Energia

Iberdrola inaugura primeiro parque eólico offshore na Alemanha

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Em desenvolvimento estão mais quatro projetos de eólica marítima, mas nenhum é em Portugal

A Iberdrola inaugura esta segunda-feira, em Sassnitz, no leste da Alemanha, o parque eólico de Wikinger, um investimento de 1.400 milhões de euros, no Mar Báltico, que marca a entrada da elétrica espanhola no mercado alemão. Em desenvolvimento, até 2023, estão já mais quatro projetos na Alemanha, França, Reino Unido e Estados Unidos num investimento total da ordem dos 8.800 milhões de euros para uma capacidade instalada de quase 2.500 megawatts.

Em Portugal, a Iberdrola tem em curso um dos maiores projetos europeus de energia hidroelétrica, com a construção de três barragens no Alto Tâmega, um investimento de 1.500 milhões de euros que vai gerar 6% da eletricidade do país. O eólico offshore não é um negócio em perspetiva, pelo menos no médio prazo, atendendo às condições especiais da costa portuguesa que obrigam ao uso de turbinas flutuantes, com elevados investimentos associados que comprometem a rentabilidade dos projetos. O único projeto offshore previsto em Portugal é o Windfloat, ao largo de Viana do Castelo, e que está a ser desenvolvido pelo consórcio WindPlus liderado pela EDP Renováveis. E Patrícia Salamanca, uma das responsáveis pelo projeto Wikinger, assume que, para já pelo menos, a tecnologia flutuante não é uma das prioridades do grupo Iberdrola. “Está por definir a estratégia futura da Iberdrola nessa área”, diz.

O que seria necessário para que a energética espanhola avançasse com um possível investimento em Portugal? “O mesmo que em qualquer mercado do mundo”, diz Patrícia Salamanca, que especifica: “Um quadro regulatório estável e projetos viáveis do ponto de vista técnico”.

A funcionar desde dezembro de 2017, altura em que foi ligado à rede elétrica alemã, o parque de Wikinger é o segundo complexo eólico offshore da Iberdrola, a seguir ao britânico West of Duddon Sands (WoDS), mas é o primeiro totalmente desenhado e operado por si. Tem garantida uma tarifa protegida de 194 euros por megawatt/hora e que estará em vigor durante cerca de 11,5 anos, uma bonificação de três anos e meio a mais concedida em função da distância do parque face a terra e da profundidade a que está instalado. Em causa estão 70 turbinas, a 75 quilómetros da costa, com uma potência instalada de 350 megawatts que permite abastecer 350 mil lares, ou seja, responde a 20% das necessidades totais de consumo do estado federal alemão de Meclemburgo-Pomerânia Ocidental. O projeto está a funcionar “a plena capacidade e dentro dos objetivos”, garantiu Patricia Salamanca, responsável da Iberdrola que falou aos jornalistas à margem de uma visita ao parque do Mar Báltico este domingo.

Mas Wikinger tem já uma segunda fase prevista, com a adjudicação recente da construção de mais dois parques eólicos marinhos na zona: o Baltic Eagle, com 476 megawatts de capacidade instalada, e o Wikinger Süd com 10 MW. Em conjunto, as três infraestruturas, situadas ao largo da ilha de Rügen, vão dar lugar “ao maior complexo offshore do Mar Báltico”. Recorde-se que a Alemanha tem vindo a apostar fortemente nas energias renováveis, pretendendo que, até 2020, metade do consumo energético do país seja assegurado por energias limpas. E Wikinger, só nesta primeira fase, vai contribuir para reduzir a cerca de 600 mil toneladas de CO2 ao ano.

No pipeline estão, ainda, os parques eólicos offshore de Saint-Brieuc, na costa da Bretanha francesa, a 100 quilómetros da cidade de Rennes, (potência instalada de 496 MW) e de Vineyard Wind, na costa do estado americano do Massachusetts, um projeto desenvolvido em parceria com o fundo dinamarquês Copenhagen Infraestructure Partners. Um investimento de 2.400 milhões de euros para uma capacidade total de 800 MW, que será desenvolvido em duas fases, a primeira das quais terá de estar operacional a 15 de janeiro de 2022 e a segunda um ano depois.

Em construção, em águas britânicas do Mar do Norte está já o East Anglia, que começará a operar em 2020 e será um dos maiores parques eólicos marítimo do mundo, com 714 MW de capacidade e um investimento estimado de 2.500 milhões de libras (cerca de 2.800 milhões de euros). A funcionar desde 2014, no mar da Irlanda, está o West of Duddon Sands (WoDS), o primeiro parque eólico offshore do grupo espanhol, mas que constitui projeto conjunto com a dinamarquesa Orsted. Representou um investimento de mais de 1.600 milhões de libras (1.800 milhões de euros) e tem uma capacidade produtiva de 389 megawatts.

  • * A jornalista viajou a convite da Iberdrola
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