Turismo

Franceses expandem rede de hotéis ao Porto e Douro

Os empresários franceses Philippe Monnin e Alexandra Patek. FOTOGRAFIA: D.R.
Os empresários franceses Philippe Monnin e Alexandra Patek. FOTOGRAFIA: D.R.

O grupo Millésime acaba de abrir um hotel no centro do Porto. Os investidores franceses estão já a estudar novas localizações na cidade e no Douro

Demorou mais de dois anos a encontrar um edifício que se ajustasse aos critérios definidos para o investimento. Tinha de estar no centro histórico do Porto, ter um bom preço e revelar caráter. Acabaram por comprar dois prédios contíguos, nas proximidades da Batalha, e com três milhões de euros (valor da compra dos imóveis e da reabilitação) transformaram-nos num pequeno hotel de luxo, de traça portuense e gosto francês, já de portas abertas a turistas e à cidade.

O Cocorico Luxury GuestHouse e Restaurante é o mais recente projeto do grupo gaulês Millésime Collection, que procura agora oportunidades na zona da Foz e no Douro para expandir o conceito.
Este é o primeiro hotel do grupo Millésime fora do seu país de origem e o Porto, enquanto cidade ligada ao vinho e com forte dinâmica turística, era a escolha natural para se juntar à pequena rede de sete unidades em França, todas em regiões vinícolas (Bordéus, Champagne, Nantes). Como enfatiza Philippe Monnin, CEO da empresa, o conceito Millésime, designação dada aos vinhos de anos de produção excecional (como os vintage, no caso do vinho do Porto), é estabelecer unidades hoteleiras em regiões que se destacam pela excelência dos seus produtos vinícolas. Como tal, “era uma evidência começar a internacionalizar pelo Porto”.

O hotel portuense tem também a marca do seu millésime, à semelhança do que sucede nas outras unidades do grupo. Philippe Monnin estabeleceu o ano de 1091 para encabeçar este investimento, uma homenagem aos condes franceses D. Raimundo e D. Henrique e à constituição do Condado Portucalense. O Cocorico Luxury GuestHouse e Restaurante tem dez quartos, três são familiares, e um restaurante de cozinha francesa aberto ao público, sob a égide de Flora Mikula, uma cozinheira francesa de renome. O empresário francês estima que o hotel gerará receitas da ordem dos 1,5 milhões por ano.

A restauração é outro dos negócios do grupo Millésime que neste canto do galo (significado de cocorico em português) quer aliar o melhor da gastronomia francesa aos melhores vinhos do Douro. Segundo o gestor, todos os pratos servidos no restaurante são franceses e a ementa será renomada a cada oito semanas. O grupo explora oito espaços de restauração no país de origem.

Sempre a crescer
Philippe Monnin e Alexandra Patek são os rostos do Millésime. Durante mais de duas décadas trabalharam na área da gestão de ativos, Philippe vocacionado para as finanças e Alexandra especializada em leis. Até que um dia decidiram mudar de vida e criar um novo conceito de hotelaria, assente em histórias, no vinho e em património com alma. Em 2015, surgiu o primeiro projeto em Arcachon, nas proximidades de Bordéus. Hoje contam com oito hotéis, incluindo o recém-aberto no Porto, respondem por uma faturação de 10 milhões e empregam mais de 150 pessoas.

Apostados em ter uma rede de hotéis únicos, com uma capacidade que não excederá os 40 quartos, o casal está a analisar um conjunto de oportunidades para expandir a cadeia. O crescimento tem sido rápido e assim se deverá manter, fruto do modelo de negócio. “Quando detetamos uma oportunidade, com grande potencial turístico e tradições vinícolas, procuramos investidores, e é assim que temos desenvolvido a rede”, explica. Segundo o gestor, “cada projeto tem um investidor, para já só franceses, e nós procuramos ficar com 50%”. O foco de expansão está direcionado também para Avinhão (França), Priorato (Catalunha), Atenas (Grécia) e Milão (Itália). “Todas as semanas vemos seis a sete projetos”, adianta.

Philippe Monnin realça que o grupo não tem ambição de ser grande, mas é possível abrir um ou dois hotéis por ano e talvez dentro de uma década ter uma cadeia de 30 hotéis. “Seremos sempre muito específicos, com hotéis entre os 10 e os 40 quartos, queremos manter este espírito, ter sempre história e identidade.”

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