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Comboio a vapor volta ao Vouga após 20 anos de ausência

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Locomotiva a carvão vai fazer duas viagens em dezembro entre Aveiro e Sernada do Vouga graças a parceria entre CP e município de Águeda.

O comboio a vapor vai voltar a circular na linha do Vouga após duas décadas de ausência. Serão realizadas duas viagens turísticas dias 14 e 21 de dezembro, bem perto do Natal, com uma locomotiva a vapor alimentada a carvão e três carruagens de madeira.

A formação aos maquinistas que vão operar esta locomotiva decorreu esta sexta-feira entre Aveiro e Sernada do Vouga. O regresso deste comboio apenas é possível graças a uma parceria entre a CP e o município de Águeda.

“É um dia muito feliz. É um sonho muito antigo e pelo qual lutámos muito para conseguir concretizar”, sublinhou Jorge Almeida, presidente da câmara de Águeda, em conversa por telefone com o Dinheiro Vivo a partir da estação de Sernada do Vouga.

“O país não pode abdicar deste material porque há muitos entusiastas dos comboios um pouco por todo o mundo e que estão muito bem informados. É uma oportunidade rara”, destaca o autarca que se sentiu como “um miúdo com um brinquedo”.

Não é caso para menos. Esta locomotiva, a E214, é a única da frota da CP que está preparada para circular em via estreita (também conhecida como bitola métrica). Funciona exclusivamente a carvão e água e lá dentro têm de estar fogueiros para que a máquina não pare.

Na linha do Douro, também há uma locomotiva a vapor mas que é alimentada a gasóleo e que está preparada para circular em bitola ibérica. Nos últimos anos, esta unidade tem realizado viagens entre Peso da Régua e o Tua, numa viagem com vista para o rio Douro e as vinhas em socalco, em pleno Património Mundial da UNESCO.

Regresso adiado

Inicialmente, o comboio a vapor deveria ter feito viagens nos dias 13, 20 e 25 de abril. Só que o risco de incêndio no troço de 34,6 quilómetros, com muita floresta, acabou por levar ao adiamento deste programa turístico, escreveu na altura o jornal Público.

A locomotiva E214 chegou a território português em 1923 depois de ter sido dada pela Alemanha para compensar a participação de Portugal na I Guerra Mundial. No final do século passado, esta locomotiva ainda funcionou na linhas do Corgo e do Sabor, também de bitola métrica, que foram fechadas nos últimos anos.

Agora, o presidente da câmara de Águeda agradece o esforço dos últimos três presidentes da CP (Nuno Freitas, Carlos Gomes Nogueira e Manuel Queiró) para colocar de volta este material centenário em marcha.

Mais informações e preços dos bilhetes desta viagem com história deverão ser reveladas no início da próxima semana pela CP.

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