China

Governo quer que Alibaba Group faça de Portugal um “tubo de ensaio”

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A AICEP assinou com o gigante chinês Alibaba Group um acordo de desenvolvimento estratégico para cativar empresas portuguesas para o mercado chinês.

Foi um esforço conjunto com ambições, desejos e promessas de dimensões gigantescas, o que se assistiu na manhã desta quinta-feira no Museu do Oriente, em Lisboa. Perante mais de 300 empresários portugueses, a primeira conferência do Alibaba Group no país, com o apoio do AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal) e do Millenium BCP, foi o primeiro grande passo oficial da gigante chinesa para atrair mais empresas portuguesas para o seu ecossistema.

Com o lema “A Porta de Entrada para as Empresas Portuguesas na China: E-Commerce, Tecnologia e Inovação”, a conferência marcou também o início oficial das operações do serviço Alipay, a forma de pagamento mais usada pelos chineses, em Portugal. O Alibaba Group fez uma parceria com o Millenium BCP e, juntos, lançam agora o serviço que vai facilitar os pagamentos aos turistas chineses que nos visitam. O primeiro teste desse tipo de pagamentos foi feito com a Worten e como ponto de partida existem já 10 negócios nacionais com essa possibilidade de pagamento para chinês usar – da Pandora, à Dior, passando pelos restaurantes de José Avilez.

Mas o objetivo da primeira conferência em solo nacional do Alibaba Group foi bem mais amplo do que isso. Como já noticiámos no início da semana, o objetivo do gigante chinês passa por disponibilizar aos comerciantes europeus e, neste caso, portugueses, o seu amplo e global ecossistema com serviços que vão da cloud, aos mercados online, passando pelos pagamentos, pelo acesso aos dados dos consumidores chineses até à escolha dos parceiros chineses certos para crescer na China. Foi isso que evidenciou no início da conferência Terry von Bibra, o diretor geral para a Europa, do Alibaba Group.

Para isso ajuda o marketplace gigante que o grupo tem na China, com 600 milhões de utilizadores ativos e 300 milhões deles da classe média – estimam que este número vai duplicar em cinco anos. Nos dois mercados disponíveis para as empresas portuguesas, o TMall e o TMall Global, já estão disponíveis algumas marcas portuguesas como a Delta Cafés, a Parfois e a Aptoide (neste caso usa o serviço Alicloud). Estas três empresas explicaram em palco, numa mesa redonda moderada pela diretora do Dinheiro Vivo e da DN Insider, Rosália Amorim, como está a ser a adaptação ao gigantesco mercado chinês e ao ecossistema do Alibaba Group e recomendaram às outras empresas portuguesas a tentar entrar.

No entanto, as três marcas nacionais já com presença internacional deixaram avisos como:

  • > “é preciso ter paciência e não escolher o caminho só a pensar em sucesso rápido”;
  • > “entrar no mercado chinês não é para todos, mas quem não está no ponto pode-se preparar para lá chegar”;
  • > “o mais importante é escolher o parceiro certo e nisso o Alibaba Group pode ajudar”; “quem quiser ter escritórios na China deve ter alguém na equipa que fale mandarim, é fundamental”;
  • > “é preciso ter uma estratégia de longo prazo e estar preparado para fazer totalmente diferente do que se faz em Portugal”;
  • > “o consumidor chinês é muito mais exigente nos detalhes que quer do produto que vê online e está muito mais preparado para comprar online e diretamente do telemóvel do que na Europa”;
  • > “no caso da Parfois fizemos uma experiência de loja pop up onde as pessoas testam os produtos na loja e compram online com o telemóvel lendo um QR Code, porque na China eles preferem fazer tudo com o smartphone”.

E o que são o TMall e o TMall Global? Este último é especifíco para servir as empresas que ainda não têm presença física na China e enviam os seus produtos de fora. Só da Europa existem hoje 1600 marcas que já abriram lojas na Tmall Global, que tem 18 mil marcas presentes de 74 países. A Delta Cafés, por exemplo, já está na TMall porque tem armazéns e escritórios na China, enquanto a Parfois está na TMall Global precisamente porque ainda não tem a sua operação logística montada na China.

O objetivo do Alibaba Group, do AICEP e do governo, que marcou presença acaba por ser mais amplo do que levar empresas nacionais a exportarem para a China pelo e-commerce. A ideia é que o ecossistema do grupo chinês que envolve também um serviço de viagens chamado Fliggy, ao ter uma maior presença de marcas portuguesas, possa também cativar os mais de 131 milhões de chineses que viajam para fora do seu país por ano a virem a Portugal. Em 2017 Portugal já recebeu perto de 300 mil turistas chineses e os números têm crescido 40% por ano, indicou Luís Castro Henriques, CEO e Chairman do AICEP.

O responsável elogiou a sala cheia, como um bom sinal para o futuro e a assinatura do acordo de desenvolvimento estratégico com o Alibaba Group, que será “um passo importante para mais empresas exportarem online”. Com esse acordo, o AICEP compromete-se a divulgar o ecossistema do Alibaba Group e apoiar empresas portuguesas que queiram estar na sua plataforma, colocando ao seu dispor parcerias que já estão em andamento e formações específica para empresários. Este esforço faz parte da estratégia para que 50% do PIB português venha das exportações. “Usem-nos”, disse Castro Henriques para a audiência.

Já Ana Mendes Godinho, secretária de Estado do Turismo, também esteve em palco, destacando o acordo entre Portugal e a plataforma Fliggy em 2017 para que o país tivesse uma página específica para visitante chineses nesse serviço amplo de turismo e viagens do Alibaba Group. “O que os chineses gastaram o ano passado em Portugal cresceu 80%, o que mostra que são um povo pronto para comprar os nossos produtos”, disse a governante que agradeceu as novas parcerias e lançou um desafio: “Portugal é um bom país não só para visitar, para investir, para viver, para testar produtos mas também para ser uma porta de entrada para Europa”. Ou seja, a secretária de Estado quer que o Alibaba Group faça de Portugal “um tubo de ensaio e um país piloto na Europa” para o gigante chinês.

Para terminar, a governante comparou esta entrada pelo e-commerce do gigante chinês em Portugal com os navegadores portugueses que chegaram à China há 500 anos. “No século XVI fomos nós os exploradores a chegar à China, agora são vocês a descobrir Portugal”.

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