indústria automóvel

Futuro da PSA Mangualde depende de apoio do Governo a projeto de 18 milhões

Diretor-geral da fábrica da PSA Mangualde, José Maria Castro, fotografado na linha de montagem. (Fernando Fontes / Global Imagens )
Diretor-geral da fábrica da PSA Mangualde, José Maria Castro, fotografado na linha de montagem. (Fernando Fontes / Global Imagens )

Fábrica do grupo PSA tem projeto pré-aprovado para produção de automóveis híbridos. Tudo depende do apoio do Governo e dos trabalhadores

2020 é um ano decisivo para a fábrica do grupo Peugeot-Citroën (PSA) em Mangualde. Até ao final deste ano, terá de ser aprovado um projeto de 18 milhões de euros para a produção de automóveis híbridos, com baixas emissões. Sem esse projeto, o futuro desta unidade fica em causa, admitiu esta sexta-feira o diretor-geral da PSA Mangualde, José Maria Castro.

A fábrica que estamos a imaginar para 2025 terá perto de 70% dos volumes de produção em versões eletrificadas. Sem esse projeto, a fábrica ficaria com apenas 30% de volume, o que neste mundo não é viável. Tenho dificuldades em imaginar a fábrica sem conseguir este projeto. É um projeto vital para a fábrica de Mangualde”, admitiu José Maria Castro em declarações aos jornalistas após a visita à fábrica do ministro da Economia, Pedro Siza Vieira.

Além da Opel Combo, este projeto também envolve a Citroën Berlingo e a Peugeot Partner, as outras carrinhas que são produzidas nesta unidade do distrito de Viseu. Mais detalhes sobre o projeto – que já está “pré-aprovado pela direção-geral da PSA” – serão conhecidos no final do ano.

Até lá, a aprovação deste projeto depende do apoio do Governo – através da agência de investimento AICEP – e também dos representantes dos trabalhadores, acrescentou José Maria Castro.

Do lado do Governo, o diretor-geral da PSA Mangualde “não tem dúvidas” de que vai contar com este apoio.

Do lado dos trabalhadores, as negociações serão iniciadas nas próximas semanas. “Temos de criar as condições de paz social que nos permitam consolidar o projeto. Mesmo que tenhamos o apoio do Governo, sem condições sociais não o conseguiremos executar. A greve dos trabalhadores acabou no final do ano. Pedimos às organizações sociais e à comissão de trabalhadores duas condições para negociar: fazer um reset de todo o conflito – não nos podemos sentar à mesa e negociar quando há processos judiciais – e pedimos para respeitar o que vai ser acordado, o que não nos parece nada de fora do normal. Esperamos uma resposta, que esperamos positiva, para podermos sentar-nos e negociar.”

Tal como está, a linha de montagem da fábrica de Mangualde está preparada para também passar a produzir automóveis híbridos e elétricos, admitiu José Maria Castro em entrevista ao Dinheiro Vivo e à TSF, em janeiro de 2019.

“No ano passado, com o projeto K9, a fábrica foi adaptada para flexibilizar toda a zona de produção mecânica e permitir que no futuro chegue um veículo híbrido, elétrico ou até com células de combustível. Das hipóteses de renovação de meia-vida do carro, estamos a estudar uma potencial versão híbrida ou elétrica, porque não teremos outra opção.”

Na altura, José Maria Castro admitia, na mesma entrevista, acelerar os planos de renovação da fábrica, que estavam previstos, inicialmente, para começarem em 2025. “Em princípio, daqui a seis anos, mas estamos a analisar uma potencial aceleração da eletrificação da gama. Mas isso também irá depender da aceitação dos clientes.”

(Notícia atualizada às 15h33 com mais informação)

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