuguesa baseada nos Estados Unidos que fornece soluções de rede inteligente para carros conectados e veículos autónomos. "Na Veniam, Hoffer liderou o crescimento e a expansão da empresa para mercados globais, impulsionou vendas e apresentou a utilização desta solução pelos maiores fabricantes automóveis mundiais", destaca a Flow em comunicado.

Em declarações ao Dinheiro Vivo, à margem da cerimónia, Carlos Gomes da Silva especificou um pouco mais a sua ambição para a Flow. "Num prazo de até cinco anos, queremos estar nas 10 maiores metrópoles do mundo. Se o fizermos, passamos a ser uma referência mundial", sublinha. Não avança, no entanto, com a quantificação do investimento associado: "Num scale up é pouco relevante. Espero que isto seja um unicórnio da economia portuguesa".

Este é apenas um dos muitos projetos do que Carlos Gomes da Silva apelida de "a nova Galp", que, ao mesmo tempo que procura tornar "mais eficiente e mais sustentável" o seu negócio principal, nos combustíveis fósseis, migra já para o novo mundo das energias renováveis. Em outubro, a petrolífera anunciou que irá afetar 40% dos seus investimentos, na ordem dos 1 a 1,2 milhões de euros anuais, a projetos relacionados com a transição energética. "O nosso compromisso é aberto e vinculativo. O movimento que fizemos ainda recentemente de nos expormos à energia renovável de base solar tem a ver, também, com a integração daquilo que é o nosso portefólio elétrico. E este é mais um passo e estamos a trabalhar noutras soluções, que, muito em breve, tornaremos públicas", promete.

Já Jane Hoffer explica que o projeto Flow arranca com 50 pessoas, mas que, nos próximos seis meses, a empresa contratar mais 10 a 15 funcionários para áreas como o desenvolvimento de produto, a qualidade, o marketing e vendas e o apoio ao cliente. "O primeiro objetivo é pegar na tecnologia que temos e comercializá-la; finalizar o modelo de negócio, a estrutura de preços, etc. E temos a oportunidade de estabelecer parcerias com muitos dos clientes da Galp, que será um ponto-chave da nossa estratégia de abordagem ao mercado, mas não só. Não estamos presos à Galp. Há sinergias óbvias que fazem sentido e esta é uma forma lógica de fazer avançar o negócio, mas estamos à procura de novos clientes, designadamente companhias que tenham frotas consideráveis e que as queiram fazer evoluir para a mobilidade elétrica", diz. Por consideráveis entendam-se frotas de, no mínimo, 50 a 100 veículos. O target-ideal são as empresas com uma frota da ordem dos 500 a mil veículos.

Sem querer revelar números de faturação esperada, Jane Hoffer destaca que, no primeiro ano, a atividade de Flow se centrará na conquista de clientes e na criação de bons case-studies. "O grande investimento será na criação de produtos e em assegurar a implantação da marca no mercado. O foco está no crescimento e não tanto nos resultados, como é habitual numa start up", frisa.

No imediato, a Flow está apostada em conquistar clientes na Península Ibérica, mas pretende expandir-se para os Estados Unidos e outras geografias, designadamente onde a galp tem já uma presença alargada. Meta para 2025? "Em cinco anos gostaríamos de estar em todas as principais geografias mundiais e queremos ser conhecidos como o sistema operativo de mobilidade para as empresas", diz a nova CEO da Flow.

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