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O Urso da Natura saiu à rua. Depois de Cascais, abre loja no Porto

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Cadeia mudou estratégia e virou-se para a rua: quer abrir até 5 novas lojas de rua ano e remodelar as 39 que tem em centros comerciais.

Vinte e um anos depois de chegar a Portugal, o Urso da Natura decidiu sair à rua. E em grande. O grupo quer abrir quatro a cinco lojas de rua por ano e remodelar 10 a 12 espaços nos centros comerciais. Para isso vai investir dois milhões de euros por ano. O primeiro passo desta nova estratégia de expansão da Natura começou em Cascais, mas “em breve” vão abrir no Porto um espaço já com o novo design e conceito: mais área de venda e com os produtos de cheiro, velas, body care ou gifts a conquistar expressão na loja.

Sair dos centros comerciais para a rua era uma inevitabilidade. “Tínhamos de ir por aí. O turismo anda fortíssimo em Portugal e nos centros comerciais não há muito mais por onde expandir”, justifica José Lopez, diretor-geral da Natura Portugal. “Vai abrir o shopping do Ikea em julho, em Loulé, onde vamos ter uma loja (120m2), mas tirando esse não há mais aberturas previstas”, lembra. Para adicionar novas lojas às atuais 39, a Natura tinha que caminhar, literalmente, por outras ruas.

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A ideia de levar a marca para a rua começou a ser pensada “há pouco mais de um ano” e a escolha acabou por recair em Cascais. Em soft opening há cerca de uma semana, o espaço com 160 m2 é exemplo do novo conceito que a Natura vai começar a levar para os seus espaços. Uma “loja mais clean, com muita luz, pinho reciclado, com iluminação ambiental”, descreve José Lopez. O design interior inspira-se nas lojas de rua em Madrid e Barcelona que a Natura já tem em funcionamento, mas adaptado ao mercado nacional. E parece estar a resultar. “Em quatro dias, a loja recebeu cerca de 2000 visitas/dia. É um valor altíssimo”.

“Tínhamos de ir [para as lojas de rua]. O turismo anda fortíssimo em Portugal e nos centros comerciais não há muito mais por onde expandir”, José Lopez

Com o novo conceito, as lojas também ganharam dimensão. As lojas da Natura nos centros comerciais têm uma média 110 a 115 m2, área que deverá subir para 150 a 240 m2. Dimensões e novo conceito que José Lopez também quer levar para as lojas já existentes nos centros comerciais. Haja espaço disponível, a ideia é aproveitar a renegociação dos contratos para aumentar a presença da Natura nos shoppings.

“Neste momento abrir lojas nos centros comerciais, sobretudo os top, têm custos muito parecidos à abertura de lojas de rua. Dependendo dos metros quadrados, abrir uma loja Natura poderá implicar um investimento entre 160 a 200 mil euros”, adianta José Lopez. Querem abrir entre 4 a 5 lojas de rua ano, mas o ritmo “poderá ser maior ou menor” dependendo das localizações que ficarem disponíveis: querem zonas top. “Abrir em Lisboa e no Porto, nas zonas centro e Baixa, é onde estamos absolutamente focados”, frisa o diretor-geral da Natura. No Porto, já têm um espaço fechado na Baixa com 220 m2 e com abertura prevista para “em breve”. Entre aberturas e remodelações, a Natura conta investir 2 milhões de euros/ano.

Mais área, traz novo mix
Com a nova área, a cadeia ganhou margem para mexer no mix de oferta. “O conceito de moda é muito forte na Natura e vai continuar. Temos um bom departamento de compra para a moda Natura, que tem de ser diferente das restantes cadeias, com um foco na qualidade/preço”, afirma José Lopez. Mas, com o novo conceito a Natura faz uma espécie de regresso renovado às origens: os gifts, produtos de cheiro ou de body care ganham expressão na loja – essa oferta vai ocupar “entre 40% a 50% do espaço” – “com um trabalho muito grande no packaging”, assegurado pela equipa de design da Natura em Portugal.

 

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O foco aqui é ter produtos diferenciadores e de qualidade. “Não vamos ter, por exemplo, velas com menos de 5% de essência, valor que caracteriza uma vela topo de gama”, refere. Nesta área surgiu também a oportunidade de colaborar com fornecedores portugueses. “Estamos a trabalhar com um jovem empreendedor que está a desenvolver uma vela 100% natural”, adianta José Lopez, bem como um outro fazedor português que criou packs de plantas (chá e flores) que podem ser plantadas em casa, mesmo sem tirar da embalagem. “Estamos a trabalhar nestas ideias há 4/5 meses e a desenvolver o packaging certo para transmitir de forma correcta o conceito”, diz. “Podemos ter estes produtos à venda já em setembro.”

Trabalhar com fornecedores nacionais na área de moda é que não é tão simples. Não se trata de falta de qualidade, mas sim de preço. São fornecedores na área têxtil que trabalham para gigantes mundiais como a espanhola Inditex, diz. E que oferecem um bom preço quando recebem encomendas de grande dimensão, quantidades que não são adaptadas à Natura Portugal. Já fizeram edições limitadas com fornecedores nacionais, mas Índia, Marrocos e Turquia continuam a ser os países de importação mais relevantes no segmento de moda. “São os mercados com maior variedade de produtos e com os melhores custos.”

Depois do tsunami, crescer
Crescer é a expectativa para este ano. Entre 2007-2010 a empresa vinha a registar crescimentos médios entre 8% a 12%, conta José Lopez. Depois “o tsunami atingiu Portugal”. A crise que se instalou e que trouxe a troika ao país teve um resultado imediato: as vendas recuaram 20%. “A partir de 2013 voltamos a ter crescimentos entre 2% a 4%. Crescimentos estáveis, mas não muito altos”.

Este ano, mesmo sem o efeito das novas lojas que venham a abrir, contam com um crescimento de 7%. “No primeiro trimestre conseguimos esse crescimento e acredito que vamos conseguir fechar o ano com esse nível”, afirma José Lopez. E que impacto poderão ter as novas lojas? “Podemos aumentar entre 3% a 4% mais essa meta”. Espera fechar o ano com 20 milhões de faturação.

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