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6 hubs de startups a crescer fora dos EUA

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As novas cidades de startups já não ficam nos EUA. Estão a crescer perto dos mercados emergentes. E nós estamos na lista.

Se quando pensa em startups, é Sillicon Valley que lhe vem à cabeça, então está no passado. Sim, no passado. Na próxima década, as 600 maiores e melhor ligadas cidades vão alojar um quinto da população mundial, arrecadando dois terços do crescimento económico mundial e concentrando mais de metade do PIB global, de acordo com o McKinsey Global Institute. Por isso, os melhores locais para instalar uma startup já não são nos EUA. Veja quais são:

1. Istambul

A cidade fica entre a Ásia e a Europa, abrindo portas aos mercados emergentes orientais. O custo de vida é inferior ao de cidades como Londres ou Nova Iorque, a população é jovem, educada e ligada às redes sociais, não faltando licenciados em engenharias de que as startups tanto precisam. Além disso, a cultura local acolhe o empreendedorismo de braços abertos, com um crescimento do investimento de capital de risco em startups da cidade turca.

2. Dubai

Além de tudo ser novo, moderno e ousado na capital dos Emirados Árabes Unidos, o governo tem apoiado o ecossistema tecnológico da cidade através de políticas e impostos favoráveis aos negócios. Resultado: em 2014, os empreendedores lançaram na cidade 16,198 negócios (+18% que no ano anterior). Quais as vantagens? Os estrangeiros são bem vindos: a zona franca económica, com 22 clusters espalhados pela cidade, permite o registo de empresas sem o envolvimento de um sócio local e concede 50 anos de isenção de impostos da empresa e de rendimentos. A facilidade de obtenção de vistos atrai talentos de todo o Mundo que, por vezes, não conseguem instalar-se na Europa ou nos EUA. Em contrapartida, o custo de vida é elevado (é a terceira cidade do Médio Oriente mais dispendiosa para expatriados), os vistos custam 2 mil dólares (mais de 1800 euros) e as taxas de registo na zona franca custam entre 10 e 15 mil dólares (entre 9 mil e 13.600 euros) mais do que nos EUA ou na Austrália. Mas não é difícil encontrar apoio localmente, dado que há programas de apoio a startups que oferecem desde escritórios por valores acessíveis a descontos nos registos e nos vistos, além de darem acesso a investidores e capital de risco. A cidade tem três aceleradoras.

3. Santiago do Chile

As celebrações do bicentenário da capital do Chile, em 2010, atrairam uma multiplicidade de novos trabalhadores que estão a transformar a cidade latino-americana num verdadeiro hub de startups, já denominado de Chilecom Valley. Há cinco anos, o Governo lançou um programa denominado Start-Up Chile, que oferece 40 mil dólares (36,2 mil euros) e estadia de seis meses a estrangeiros, além de escritório grátis e apoio, mediante aceitação de mentoria por parte de chilenos. A “importação” de empreendedores estrangeiros tem dado resultado: desde junho de 2014, o programa atraiu mais de 12 mil candidatos de 112 países e aceitou 810 de 65 países. Desses, 132 empresas escolheram permanecer no Chile e já atrairam cerca de 26 milhões de dólares (24 milhões de euros) de investimento de capital de risco. O clima ameno agrada aos estrangeiros, as infraestruturas são modernas e eficientes (estradas, metro), o custo de vida é bastante inferior ao de S. Francisco ou Nova Iorque, os impostos para empresas são dos mais baixos na OCDE e a burocracia é considerada muito leve e “transparente”. No lado negativo, a cultura chilena é aversa ao risco e os jovens recém-licenciados não consideram o trabalho em startups como estável, pelo que não será tão fácil recrutar com base em percentagem da empresas, mas antes com base em salários reais. Obter financiamento específico para empresas de tecnologia também não é fácil e só nos últimos cinco ou seis anos os fundos começaram a investir em startups, o que lhes confere, geralmente, baixa avaliação.

4. Tallin, Estónia

Com políticas fiscais favoráveis e uma população que domina as tecnologias, o país da antiga república soviética já é chamado de “E-stonia”, uma ambicionada nação digital. O “e” vem do facto de todos os residentes terem uma e-identidade que dá acesso a todos os serviços públicos e que, desde outubro, é acessível a estrangeiros. Ou seja, para instalar a sua empresa na Estónia, não precisa de estar fisicamente lá. É aqui que está sedeada a Skype e outras 180 empresas num parque tecnológico chamado Tehnopol. Wi-fi público grátis (a internet foi declarada direito humano no país), população educada e sistema fiscal amigo dos negócios (não pagam impostos de investirem os lucros na empresa, por exemplo) atraem cada vez mais startups. Ainda assim, há falta de licenciados nas tecnologias de informação e o capital de risco é difícil de obter.

5. Shenzhen, China

A mega-cidade chinesa era, há 35 anos, uma aldeia de pescadores. Hoje está coberta de arranha-céus e centros comerciais gigantes, os salários já não são baixos e o custo de vida também não. Esta “cidade instantânea” tem vindo a atrair cada vez mais empreendedores, em especial de hardware, que, no passado, talvez só contratassem produção à cidade. Muitos começam na aceleradora Haxlr8r, onde mais de 50 empresas aprenderam o básico sobre produção e desenvolvimento de protótipos, angariação de fundos nos EUA, fabrico do produto e entregas para qualquer parte do mundo através da imparável rede de logística Pearl River Delta, poupando às startup tempo e dinheiro para chegarem ao mercado. Os empreendedores que não quiserem mudar-se para a cidade podem inscrever-se na incubadora em S. Francisco, onde são construídos protótipos que, depois, são enviados para fabrico na China.

6. Lisboa, Portugal

A realização do Lisbon Web Summit, este ano, marcará o início de uma geração startup, de acordo com o secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos. No ano passado, foi considerada Capital Europeia do Empreendedorismo, refletindo o aumento de startups, incubadoras e aceleradoras na cidade mais solarenga da Europa. Com investimento acessível através da Caixa Capital, da Faber Ventures ou da Portugal Ventures, os empreendedores encontram em Portugal um ambiente favorável ao rápido crescimento. E portas abertas para mercados difíceis de alcançar noutras geografias, como a América Latina, os países africanos de língua portuguesa ou os asiáticos, como Timor-Leste e Macau.

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