Mercado da Arte

Galeria Sala 117. A arte também é um investimento

Olinda Magalhães é o rosto da  galeria Sala 117. Fotografia: João Manuel Ribeiro/Global Imagens
Olinda Magalhães é o rosto da galeria Sala 117. Fotografia: João Manuel Ribeiro/Global Imagens

A arte é um investimento alternativo ao imobiliário e a produtos financeiros. Pode ter bons retornos. É preciso esperar

Olinda e Rui Magalhães têm paixão pela arte. O colecionismo era já uma prática do casal, até que passou a ser um negócio. Nasceu então a galeria Sala 117, no Porto, longe da rota dos espaços mais mediáticos instalados na artéria portuense consagrada à difusão e comercialização das belas artes, a Rua Miguel Bombarda. Olinda Magalhães definiu uma estratégia: apostar em jovens artistas, promover as suas obras e valorizar a sua arte.

A gestora, profissão que deixou no passado para abraçar a nova vida, ligada aos artistas e à difusão dos seus trabalhos, defende o investimento em obras de arte como uma alternativa aos setores imobiliário e financeiro. Reconhece que antes da crise, “a arte chegou a estar muito sobrevalorizada, atingiu valores que hoje são impensáveis”. Mas, já com as águas da recessão assentes, o negócio está a reflorescer e, defende, “é seguramente um bom investimento”.

Os números internacionais comprovam que o investimento em obras de arte não passa de moda. Segundo a Artprice, entidade que agrega dados sobre o mercado da arte a nível mundial, o volume de negócios global em leilões de obras de arte (pintura, escultura, desenho, fotografia, gravuras e instalações) atingiu os 8,45 mil milhões de dólares (ou 7,4 mil milhões de euros) no primeiro semestre deste ano, um crescimento de 18% face ao período homólogo do ano anterior. Neste período, venderam-se 229 peças acima dos 4,3 milhões de euros. Estas transações milionárias representam 40% das vendas totais, mas apenas 0,1% das operações. São obras de Picasso, Monet, Warhol, Basquiat, entre outros nomes consagrados. Já em 2017, o mercado valeu 13 mil milhões de euros.

Em Portugal, não há dados agregados do mercado da arte, mas Olinda Magalhães acredita que há um “grande potencial de valorização de jovens artistas”. Quando abriu a galeria, em 2015, e para garantir notoriedade, as paredes foram cobertas por peças de artistas portugueses já consagrados como José de Guimarães ou Júlio Resende. O acervo da galeria também incluiu nomes como Manuel Cargaleiro, Antoni Tàpies, André Lanskoy ou Árpád Szenes. “No início, estivemos mais focados em dar nome à galeria, apostámos em artistas de renome, colocando de lado a componente financeira”, conta.

Jovens artistas
Mas a aposta são os novos talentos, sendo que em arte o título “jovem” pode estender-se a uma existência com mais de meio século. É nesses artistas que há potencial de crescimento, principalmente quando bem encaminhados, divulgados, apoiados – salienta Olinda Magalhães. Neste momento, a Sala 117 tem em exposição as obras de Inês Teles, uma mostra com curadoria de Hugo Dinis. Inês Teles tem já experiência internacional quer ao nível da formação quer na participação em exposições em Londres ou Paris. Segundo Olinda Magalhães, esse crescimento do curriculum de um artista é um garante do potencial de valorização das obras.

Como sublinha, “não me interessa um artista com um trabalho de 100€, tenho de divulgar o criador, integrá-lo em exposições com outros nomes, fazê-lo crescer”. Para a gestora, as galerias fazem “o papel de Estado e de museu no apoio às artes”. Em fevereiro de 2019, a Sala 117 marcará presença na JustMad, feira de arte emergente em Madrid, que corre a par da ARCO, e que será o primeiro momento de internacionalização do espaço portuense.

Segundo Olinda Magalhães, há cuidados a ter nos investimentos em arte: é importante comprar em galerias e ter cuidado com os leilões, ou seja, exigir certificado da obra e fatura. E não esquecer que os jovens artistas são uma aposta a médio/longo prazo.

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