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Galaxy Fold. “Dêem-nos mais algum tempo”, pede CEO da Samsung

DJ Koh, CEO Samsung mobile
Fonte: Samsung

O responsável pela área de mobile da Samsung, DJ Koh, indica que no devido tempo, será anunciada uma nova data de lançamento do dobrável Fold.

Em fevereiro, ainda antes de apresentar no evento Unpacked três modelos de telefone S10, os décimos da linha de sucessão Galaxy, DJ Koh tinha uma carta na manga. Ou melhor, no bolso, de onde tirou um Galaxy Fold, o primeiro smartphone dobrável da marca.

Mas o percurso do Fold até ao bolso dos consumidores não tem sido tão linear quanto seria esperado. Em declarações ao Dinheiro Vivo/DN Insider, após a apresentação do Fold em Londres, em fevereiro, Mark Notton, diretor da área de portefolio de produto e estratégia comercial da Samsung era o primeiro a admitir que o smartphone representava um “desafio de engenharia” – não só devido ao ecrã em si, mas também pela incapacidade de dobrar uma bateria.

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Ainda antes de um lançamento em mercados selecionados – onde se inclui o Reino Unido, Espanha, China ou Estados Unidos – a marca distribuiu algumas unidades de teste, para as habituais análises feitas pela imprensa especializada e por alguns youtubers do meio da tecnologia. Poucos dias depois, em abril, tornava-se público que era preciso mais algum tempo de maturação do produto – os principais relatos de problemas estavam ligados ao ecrã. Rapidamente, a empresa sul-coreana anunciava que era tempo de recolher as unidades de teste, cancelar eventuais lançamentos internacionais e voltar aos laboratórios para testar possíveis melhorias.

Não é a primeira vez que DJ Koh, que trabalha na Samsung desde 1984, enfrenta uma situação de recolha de produto e há quem faça o paralelismo com o lançamento do smartphone Galaxy Note 7, lançado em agosto de 2016. O smartphone acabaria por ser descontinuado poucos meses depois, devido a um problema com as baterias de elevada capacidade, que associavam ao equipamento o risco de incêndio. No pico da crise, os Note 7 chegaram mesmo a estar na lista de artigos proibidos em algumas companhias aéreas.

Mas DJ Koh, o ‘timoneiro’ que enfrentou a crise do Note 7, faz questão de esclarecer que se trata de dois momentos diferentes na história da empresa, durante uma mesa redonda com a imprensa europeia. “A diferença é muito clara. No caso do Galaxy Fold, tudo aconteceu antes do lançamento, enquanto no Note 7 tudo aconteceu já depois do lançamento. A raiz da questão do Note 7 era a bateria e tudo estava ligado à segurança do consumidor”. E DJ Koh resume o contexto do smartphone dobrável Fold numa palavra: “no caso do Galaxy Fold, não é segurança, mas sim qualidade”.

O responsável da Samsung recorda que a situação gerou “uma perda de seis mil milhões de dólares” à empresa. Mas DJ Koh prefere não recordar a situação do Note 7 apenas como um momento de perda para a tecnológica. “Com o Note 7 decidi que os seis mil milhões de dólares não seriam um custo, mas sim um investimento”.

Neste momento, o responsável da Samsung indica que “já estão definidas todas as questões que foram levantadas” por quem estava a analisar os telefones, acrescentando que quando acontecem situações do género, a empresa foca-se em “formas de resolução e na raiz do problema”. E ressalva que, em alguns casos, “as análises revelaram até questões em que não se tinha pensando”.

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Nesta altura, DJ Koh fala “em mais de dois mil dispositivos a serem testados, em todos os aspetos”. “Assim que as questões estiverem concluídas, vamos anunciá-lo. Dêem-nos mais algum tempo”, pede o CEO da área mobile, que tem também sob a sua alçada a área do wearables.

Quando foi anunciada a recolha e o adiamento das datas de lançamento do Fold em vários mercados, a Samsung referia que “dentro de algumas semanas”, seriam anunciadas novas datas.

Por enquanto, DJ Koh não marca uma data oficial, mas promete brevidade. “No devido tempo, vamos anunciar [o smartphone] oficialmente, mas não demorará muito”.

*A jornalista viajou para a Coreia do Sul a convite da Samsung

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