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Na fábrica da Huawei onde humanos (60h/semana) e robôs fazem smartphones

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Dos 1,5 mil milhões de telefones de 2018, 200 milhões vieram da fábrica da Huawei de Dongguan, que visitámos. Cada P30 é feito em 28,5 segundos

Nas ruas de e Dongguan – outrora conhecida como a cidade do sexo na China – não é fácil encontrar um ocidental, ao contrário do que vemos a 1h de distância, em Shenzhen, cidade apelidada como a nova Silicon Valley e que faz fronteira com Hong Kong. Dongguan é hoje conhecida como a fábrica mundial de smartphones do mundo e estima-se que um em cada seis smartphones a nível mundial é feito por ali, a maioria produzidos na fábrica da Huawei, por onde passámos (produziu 200 milhões o ano passado e foi líder de vendas em Portugal pela primeira vez, superando a Samsung).

A cidade alberga também, a poucos quilómetros da fábrica, o impressionante e inspirado em edifícios europeus novo quartel-general de investigação da Huawei – publicaremos reportagem em breve. Dongguan vive uma época de transição curiosa. Há mais jovens de formação superior e de novas exigências e edifícios altos e modernos a nascerem como cogumelos, em contraste com o passado.

Os números da fábrica, por si só, são impressionantes. Ao longo de 20 edifícios a perder de vista, cada com três pisos, trabalham 21 mil funcionários num total de 1,4 de km2 de área de produção. O objetivo? Produzir os smartphones da Huawei, a segunda maior fabricante mundial (17% de quota no mercado mundial). Para visitarmos o interior, que não podíamos fotografar, foi preciso ficar parecido com a personagem da Nintendo, Mário, graças a uma bata peculiar, um chapéu e proteção de calçado.

Um guia leva-nos pela linha de 120 metros já preparada para visitas (tem descrições do que é feito) e de onde saem uma média de 2400 por dia, a maioria da série P30 (Elle é o nome de código), o principal modelo da Huawei, mas também o novo modelo 5G, o Mate 20 X. Cada P30 demora, em média, 28,5 segundos a ser montado e embalado – pronto para seguir para mais de 170 países. Esse registo tem vindo a ser reduzido, graças à automatização de processos e dos robôs presentes. De 2013 para 2019, cada linha passou de 86 humanos para 17 (menos 80%), “mas nenhum foi despedido, foi alocado a outras áreas, porque a empresa não pára de crescer”, diz-nos o guia.

A robótica está cada vez mais precisa e presente (triplicou em seis anos) e, em breve, irão ser menos os humanos necessários até porque, como nos explicam, os robôs podem trabalhar praticamente 24h por dia, 168h por semana. Embora a Huawei “continue a melhorar as condições para os seus trabalhadores”, cada trabalha, por norma, 60 horas por semana. São oito horas de trabalho diário, a que se somam mais duas de “trabalho extra pago”, “a que todos aderem”, em seis dias por semana. Tudo isto dentro da lei chinesa, “que o permite”, e que leva cada linha a produzir 24h por dia “em mais ou menos dois turnos”.

A linha de produção mostra “um grande esforço da empresa na qualidade e controlo de possíveis problemas futuros”. As fotos dos engenheiros responsáveis aparecem num monitor logo no início, depois um código QR na placa de circuitos – cada tem 1500 componentes diferentes – permite identificar o smartphone e os seus componentes e, se houver algum problema mesmo já nas mãos do utilizador, a Huawei percebe a sua origem e resolve.

Não faltam várias fases de verificação de qualidade, desde máquinas que fazem inspeção ótica 3D e detetam em tempo real erros da montagem, bem como observação humana a olho em várias áreas – quatro pessoas (duas mulheres dois homens, na linha que vimos) analisam a estética, limpeza e testam o áudio, isto antes do processo de empacotamento. Apesar de existirem vários braços robóticos no processo, as lentes das câmaras ainda são colocadas à mão e na parte de software podem fazer personalização – a Vodafone, por exemplo, tem opções onde o logotipo da empresa aparece quando se liga o aparelho. Tudo indica que, em breve, deve começar a ser construída outra fábrica, no Brasil. O objetivo? Liderar o mercado mundial de smartphones.

Centro de open source quer talento europeu

A Huawei está preparada para o pior, mas Chenglu Wang, presidente de software da empresa, admitiu que se perder acesso ao sistema Android – se se confirmar o bloqueio dos EUA à China – a empresa chinesa “vai sofrer um ou dois anos”. Apesar de já ter um plano B, o sistema operativo HarmonyOS pronto a entrar “em alguns dias” nos smartphones da marca e ele “seja mais rápido, seguro e fiável que o Android”, Wang disse-nos que chegar ao tamanho do ecossistema de apps do sistema da Google vai demorar. Daí que anuncie a abertura “para breve” de uma fundação mundial de open source na Europa, “com talento europeu” para alimentar o sistema da empresa que vai ser open source, tal como o Android.

* o jornalista viajou a convite da Huawei

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