Inovação

Afinal, o futuro é o papel. E Portugal vai à frente

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A eletrónica de papel é uma das áreas que mais permitiu ao Cenimat destacar-se. E as empresas estão atentas à inovação.

Há cada vez menos papel no nosso dia a dia: as cartas passaram a emails, os jornais lêem-se online e os livros transformaram-se em e-books. Mas há quem esteja a navegar “contra a corrente”. No Cenimat, o Centro de Investigação de Materiais da Universidade Nova de Lisboa, liderado pela cientista Elvira Fortunato, o futuro é o papel. E as empresas portuguesas estão a “começar a aproveitar bem a inovação”, garante a investigadora. As potencialidades são enormes e a motivação incontornável: a sustentabilidade.

O centro tornou-se pioneiro com a criação do primeiro transístor em papel, em 2008, que valeu a Elvira Fortunato e à sua equipa o reconhecimento internacional que tem despertado o interesse das organizações. “No passado éramos nós que íamos ter com as empresas. Agora as empresas – também as portuguesas – têm evoluído. São muito mais recetivas porque sabem que a inovação é fundamental”, explica.

A nível nacional, o Cenimat está a trabalhar com a Navigator, num projeto criado no âmbito do programa Portugal 2020, e com a Imprensa Nacional – Casa da Moeda, com a qual foi assinado um “contrato grande” para desenvolver dois projetos: um de nome ‘papel secreto’ e outro para combater a falsificação de selos. Sobre estas parcerias não se conhecem pormenores. Há acordos de confidencialidade.

Ainda vai tardar até que a inovação criada no centro chegue ao nosso dia a dia. “Estamos envolvidos em vários projetos europeus, com várias indústrias. Mas estas coisas demoram tempo. E quando há tecnologias já bem instaladas, há toda uma cadeia económica. E não é fácil mudar”, diz a cientista.

O grande potencial está nas embalagens. Biodegradável e de origem renovável, a celulose permite fabricar embalagens que podem substituir as de plástico. E graças ao baixo custo, o papel pode ser a chave para criar embalagens inteligentes. Com a tecnologia atual, à base do silício, “não é viável”. Mas a eletrónica de papel “serve perfeitamente para essas aplicações”. Além de incluírem displays, as embalagens do futuro poderão incluir sensores que detetam a atividade de bactérias.

Parece ficção científica? Na Finlândia já estão a ser usadas embalagens de medicamentos inteligentes com alarmes que permitem controlar a hora da toma. “Começou-se com embalagens de medicamentos porque o custo [do produto] ainda é elevado, não é o mesmo de um pacote de leite”.

Além do trabalho que está a desenvolver com a indústria farmacêutica, o Cenimat tem projetos na área dos testes de diagnóstico. “Os testes dos diabetes, colesterol e da tuberculose podem ser feitos recorrendo a testes colorimétricos, como os de gravidez. São de papel e também de muito baixo custo”. Com estes projetos, que podem tornar-se “acessíveis a toda a gente”, o objetivo é reduzir o “distanciamento” entre o que está a ser desenvolvido no meio científico e o que chega ao cidadão comum que paga impostos. “No fundo é o dinheiro que temos aqui. Mesmo vindo da comunidade europeia, é o dinheiro dos contribuintes”. Em 2008, a cientista tornou-se a primeira portuguesa a conquistar uma Bolsa Avançada do European Research Council, de 2,5 milhões de euros.

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