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Rita Meneses. “É a inovação que nos abre as portas para a exportação”

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A CEO da Cabopol recebeu o Prémio do Jovem Empresário da ANJE e Dinheiro Vivo que distingue um líder pela capacidade de gestão, liderança e inovação

Rita Meneses é a jovem gestora, com menos de 40 anos, que venceu o Prémio Jovem Empresário ANJE Dinheiro Vivo. Lidera a Cabopol, com perto de 200 funcionários e lucros em 2016 de quase dez milhões de euros, e desenvolveu a tecnologia dos plásticos biodegradáveis da Biomind, ambas no Grupo Mekkin. Foi decisivo o seu papel na aproximação à investigação e à inovação e o sucesso na gestão de vários projetos que tem em mãos. Adelino Costa Matos, presidente da ANJE, realça a importância da distinção de jovens empresários com perfil modelo. O galardão “vem destacar uma figura entre os jovens gestores que estão a marcar positivamente a nossa economia pelos resultados obtidos, mas sobretudo pelo exemplo na liderança, inovação e coordenação de empresas no mercado”. Para Rita Meneses a distinção é um motivo de orgulho, apesar de ser fruto de um trabalho de equipa.

O que significa, para si, este prémio?

Este tipo de distinções são um grande contributo para a sociedade e para a economia, porque, no final do dia, acabam por nos reconhecer mérito e tudo incentiva. Tudo nos empurra e tudo nos ajuda. É bastante motivador. Claro que não é um prémio individual, resulta de muito trabalho de toda a minha família, do meu pai, Artur Meneses, da minha mãe, Filomena Meneses e que eu e o meu irmão temos tentado dar continuidade.

A Rita deu, na Cabopol, essa continuidade ao trabalho dos seus pais. Foi uma herança difícil ou a casa já vinha arrumada?

A responsabilidade é muita, quando iniciamos um processo destes, e a casa nunca está suficientemente arrumada. Há sempre muito trabalho para fazer e, hoje em dia, as empresas precisam de se reinventar a toda a hora e estar sempre atentas ao que se passa. A casa até estava arrumada, mas há todo um percurso e uma dinâmica aos quais é preciso dar continuidade. Foi um desafio, mas sempre houve na nossa família uma lógica de trabalho e empreendedorismo e isso tornou o processo muito mais fácil.

O primeiro sucesso da Rita vem com a criação da Biomind, com a tecnologia dos plásticos biodegradáveis. É importante trazer uma consciencialização social e ecológica aos negócios?

Sem dúvida. Para além do contributo económico que este tipo de projeto traz para as empresas – porque realmente há oportunidade e vão ter que existir mudanças a este nível em todos os setores – também é importante as empresas e todos contribuirmos. Se há possibilidade de produzirmos e consumirmos bens amigos do ambiente, todos temos então de fazer a nossa parte.

Qual é o investimento que faz em tecnologia para a inovação destes plásticos biodegradáveis?

O Biomind é um plástico biodegradável e combustível que se desintegra 100% em húmus após três meses. Este produto foi desenvolvido e patenteado pela Cabopol e resulta de uma tecnologia que desenvolvemos, mas é um investimento que continuamos a fazer, até porque hoje em dia este produto tem muitas aplicações, desde sacos de plástico a fraldas de bebés, passando pelas cápsulas de café. Infelizmente, não em Portugal, mas felizmente em muitos países da Europa, onde já é obrigatório por legislação haver esta consciência e esta necessidade de usar este tipo de produtos e não outros.

Tentou introduzir o produto em Portugal?

Tentei. E a nível de legislação, na altura, não houve abertura quando tentámos apresentar o produto. Houve alguma resistência à mudança, tendo em conta a diferença no preço. Mas a verdade é que isto [a questão da preocupação ambiental] é algo que já ninguém pode parar. É uma questão de tempo. Havemos de chegar lá.

E quais são os vossos planos para o futuro?

A Cabopol é uma empresa que investe muito em tecnologia e em inovação, todos os anos, e vamos continuar nessa lógica. É a inovação que nos abre as portas para a exportação e não o contrário. Eu acho que a exportação é naturalmente uma consequência da inovação. Quando temos um produto inovador e com um valor acrescentado, vende-se bem em várias partes do mundo. E vamos continuar nesse caminho. Não temos uma métrica que queiramos atingir, só queremos continuar a investir e a inovar, muito concentrados na qualidade dos nossos produtos e a estar no topo da cadeia.

Voltando ao prémio de jovem líder empresária abaixo dos 40 anos, e sendo mulher, alguma vez sentiu alguma descriminação – etária e de género?

Sim. Inúmeras vezes e, na verdade, divirto-me com isso, das duas situações. Já aconteceu eu aparecer e as pessoas não estão à espera de ver alguém tão jovem e ficam receosas. Mas depois tudo flui e essa preocupação deixa de existir. Enquanto mulher, é o meu maior desafio, porque também sou mãe e gosto muito de trabalhar. E hoje em dia trabalha-se como se não tivéssemos família e temos filhos como se não trabalhássemos. Portanto é um desafio enorme. Mas eu gosto de desafios.

Juri. Como e por quem foi escolhida a vencedora

A lista que serviu de base à seleção dos candidatos foi a mesma da edição do Dinheiro Vivo nº 299, de 6 de maio, que elegeu 40 líderes abaixo dos 40 anos. Daqui saiu uma vencedora, escolhida por João Vasconcelos (Clearwater International), Rosália Amorim (Dinheiro Vivo), José Sampaio Freitas (ANJE e Mota-Engil), Tiago Fernandes (Frezite) e Paulo Sousa (Grupo PROEF).

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