Futuro da Miralago depende de injeção de capital de 1,5 ME

O Tribunal de Anadia suspendeu , esta quarta-feira, a assembleia de credores da Miralago, a empresa-mãe das bicicletas Órbita, que também está em processo de insolvência, concedendo à devedora o prazo de cinco dias para apresentar um plano de recuperação.

No início da sessão, o administrador da insolvência indicou que a melhor solução para a satisfação dos credores seria a liquidação imediata da empresa, opinião que não foi partilhada pelo advogado da insolvente, para quem essa decisão “visa satisfazer apenas os interesses dos credores privilegiados”.

“Esta empresa não está definitivamente enterrada”, afirmou o advogado que apresentou uma primeira versão de um plano de recuperação, que depende da entrada de 1,5 milhões de euros no capital da empresa através de um investidor estrangeiro.

O advogado da insolvente, Henrique Albuquerque, defendeu que o plano de recuperação “é a solução que melhor protege a globalidade dos credores” da fabricante de bicicletas de Águeda.

Segundo Henrique Albuquerque o plano a apresentar prevê o pagamento da totalidade das dividas que é superior a nove milhões de euros, apenas com o perdão de juros, no prazo de cinco anos, para os trabalhadores e Estado, e no prazo de 10 anos, para a banca e fornecedores.

“Aquilo que queríamos hoje evitar era que fosse adotada uma solução de desmantelamento da Miralago e depois da Órbita, porque achamos que estas duas empresas são importantes no tecido empresarial nacional”, disse à Lusa o causídico, adiantando que o plano prevê que se possa recuperar cerca de 40 postos de trabalho.

Henrique Albuquerque referiu ainda que a entrada de 1,5 milhões de euros na empresa irá resolver os problemas de tesouraria, adiantando que as negociações com o investidor estrangeiro estão numa fase “adiantada”.

“Estamos a trabalhar ativamente no sentido de apresentar uma proposta de plano que passe pela realização de uma injeção de capital, através de um aumento de capital ou de outra forma, que permita depois à empresa ter aquilo que não tinha nos últimos tempos que era um fundo de maneio para poder retomar a sua atividade normal”, explicou.

O advogado disse ainda acreditar que o conflito entre a Órbita e a Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL) relacionado com o contrato para o fornecimento das bicicletas partilhadas da cidade de Lisboa “será resolvido a contento” da subsidiária da Miralago.

Alguns representantes dos trabalhadores manifestaram intenção de votar pela liquidação do ativo e pelo encerramento definitivo da empresa com efeitos imediatos, mas o juiz acabou por dar uma oportunidade à devedora para apresentar o plano, que deverá ser analisado na reunião de credores agendada para 10 de dezembro.

A Miralago apresentou-se ao processo especial de revitalização (PER) no início de maio no Tribunal de Aveiro. No total há quase 300 credores que reclamam dívidas de 9,5 milhões de euros.

Os maiores credores são os bancos aos quais a empresa deve quase seis milhões. Destaque para os 3,2 milhões exigidos pelo Santander e para os dois milhões do Banco de Negócios Internacional. O fisco reclama 85 mil euros, a Segurança Social quase meio milhão de euros e o IAPMEI um pouco mais de 414 mil euros.

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