Lisbon Mobi Summit

Governo vê oportunidade na mobilidade moderna mas também vê risco

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Carros autónomos vão transformar a sociedade e as infraestruturas. Portugal quer ser relevante nesta mudança.

“As transformações que estão a ocorrer na mobilidade são fundamentais para a sociedade no futuro, criando muitas oportunidades mas também novos riscos”, alertou o ministro do Planeamento e Infraestruturas, na abertura, ontem, do evento de lançamento do Lisbon Mobi Summit, que decorrerá em setembro.

Pedro Marques, que falava na sede da EDP em Lisboa, pegando no exemplo da condução autónoma, apontou desde logo que a digitalização “coloca desafios ao mercado de trabalho, às competências da população e conduzirá à transformação dos setores tradicionais”, apesar “dos ganhos em eficiência e segurança”. A reflexão, por isso, “deve ser orientada no sentido do que for melhor para o bem-estar da sociedade e para o crescimento e competitividade da economia”.

O mesmo acontece com os veículos partilhados, que podem afastar pessoas dos transportes públicos, apesar de estes “continuarem a ser necessários”.

O governo vai continuar a apoiar o cluster da mobilidade, através dos fundos do Portugal 2020 e do futuro Portugal 2030. Exemplo disso é o investimento de 150 milhões de euros para a renovação de 516 autocarros de transporte público – 78 elétricos e 438 a gás natural -, anunciou o secretário de Estado adjunto e do Ambiente, José Mendes. Este investimento tem apoio estatal de 50 milhões de euros e vai permitir a redução anual das emissões em 4900 toneladas de CO2.

“A mobilidade elétrica é uma tendência irreversível e está a acontecer a uma velocidade que muitos não esperavam”, apontou o presidente da EDP, António Mexia. O gestor comparou a surpreendente rapidez desta nova vaga com o que aconteceu há cerca de 12 anos com as energias renováveis. “Pensava-se que era algo marginal e hoje é central”, disse, revelando que a EDP é hoje o quarto maior produtor do mundo em energias renováveis. Uma posição em linha com o compromisso europeu de redução de 85% das emissões até 2050.

António Mexia abordou também a necessidade de alterações na legislação e fiscalidade. Lembrando que a área da mobilidade vai atrair investimentos de largos milhões de euros, o presidente da EDP deixou um recado ao governo: “Só haverá investimento se se perceber o enquadramento e houver estabilidade de regras”.

Pelo Global Media Group, Daniel Proença de Carvalho assumiu que o objetivo da Lisbon Mobi Summit é “colocar Portugal no mapa da revolução da mobilidade mundial”.

Portugal já tem uma palavra a dizer na revolução dos transportes, sobretudo nos veículos e nas infraestruturas de carregamento, como ficou evidenciado no debate “Os desafios e uma nova ambição para a mobilidade”.

O CEiiA – Centro para a Excelência e Inovação da Indústria Automóvel falou sobre o Flow.Me, protótipo de veículo-drone elétrico e autónomo que poderá ser partilhado, segundo o líder, José Rui Felizardo.

A Efacec está a produzir supercarregadores para a Europa e os Estados Unidos e assume que quer ser líder neste mercado, ambiciona Duarte Ferreira, diretor de desenvolvimento de negócio global. A empresa está também a concluir um investimento de 3,5 milhões de euros na fábrica e que permite produzir carregadores rápidos que armazenam baterias.

A energia para os carregadores é proporcionada pela EDP, que já investiu em 10 postos e pretende “criar uma relação com o cliente que vá além do consumo em casa”, segundo o administrador Miguel Stilwell de Andrade.

A nova mobilidade também implica a mudança do conceito de posse do veículo e é desafiadora para as fabricantes de automóveis, que terão de encontrar oportunidades noutros serviços.
“Em 2025, todos os carros estarão conectados. Por exemplo, se uma válvula se avariar e estiver um carro a 100 metros para o reparar, esse processo pode demorar apenas 10 minutos”, exemplifica Pedro de Almeida, administrador da SIVA.

Apesar de “a maior parte da mobilidade ser feita fora das cidades”, é dentro dos espaços urbanos que vão ocorrer as principais transformações na maneira como circulamos, segundo Pedro Rocha e Melo, vice-presidente do conselho de administração da Brisa. Dentro das cidades, “utilizar um carro partilhado é uma forma muito eficiente e é muito mais interessante do que comprar carro novo”. A Brisa, através da Via Verde, já antecipou esse cenário e desde setembro ajuda a gerir em Portugal as operações da DriveNow, empresa de carsharing que já realizou mais de 50 mil viagens em território nacional.

A conectividade implica também grandes desafios a nível da segurança, porque os carros vão passar a ser um alvo dos piratas informáticos, sobretudo quando estiverem em modo de condução autónoma, como lembra Sofia Tenreiro, CEO da Cisco em Portugal.

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