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Croft. Casa mais antiga no vinho do Porto comemora 430 anos

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Marca do grupo Taylor's assinala o aniversário com o lançamento de um Reserva Ruby de edição limitada.

A Croft, que se assume como a empresa de vinho do Porto mais antiga em atividade, comemora esta quinta-feira o seu 430º aniversário. E para assinalar a data, o grupo The Fladgate Partnership, que detém, ainda, as marcas Taylor’s, Fonseca e Krohn, lança um Reserva Ruby de edição limitada. São 100 mil garrafas, para os 35 países em que a Croft está já presente, e que terão um preço de venda ao público de 17,90 euros. “Celebramos o passado, mas pensamos o futuro”, garante Adrian Bridge, diretor-geral da Fladgate, que sublinha: “O vinho do Porto nunca estará fora de moda”.

A história da Casa Croft remonta à Merchants Company of York, cidade que constituía, então, um dos principais centros de comércio de Inglaterra. Foi em 1588 que Henry Thompson foi admitido na Merchants Company, “empresa que viria a tornar-se a casa de vinho do Porto que hoje conhecemos como Croft”. E que integra o universo do grupo Taylor’s em 2001.

O negócio envolveu a compra dos ativos de vinho do Porto da multinacional Diageo, sob as marcas Croft e Delaforce, sendo que os ativos de xerês foram, então, adquiridos pela espanhola Gonzalez Byass. E o acordo foi assinado a 10 de setembro, na véspera do fatídico ataque às torres gémeas, em Nova Iorque. “Se, por qualquer razão, aquele contrato tivesse sido adiado por uma semana que fosse não sei se alguma vez o negócio teria sido feito. Não nos esqueçamos que o mundo mudou com o 11 de setembro e com o anúncio de guerra ao terrorismo do presidente Bush. Foram tempos de grande incerteza”, recorda Adrian Bridge.

Mas a venda fez-se e constitui, ainda hoje, o maior investimento de sempre do grupo no sector do vinho do Porto: 31 milhões de euros. O mesmo valor que aplicou na construção do Hotel The Yeatman, em Vila Nova de Gaia, inaugurado em 2010, mas que não se compara com os 100 milhões que está a aplicar, agora, na construção do World of Wine, o centro de visitas com museus, restaurantes e lojas de artesanato na zona histórica de Vila Nova de Gaia e no qual está a aplicar 100 milhões de euros. A Delaforce viria a ser vendida em 2007.

Roêda. A jóia da Douro
O negócio com a britânica Diageo, o maior fabricante de bebidas destiladas do mundo, marca, também, a criação do grupo The Fladgate Partnership e o regresso da Quinta da Roêda, no Pinhão, vendida em 1899, ao universo da família. “Até então, a empresa era conhecida como a Taylor’s Fonseca, as duas marcas de vinho do Porto que tínhamos. A compra da Croft veio aumentar em 50% o nosso negócio, mas marcou, também, a entrada de 82 novos trabalhadores. E foi, precisamente, para que se pudesse encaixar tudo sobre uma única marca global e com uma nova visão, que se criou a Fladgate”, explica Adrian Bridge.

Sobre a Roêda, o gestor lembra que “atrás de cada grande produtor de vinho há um grande vinhedo” e esta é uma “quinta emblemática, com uma localização fabulosa” que inspirou o poeta Veiga Cabral, que escreveu: “Se o Douro fosse um anel de ouro, a Quinta da Roêda seria o seu diamante”. Uma propriedade com 130 hectares e 330 mil pés de vinhas plantados, na qual a Fladgate investiu já mais de 10 milhões de euros só na construção de uma nova adega e em vinhas, novas ou replantadas. Sem falar na construção de um centro de visitas na propriedade, inaugurado em 2016, e no qual foram investidos mais 1,5 milhões. Um espaço que recebeu 25 mil turistas em 2017, a que acrescem os 40 mil que passaram pelas Caves Croft em Vila Nova de Gaia.

Em 17 anos, as vendas da Croft diminuiram em volume, mas cresceram “substancialmente”, em valor, com “um grande enfoque nas categorias especiais, designadamente nos Vintage”. O mais recente, o Croft Vintage 2016, lançado este ano, foi já classificado como um vinho “para a posteridade”. Mais do que o volume, a grande preocupação é a qualidade, “razão pela qual a primeira coisa que fizemos, quando adquirimos a propriedade, foi reinstalar os lagares para se fazer a tradicional pisa a pé”. Nas vinhas foi implementado um novo modelo de cultivo que permitiu recuperar a paisagem e a biodiversidade e premiado em 2009 como exemplo de sustentabilidade. Em 2001, quando integrou o universo Taylor’s, menos de um terço das vendas da marca era de categorias especiais. Hoje, a situação inverteu-se e valem dois terços. No mercado nacional, onde a Croft não tinha praticamente qualquer expressão – vendia 144 caixas em Portugal em 2001 -, as categorias especiais asseguram hoje 80% das 12 mil caixas que vende ao ano. “Foi uma transformação brutal”, diz Adrian Bridge, que se afirma “orgulhoso” do trabalho desenvolvido. E com o desenvolvimento crescente do Turismo, Portugal é, até, acredita, “o mercado com maior potencial de crescimento”.

Pink. A inovação aliada à tradição
Mas nem só de tradição é feito o percurso da Croft. A marca é conhecida como um exemplo de inovação com o lançamento do Croft Pink, em 2008, que assinala a criação de uma nova categoria de vinho do Porto, o rosé. Um projeto que levou três anos a implementar, num sector altamente regulamentado, mas que permitiu angariar novos consumidores e, sobretudo, criar novos momentos de consumo para o vinho do Porto, por via do seu uso na elaboração, por exemplo, de cocktails. “A Croft, sendo reconhecida pelos seus Vintages, é hoje a marca no grupo que tem mais consumidores jovens. E essa regeneração dos consumidores é muito importante, porque estamos a semear o futuro”, defende o responsável da Fladgate. Que acrescenta: “Hoje, o rosé vale quase 1,5% das vendas totais de vinho do Porto. Parece pouco, mas é o equivalente, em volume, às vendas de Vintage. E foi possível atingir esse patamar sem canibalizar qualquer uma das outras categorias de vinho do Porto”.

Adrian Bridge reconhece que o vinho do Porto tem perdido vendas anuais, em volume, na ordem dos 1 a 2% e admite até que elas vão continuar. “O mais importante”, defende, é que “as vendas em valor vão continuar a crescer”. Em 2017, as categorias especiais atingiram uma quota recorde de 22,4% em volume, mas representaram 47,2% em valor. Uma boa notícia, mas que obriga a “encontrar soluções sustentáveis” para o Vale do Douro. “Se é um problema dos nossos produtores, é um problema nosso também”, argumenta este responsável.

Sobre o futuro, o diretor-geral da Fladgate promete uma aposta contínua na qualidade, mas, também, na capacidade de inovar. Por exemplo, o vinho do Porto esteve presente no casamento real de Henry e Meghan… sob a forma de gomas produzidas com Vargellas 1984, o vinho do Porto da Taylor’s servido no batizado do príncipe. A Fladgate não teve qualquer intervenção e soube pela comunicação social. E aplaude. “Há sempre formas de inovar”, diz Adrian Bridge.

O programa de comemorações arranca, esta tarde, com uma prova vertical de Vintages da Croft de 1945 a 2016, comentada por David Guimaraens, diretor técnico e enólogo do grupo, seguindo-se uma jantar de celebração na Feitoria Inglesa. Pelo meio há, ainda, um momento de celebração dos 10 anos de lançamento do Croft Pink.

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