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Matos Fernandes: “Não haverá nenhuma epifania, apenas uma mudança de hábitos”

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A revolução que começa esta segunda-feira nos transportes públicos deve-se, em parte, a João Matos Fernandes. O ministro do Ambiente e da Transição Energética antecipa ao Dinheiro Vivo os efeitos do programa PART no rendimento das famílias e na poluição atmosférica.

Que impactos espera do programa?
Até ao final deste ano – têm crescido entre 4% e 5% as viagens em transporte coletivo nos últimos dois anos – queremos ter mais 10% de passageiros. Estamos a libertar rendimento às famílias. Na Área Metropolitana do Porto (AMP), são mais de 280 mil pessoas a beneficiar de uma redução metropolitana no preço dos passes, que passam de entre 47 e 140 euros para 40 euros, e são 800 mil as pessoas cujo passe municipal vai descer de 40 para 30 euros. Estas situações terão impacto na qualidade de vida das cidades, sem penalizar a mobilidade e vão contribuir para a descarbonização. O setor dos transportes tem de reduzir as suas emissões em 26%, até 2030.

Apesar de até 40% do financiamento do PART se destinar à redução da oferta, praticamente todas as verbas vão aplicar-se na redução dos preços?

Das verbas distribuídas, 82% são para a redução tarifária. No Algarve, os passes vão custar metade; em Braga, Guimarães e Leiria, a redução varia entre 40% e 50%; em Viseu, a diminuição será de 20%. A comunidade intermunicipal (CIM) do Tâmega, por exemplo, apostou no aumento da oferta através de uma bolsa de quilómetros para a construção de um sistema de transporte flexível, o que acaba por ir ao encontro do povoamento difuso da região. A variedade de propostas resulta das diferenças de sistemas de transportes entre as AM e CIM e das opções políticas tomadas pelas autarquias.

Não teme que possa haver pouca gente a deixar de utilizar o carro porque simplesmente continua sem oferta?

Há muitas famílias que já têm a sua estrutura de transporte montada e que ainda neste ano letivo vão ter alguma dificuldade em fazer alterações. Não vai haver nenhuma epifania amanhã. Passará a haver uma mudança de hábitos. Em Lisboa, por exemplo, a Fertagus estava fora do passe intermodal. Ao passar para lá, vai haver um aumento expressivo da procura.

Qual o investimento no reforço da oferta de transportes?
Há 715 autocarros a serem distribuídos por todo o país: dois terços ficam nas áreas metropolitanas. Haver mais ou menos procura agora dependeu da capacidade que as empresas de transporte tiveram para recorrer a autocarros com maior desempenho ambiental. Só a expansão dos metros de Lisboa e do Porto, a compra dos barcos para a Transtejo e das composições e sistemas de sinalização do Metro de Lisboa custam 715 milhões de euros.

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