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Fnac prepara abertura de lojas Nature& Découvertes a pensar no Natal… de 2021

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Pandemia está a provocar quebras superiores a 50% no tráfego das lojas Fnac. Cadeia mantém a aposta na rede, mesmo com online a quadruplicar vendas

Durante a pandemia, na Fnac não faltaram compras online de computadores, consolas e até de instrumentos musicais. O medo da covid está a afastar os consumidores do retalho físico. Na Fnac, a reabertura reduziu em mais de metade o número de clientes em loja. Mas a cadeia mantém os planos de expansão. “Vamos continuar a expandir a nossa rede, com modelo de loja própria e de franchising, que funciona muito bem para o conceito de loja de proximidade”, adianta Nuno Luz, diretor-geral da Fnac Portugal. E no Natal do próximo ano, se tudo correr dentro dos planos, deverão abrir lojas Nature & Découvertes (decoração e bem-estar).

Apostar na lojas físicas num momento em que a cadeia sofre quebras de mais de 50% no tráfego em loja, até pode parecer contraditório. “Criar espaços diferentes e atrativos para os portugueses agora ainda é mais relevante, ainda é mais importante uma diferenciação entre o retalho físico e o online. No online podemos oferecer uma gama de produtos, no espaço físico é fundamental criarmos experiências diferentes. É um dos vetores para atrair clientes às lojas”, justifica Nuno Luz. “Tínhamos o plano de abrir duas lojas este ano. Abrimos em Torres Novas e a segunda não vamos abrir, o processo atrasou-se, o layout estava de determinada forma e tivemos de alterar por condicionantes do centro comercial”, diz. Abrir lojas de proximidade, mais pequenas, está nos objetivos. “Temos dois ou três processos a correr, onde estamos à procura de localizações, com pessoas interessadas, fora do Grande Porto e Grande Lisboa”, diz quando questionado sobre se o interesse dos franchisados não teria abrandado com a pandemia.

E planos não faltam para uma nova insígnia de decoração do grupo Fnac Darcy: a Nature & Découvertes. Inicialmente, a ideia era abrir dois espaços dentro das Fnac. “Hoje acredito que é um conceito que tem de ser apresentado numa loja stand alone. Pensamos abrir uma a duas lojas stand alone e ao mesmo tempo abrir algumas shop in shop nas lojas Fnac. Já começámos em conversações com os centros comerciais para abrirmos lojas stand alone”, diz. O que poderá acontecer no Natal de 2021.

A Fnac Chiado foi uma das últimas lojas a reabrir, depois de uma profunda remodelação, após o fecho durante o Estado de Emergência. Nesse período, as vendas passaram pelo online, que “quadruplicou”. “Fizemos metade das vendas like for like no mês de abril só com o online aberto. Demonstra bem o push que tivemos nesse período. Continuamos a ter em junho taxas de crescimento superiores a 50% face a junho do ano passado, não só no online puro, como no marketplace”, que captou 54 empresas nacionais, adianta Nuno Luz. A Fnac também viu 20% dos clientes que, até aqui compravam apenas nas lojas físicas, a experimentar o online. “Estamos expectantes para ver o comportamento na reabertura. Admito que parte dos crescimentos no canal online seja daqueles clientes que estão com receio de ir à loja.”

É nas lojas físicas que as quebras são evidentes, em particular nas de grande dimensão localizadas em grandes centros comerciais como o Colombo, NorteShopping ou Vasco Gama. “Em junho a quebra foi superior a 50% e, quando pensávamos que iríamos ter alguma recuperação, o facto de o Governo limitar o horário de abertura até às 20 horas veio impactar. Em julho temos tido quebras superiores a 50% a nível de tráfego, não só em Lisboa, como em todo o país. Passar esta desconfiança sobre o retalho como possível local de contágio veio afetar não só Lisboa, como todas as regiões do país.”

“Os tempos são mesmo excecionais. É o primeiro semestre em que a Fnac Portugal regista prejuízos. Mesmo nos tempos da troika nunca tivemos acumulado nos primeiros seis meses do ano registo de prejuízos, mesmo com os apoios recebidos do Estado”, adianta Nuno Luz, referindo-se ao apoio obtido com o lay-off simplificado em que colocou os 91% dos 1800 trabalhadores durante os meses de abril e maio.

Com 33 das 34 lojas em centros ou galerias comerciais, a lei das rendas – que vai permitir aos lojistas dos shoppings pagar apenas a renda variável até março de 2021 – chegou em boa hora. “Começámos a negociar com os centros comerciais desde o início, ao dia de hoje só consegui um acordo para cinco lojas para o período que passou e um princípio de acordo para o que vem de futuro. Explica a dificuldade que o retalho está a ter nestas negociações”, conta. “A grande maioria dos centros comerciais pertencem a fundos de investimento, é um bocadinho difícil dizer que vão fechar. Os fundos de investimento vão ter uma rentabilidade mais baixa pois vão deixar de ter as receitas que previam, tal como nós que tivemos as lojas fechadas entre um a dois meses.”

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