empreendedorismo

Forall Phones de malas aviadas para Madrid já a pensar em crescer

José Costa Rodrigues fundou a Forall Phones em 2016. ( Pedro Rocha / Global Imagens )
José Costa Rodrigues fundou a Forall Phones em 2016. ( Pedro Rocha / Global Imagens )

A empresa portuguesa que vende smartphones seminovos tem dois anos e vai fechar 2018 com vendas consolidadas na casa dos quatro milhões de euros.

A Forall Phones, empresa portuguesa que vende smartphones seminovos, prevê fechar o ano de 2018 com vendas consolidadas na ordem dos quatro milhões de euros, dos quais perto de 20% são já gerados através do mercado externo. “Temos vindo a crescer ao longo de todos os meses e é por isso que vamos ter vendas de quatro milhões neste ano. É um número muito interessante, que mostra um crescimento avultado da empresa e, acima de tudo, que estamos a conseguir exportar o nosso conceito”, explicou José Costa Rodrigues, CEO da Forall Phones, em entrevista ao Dinheiro Vivo.

A empresa de venda de telemóveis em segunda mão nasceu em 2016, quando José tinha 19 anos. A ideia, contudo, surgiu anos antes: José queria um iPhone e pediu-o aos pais. Recebeu um “não”. Os preços de alguns smartphones são proibitivos para muitas famílias. Optou por comprar um em segunda mão.

A ideia foi germinando e, depois de alguns avanços e recuos, o projeto ganhou forma e transformou-se num negócio a sério tempos mais tarde. Se nos primeiros tempos a forma de aceder ao produto passava por comprar a clientes que já tinham telemóveis e que queriam trocar de equipamento, agora já não é só assim. “Temos duas grandes formas de comprar telemóveis. Uma é através de grandes redes de retalho. Compramos telemóveis que estão em exposição nas lojas e, por estarem em exposição, já não podem ser vendidos ao preço de telemóvel novo; fazemos acordos com retalhistas e compramos em grande escala. Outra forma é comprar diretamente ao cliente, que é uma coisa que acontece regularmente.”

No ano passado, a empresa lançou as duas primeiras lojas físicas – Lisboa e Porto. Neste ano já chegou às cinco e estão também em Leiria, Coimbra e Setúbal, e os planos são para abrir mais em 2019, ficando com um total de dez espaços em solo nacional. O crescimento da Forall foi também sinónimo de um aumento da equipa, que conta com 50 pessoas.

Os próximos passos passam por atravessar as fronteiras. No roadmap têm prevista a abertura de lojas em Espanha e podem também rumar ao centro da Europa para apostar no mercado polaco. Contudo, o coração da operação vai estar sempre em Lisboa, mas com estes projetos a equipa deverá triplicar para 150 pessoas até ao fim deste ano. “Prevemos abrir [um total de] 13 lojas em Espanha durante 2019. Neste momento, já temos escritório em Madrid e uma equipa em full-time. Temos parceiros grandes neste mercado, tanto na compra de telemóveis como na distribuição. Acreditamos que é um plano ambicioso, mas a única forma de triunfar é provar que somos uma empresa primeiro portuguesa, depois ibérica e depois europeia.”

Apesar de a componente das lojas físicas ser importante para o negócio, as vendas online são também uma componente relevante. “Vendemos online para 15 países neste momento, sobretudo na Europa. Estamos fisicamente presentes em Portugal. A nossa sede tem 2000 metros quadrados – é em Alvalade (Lisboa) – e temos a nossa sede em Madrid, que é ao mesmo tempo loja, e que vai ser inaugurada daqui a um mês. Na China temos um escritório, onde temos uma colaboradora chinesa a full-time”, conta o jovem empreendedor.

A ligação ao mercado chinês não é, pelo menos para já, numa ótica de venda de produto mas para chegar aos fabricantes. “Não estamos a vender para a China ainda. Estamos a importar muitos componentes dos telemóveis, muitos acessórios que conceptualizamos aqui em Lisboa. Encaramos que esta é a primeira fase da abordagem ao mercado chinês. Compramos lá com conhecimento de causa. É estarmos ao pé dos fabricantes, é dizermos como queremos as coisas feitas e é acompanharmos a inovação, a tecnologia. Tudo o que é construído vem da China.”

Para continuar a crescer a empresa contou com um investimento de um milhão de euros, realizado por um grande grupo empresarial português, adiantou o responsável, sem dar mais pormenores. “O que nos tornou uma empresa apetecível para investidores é que fizemos todo o trajeto inicial literalmente sem dinheiro. Ou seja, o dinheiro que permitiu abrir uma loja em Lisboa, contratar o segundo colaborador, o terceiro, o diretor financeiro, era literalmente a venda deste telemóvel, a margem de lucro que gerava e quando é que podíamos investir.”

Diversificar é o novo salto

O principal produto que é comercializado pela Forall são iPhones. Uma estratégia pensada e que é justificada pelas competências técnicas que a empresa foi adquirindo. Mas nos rankings dos telemóveis novos mais vendidos há outras marcas que, cada vez mais, começam a ganhar quota de mercado. Neste sentido, a Forall Phones admite que poderá no futuro trabalhar com outras insígnias.

“Temos plataformas online que nos dão total conhecimento do software do telemóvel [iPhone]. Ao nível do hardware – ver se o ecrã está partido ou se a bateria não está bem – é relativamente fácil. Para compreender o que se passa lá dentro, ao nível do software, fazemo-lo através da experiência dos nossos técnicos e de máquinas e software que temos e que nos ajudam a correr testes. O nosso foco é o iPhone porque é o produto que compreendemos melhor. Com certeza que abriremos o leque a mais telemóveis, mas só quando tivermos o know-how necessário”, antecipa José Costa Rodrigues.

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